Liturgia diária › 15/12/2019

Ano A (Par) – 3º Domingo do Advento – Evangelho – Mt 11,2-11

3ª semana do Saltério. Coleta para a sustentação da Evangelização da Igreja. Ofício dominical do Advento. Missa pr. “Gaudete” (sem Gl): Cr, Pf do Advento I.

Liturgia das Horas
Laudes (manhã) – Vésperas (tarde) – Completas (Noite)

Leituras

1ª Leitura – Is 35, 1-6a.10

1Alegre-se a terra que era deserta e intransitável,
exulte a solidão e floresça como um lírio.
2Germine e exulte
de alegria e louvores.
Foi-lhe dada a glória do Líbano,
o esplendor do Carmelo e de Saron;
seus habitantes verão a glória do Senhor,
a majestade do nosso Deus.
3Fortalecei as mãos enfraquecidas
e firmai os joelhos debilitados.
4Dizei às pessoas deprimidas:
‘Criai ânimo, não tenhais medo!
Vede, é vosso Deus,
é a vingança que vem, é a recompensa de Deus;
é ele que vem para vos salvar’.
5Então se abrirão os olhos dos cegos
e se descerrarão os ouvidos dos surdos.
6O coxo saltará como um cervo
e se desatará a língua dos mudos.
10 Os que o Senhor salvou, voltarão para casa.
Eles virão a Sião cantando louvores,
com infinita alegria brilhando em seus rostos:
cheios de gozo e contentamento,
não mais conhecerão a dor e o pranto.
Palavra do Senhor.

Salmo – Sl 145,7.8-9a.9bc-10 (R. Cf. Is 35,4)

R. Vinde Senhor, para salvar o vosso povo!

Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

7O Senhor é fiel para sempre, *
faz justiça aos que são oprimidos;
ele dá alimento aos famintos, *
é o Senhor quem liberta os cativos. R.

8O Senhor abre os olhos aos cegos,*
o Senhor faz erguer-se o caído,
o Senhor ama aquele que é justo,*
9aé o Senhor que protege o estrangeiro. R.

9bEle ampara a viúva e o órfão,*
9cmas confunde os caminhos dos maus.
10O Senhor reinará para sempre!*
Ó Sião, o teu Deus reinará. R.

2ª Leitura – Tg 5, 7-10

Irmãos:
7Ficai firmes até à vinda do Senhor.
Vede o agricultor:
ele espera o precioso fruto da terra e fica firme
até cair a chuva do outono ou da primavera.
8Também vós, ficai firmes e fortalecei vossos corações,
porque a vinda do Senhor está próxima.
9Irmãos, não vos queixeis uns dos outros,
para que não sejais julgados.
Eis que o juiz está às portas.
10Irmãos, tomai por modelo de sofrimento e firmeza
os profetas, que falaram em nome do Senhor.
Palavra do Senhor.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 11,2-11

Naquele tempo:
2João estava na prisão.
Quando ouviu falar das obras de Cristo,
enviou-lhe alguns discípulos,
3para lhe perguntarem:
‘És tu, aquele que há de vir,
ou devemos esperar um outro?’
4Jesus respondeu-lhes:
‘Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo:
5os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam,
os leprosos são curados, os surdos ouvem,
os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados.
6Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!’
7Os discípulos de João partiram,
e Jesus começou a falar às multidões, sobre João:
‘O que fostes ver no deserto?
Um caniço agitado pelo vento?
8O que fostes ver? Um homem vestido com roupas finas?
Mas os que vestem roupas finas
estão nos palácios dos reis.
9Então, o que fostes ver? Um profeta?
Sim, eu vos afirmo, e alguém que é mais do que profeta.
10É dele que está escrito:
‘Eis que envio o meu mensageiro à tua frente;
ele vai preparar o teu caminho diante de ti’.
11Em verdade vos digo, de todos os homens que já
nasceram, nenhum é maior do que João Batista.
No entanto, o menor no Reino dos Céus
é maior do que ele.
Palavra da Salvação.

Comentário Monsenhor Paulo Daher (1931/2019)

Em Isaías, 35, 1-6a.10 – Disse o profeta: alegre-se a terra, pois todos verão a glória de Deus. Vai fortalecer a mãos, firmar os joelhos.Os olhos dos cegos, verão, os surdos ouvirão, os coxos andarão, as línguas  se soltarão. Os salvos virão cantando louvores com seus rostos alegres. Não mais conhecerão a dor e o pranto.

A natureza é a imagem da alegria, felicidade, paz, tristeza, preocupação, medo.   A Palavra de Deus usa esta imagem do que a natureza apresenta para mostrar seja a bênção e presença de Deus, sejam as consequências de males pelo modo de viver longe de Deus.

O apelo de hoje é de ânimo, de esperança, sem medo. É nosso Deus que vem. Mãos e joelhos enfraquecidos se firmarão. Olhos e ouvidos se abrirão para viver o presente que vai preparar um amanhã melhor.

Curados, fortalecidos saltarão de alegria contagiante. Voltarão para casa cantando de alegria, longe de qualquer sofrimento.

Temos um mau costume de nos deixar impressionar muito por erros nosso. Ou uma doença, perda, esforço trabalhoso que não teve a resposta que desejávamos.

