Liturgia diária › 26/01/2020

Ano A (Par) – 3º Domingo do Tempo Comum – Evangelho – Mt 4,12-23

Liturgia das Horas
Laudes (manhã) – Vésperas (tarde) – Completas (Noite)

Leituras (ano Par)

1ª Leitura – Is 8,23b-9,3

23bNo tempo passado o Senhor humilhou
a terra de Zabulon
e a terra de Neftali;
mas recentemente cobriu de glória o caminho do mar,
do além-Jordão e da Galiléia das nações.
9,1O povo, que andava na escuridão,
viu uma grande luz;
para os que habitavam nas sombras da morte,
uma luz resplandeceu.
2Fizeste crescer a alegria,
e aumentaste a felicidade;
todos se regozijam em tua presença
como alegres ceifeiros na colheita,
ou como exaltados guerreiros ao dividirem os despojos.
3Pois o jugo que oprimia o povo,
– a carga sobre os ombros, o orgulho dos fiscais –
tu os abateste como na jornada de Madió.
Palavra do Senhor.

Salmo – Sl 26,1.4.13-14 (R.1a.1c)

R. O Senhor é minha luz e salvação.
O Senhor é a proteção da minha vida.

1aO Senhor é minha luz e salvação;*
bde quem eu terei medo?
cSenhor é a proteção da minha vida;*
dperante quem eu tremerei?R.

4Ao Senhor eu peço apenas uma coisa,*
e é só isto que eu desejo:
habitar no santuário do Senhor*
por toda a minha vida;
saborear a suavidade do Senhor*
e contemplá-lo no seu templo.R.

13Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver*
na terra dos viventes.
14Espera no Senhor e tem coragem,*
espera no Senhor!R.

2ª Leitura – 1Cor 1,10-13.17

10Irmãos, eu vos exorto,
pelo nome do Senhor nosso, Jesus Cristo,
a que sejais todos concordes uns com os outros
e não admitais divisões entre vós.
Pelo contrário, sede bem unidos e concordes
no pensar e no falar.
11Com efeito, pessoas da família de Cloé
informaram-me a vosso respeito, meus irmãos,
que está havendo contendas entre vós.
12Digo isto, porque cada um de vós afirma:
‘Eu sou de Paulo’; ou: ‘Eu sou de Apolo’;
ou: ‘Eu sou de Cefas’; ou: ‘Eu sou de Cristo’!
13Será que Cristo está dividido?
Acaso Paulo é que foi crucificado por amor de vós?
Ou é no nome de Paulo que fostes batizados?
17De fato, Cristo não me enviou para batizar,
mas para pregar a boa nova da salvação,
sem me valer dos recursos da oratória,
para não privar a cruz de Cristo da sua força própria.
Palavra do Senhor.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 4,12-23

12Ao saber que João tinha sido preso,
Jesus voltou para a Galiléia.
13Deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum,
que fica às margens do mar da Galiléia,
14no território de Zabulon e Neftali,
para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías:
15‘Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar,
região do outro lado do rio Jordão,
Galiléia dos pagãos!
16O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz
e para os que viviam na região escura da morte
brilhou uma luz.
17Daí em diante Jesus começou a pregar dizendo:
‘Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo.
18Quando Jesus andava à beira do mar da Galiléia,
viu dois irmãos:
Simão, chamado Pedro, e seu irmão André.
Estavam lançando a rede ao mar, pois eram pescadores.
19Jesus disse a eles: ‘Segui-me,
e eu farei de vós pescadores de homens.’
20Eles, imediatamente deixaram as redes e o seguiram.
21Caminhando um pouco mais, Jesus viu outros dois irmãos:
Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João.
Estavam na barca com seu pai Zebedeu
consertando as redes.
Jesus os chamou.
22Eles, imediatamente deixaram a barca e o pai,
e o seguiram.
23Jesus andava por toda a Galiléia,
ensinando em suas sinagogas,
pregando o Evangelho do Reino
e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo.
Palavra da Salvação.

Comentário Monsenhor Paulo Daher

Em Isaías, 8, 23b-9,3, o autor diz: o povo que andava nas trevas viu uma grande luz. Cresceu a alegria e a felicidade, como no tempo da colheita da lavoura. O jugo que oprimia o povo pesando em seus ombros, o orgulho dos fiscais foram abatidos.

Mais uma vez a leitura da missa fala-nos das trevas contrapondo-as à luz. São duas imagens na vida religiosa e moral que costumam alertar as pessoas sobre o pecado e a amizade com Deus.

São imagens sugestivas. Quando erramos, cometendo pecado, parece que todo o nosso ser se escurece. A escuridão impede de enxergarmos coisas e pessoas. E buscarmos mais a nós mesmos, esquecendo-nos dos outros, cria em nós um isolamento, um afastamento, uma solidão.

Não é bom que o ser humano esteja só,(Gn 2,18) disse o Senhor. Isso no sentido de seu plano da família: união do homem e da mulher. E também no sentido da necessidade temos de conviver uns com os outros.

Há exigências para vida do organismo do ser humano que quando não atendidas causam problemas para ele. Como a fome, o alimento, a saúde, o ar, a água, a luz e o calor do sol.

E assim as trevas, a escuridão, a sombra, o fugir da vida saudável da natureza, a vida estafante nas cidades, em contato com tanta poluição, servem para entendermos que a vida sem Deus, sem oração, sem participação religiosa junto com os outros prejudica nosso bem estar.