Podemos afirmar que se em nossa vida houve dez momentos de alegria, de bem estar, de realização que conseguimos depois de nosso esforço, e aconteceu um ( veja bem: um!) momento de sofrimento ou fracasso por não conseguirmos o que queríamos, este um dia de tristeza vai ficar martelando em nossa cabeça por muito tempo.

Há no ser humano uma mania de ficar sofrendo por muito tempo com algo desagradável que aconteceu lá atrás. É como uma cicatriz ainda ferida e aberta, que parece, não queremos curá-la.

Às vezes até pode acontecer na confissão que a pessoa volte sempre a confessar, a falar num pecado grave que cometeu há tanto tempo. Já foi confessado, perdoado, já mudou de vida. E a pessoa volta sempre a falar no mesmo pecado que parece que não acredita no perdão de Deus.

Deus não quer o pecado e dirige palavras sérias e duras sobre ele. Mas uma vez que a pessoa pede perdão e se esforça para melhorar, o Senhor não fica lembrando o que passou. Para ele vale o presente. Como aconteceu na parábola do filho pródigo. O pai ficou contente com a volta e fez uma festa. Não ficou falando sobre a escolha mal feita do filho.(Lc 15, 11-31)

Na carta de S. Tiago, 5, 7-10 – Diz: aguardem a vinda do Senhor como o agricultor espera o fruto da terra, com a chuva do outono ou da primavera, Tomem por modelo de sofrimento e de espera a firmeza dos profetas  que falaram em nome do Senhor.

O apostolo nessa carta compara a espera da vinda do Senhor ao agricultor que espera que suas sementes germinem no tempo certo.

É o exercício da paciência, não da acomodação, nem de se sentar ou cruzar os braços para ver acontecer.

A figura do trabalho do agricultor é muito feliz. Tudo em nossa vida tem seu tempo. A natureza com as estações climáticas durante o ano é por assim dizer o relógio do tempo que Deus deixou em a natureza.

Pois todo o ser vivo é assim: começa com um ponto minúsculo, p.ex. a semente, que tem todo o potencial para desenvolver-se se estiver em ambiente propício para seguir adiante.

Em nossos corações na luta, no esforço, no empenho, aguardamos a vinda do Senhor sem queixas pelo que temos de sofrer, para nos preparar melhor para a vinda do Senhor.

Podemos comparar o preparo da terra, o adubo, a água, a luz do sol, a poda, todo o cuidado que devemos ter para que uma planta realize sua finalidade com as qualidades que temos ou dons de Deus que pela vida vamos recebendo. Presentes de Deus e da vida não são só para serem admirados ou guardados. Precisam desenvolver-se para serem úteis na nossa vida e na vida dos outros.

Se o bispo ordenasse um padre, para ser prêmio por sua inteligência, pelos títulos acadêmicos que conquistou e colocasse na paróquia mais importante da diocese, e ele ficasse sentado em sua cátedra de saber, sem sair de sua casa. Sendo visitado por pessoas de seu nível cultural e ficasse estudando sempre para conhecer sempre mais. E não for apostólico, missionário evangelizador, não precisaria ser padre só para isso.

Quantos dons desperdiçados…

Em Mateus, 11, 2-11 – João na prisão envia seus discípulos para perguntar a Jesus se ele era o Messias. Cristo responde pedindo que digam a João que muitos estão sendo curados de suas enfermidades. Jesus depois fala de João: vocês não viram um caniço agitado pelo vento, nem um homem de roupas finas. Ele é mais que um profeta. Dele está escrito: enviarei para preparar o teu caminho. Ninguém é maior que João Batista.

João ouve notícias sobre Jesus. Ele já o tinha batizado no Rio Jordão. E conhecendo já do início o trabalho de Cristo, não para ele saber, mas para que seus discípulos encontrem Jesus, os envia para perguntar se era Ele que veio como Salvador ou teriam de esperar outro.

A resposta de Jesus foi mostrar o que estava fazendo: curas que foram anunciadas pelos profetas.

E Jesus aproveita para falar de João Batista, que sabemos, era primo de Jesus, filho de Zacarias e Isabel(Lc 1, 13s).

João homem austero, da têmpera dos profetas, profeta ele mesmo.            Não se acomodava em ser tão abençoado por Deus com tantas qualidades. Preservou estes presentes de Deus trabalhando rigorosamente para manter-se fiel a Deus e à sua missão.

É o que vemos em todos os santos: tem consciência do chamado de Deus, mas estão atentos em buscar pela oração, leitura da Palavra de Deus, renúncias, dar o suporte para realizar o que Deus espera de nós.

Ter dons especiais de Deus não dispensa um trabalho perseverante. O próprio Deus que tudo criou, embora o livro do Gênesis diga que Ele descansou no 7º. dia, continua seu trabalho ao manter a existência de todos os seres. Sem ele tudo volta ao nada.

Conosco acontece igual: guardar os dons que recebemos faz-nos perdê-los. A vida é ação. Já dissemos: quem não caminha para a frente, anda para trás. Quem para, também.

Todos temos a mesma vocação de João Batista. Ele deu-nos exemplo: Jesus quer vir ao nosso encontro, mas temos de convidá-lo e fazer como João Batista: enviar para Jesus todos que precisam d´Ele. Ensinando quem é Jesus, orando para que procurem Jesus e que Jesus os encontre e fale a eles.