E a luz então é imagem do que nos faz participar de todo o ambiente natural que Deus preparou para nós. Começa com o bem estar natural e continua com o bem estar espiritual e religioso com Deus e com todos.

É a razão da vinda de Jesus à terra e de sua presença em nossa vida por meio de sua Igreja, e do seguir seus passos. Pois ele quis ser e é nosso Caminho, Verdade e Vida verdadeira.

Na 1ª. carta aos Coríntios, 1, 10-13,17,   o autor aconselha que todos sejam bem unidos no pensar e no falar.  Pois teve notícia do contrário. Cristo não pode ser dividido entre Paulo, Apolo, Cefas… Cristo o enviou para anunciar a boa nova da salvação.

  1. Paulo sabe realizar seu trabalho de evangelização, despertando as pessoas para conhecerem o Cristo, e poderem experimentar sua influência em suas vidas, por meio da leitura da própria História da Salvação, da participação na comunidade religiosa, a oração pessoal e comunitária.

E ele tem um método bom de ajudar as pessoas. Não se contenta em dar o alimento espiritual de que precisam. Ele gostava de acompanhar o resultado das propostas de vida melhor que apresentava.

Ele não fazia como fazem alguns governantes em sua política: estatística de seu trabalho. Por exemplo: quantas cidades visitava, quantas pessoas aderiam, quantos discursos fizera. Ele sempre se interessa pelo resultado de seu trabalho. Se as pessoas aceitaram ou não, como estavam progredindo em sua vida religiosa, o que ainda precisavam.

É uma boa norma a ser seguida. Por exemplo: os pais não devem se contentar com terem ensinado aos filhos o caminho do bem e da verdade. Devem acompanhar, ajudar, fortalecer a perseverança, ajudá-los em suas necessidades.

E também cada um de nós com nossa vida. Lembro-me de um padre que anotava quantas missas havia celebrado num mês, num ano, durante sua vida. Deus não gosta desta matemática. Deus quase não usa os números. Ele guarda em sua memória divina como fazemos com o que precisamos. Pode até ser uma só vez com intensidade tão forte que mereça ser abraçado como se o tivesse feito por toda a sua vida. Como aconteceu com o criminoso crucificado a seu lado, quando lhe pediu com toda a humildade: Jesus, lembra-te de mim, quando estiveres em teu reino.(Lc 23,42)

            Em Mateus, 4, 12-23, depois da prisão de João, Jesus foi para Cafarnaum. Cumpria a profecia de Isaías: o povo que vivia nas trevas viu uma grande luz. Jesus pregava: “Convertam-se, o reino dos céus está próximo.” À beira do mar da Galileia Jesus chamou Pedro e seu irmão André, pescadores. Disse-lhes: “eu vou fazer de vocês pescadores de homens.” Eles o seguiram. Mais  adiante viu Tiago e João, Chamou-os. E eles deixando a barca e o pai, o seguiram. E andava pela Galileia pregando o evangelho do reino e curando todo tipo de enfermidade.

Mateus como escreve mais para os judeus, gosta de provar que Jesus é de fato Salvador esperado pelo povo escolhido, pois as profecias estavam se realizando em tudo o que fazia então.

Algumas vezes se diz: o reino de Deus está próximo.

Para muitos judeus, a presença do Salvador que esperavam iria fazer voltar a valer o reino do povo escolhido, que Deus prometera aos judeus. Para Jesus, não, pois quando fala sobre esse reino que Ele estabeleceria diz: reino de Deus, reino dos céus,  minha Igreja, meu reino não é deste mundo.

Ao se despedir dos apóstolos no dia de sua ascensão diz-lhes: Vão. Ensinem a todos os povos e os batizem em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.(Mt 28, 16-20)          Novos céus e nova terra aparecerão com Jesus. Agora todas pessoas de todos os povos são convidados para realizarem o reino de Deus, que Jesus iniciou.

A própria escolha dos apóstolos, sem que pertençam à família sacerdotal tradicional segundo as leis judaicas, já ia quebrando o poder dos chefes religiosos judeus. Não participaram da escola dos fariseus e dos assim chamados doutores da lei, em Jerusalém. A maioria eram simples pescadores.

Jesus dá um toque especial sobre o trabalho e a missão dos sacerdotes do novo reino: vão ser não observantes das leis, ou vigilantes das leis, mas pescadores de homens. Quer dizer seu papel era ajudar as pessoas a se encontrarem com Deus, seguindo o Cristo.

As leis ajudam nesta vivência religiosa, mas devem levar a todos a seguirem a vontade do Pai. A parábola sobre a oração do fariseu e do publicano ilustra muito bem a diferença em seguir a lei pela lei, e seguir a lei porque ajuda-nos a aceitar Deus e os irmãos.(Lc18, 9-14)

Os novos escolhidos de Jesus, devem ser pessoas preparadas e dedicadas ao atendimento religioso das pessoas nos momentos dos sacramentos que são a fonte de graças para as pessoas.

Mas não podem só acolher os que vem buscar as bênção de Deus. Porque todas as pessoas devem ter chance de conhecer e seguir Jesus; E muitos devem ser visitados onde vivem e trabalham para lhes ser anunciado a presença e o amor de Jesus. Por isso o Papa Francisco tem insistido que principalmente os sacerdotes devem sair das igrejas e ir ao encontro dos que estão afastados. Como bons pastores tem de procurar suas ovelhas.