Liturgia diária › 14/11/2017

Ano A – 3ª-feira da 32ª Semana do TC – Evangelho – Lc 17,7-10

Liturgia da Horas
Ofício da 4ª semana – Tempo Comum.
Laudes (Manhã); Hora Sexta (Meio dia); Vésperas (tarde) e Completas (noite)

Liturgia da Missa
Cor: Verde – Missa: Prefácio Tempo Comum.

Leituras do Dia

1ª Leitura do Livro da Sabedoria 2,23-3,9

23Deus criou o homem para a imortalidade
e o fez à imagem de sua própria natureza;
24foi por inveja do diabo que a morte entrou no mundo,
e experimentam-na os que a ele pertencem.
3,1A vida dos justos está nas mãos de Deus,
e nenhum tormento os atingirá.
2Aos olhos dos insensatos parecem ter morrido;
sua saída do mundo foi considerada uma desgraça,
3e sua partida do meio de nós, uma destruição;
mas eles estão em paz.
4Aos olhos dos homens parecem ter sido castigados,
mas sua esperança é cheia de imortalidade;
5tendo sofrido leves correções,
serão cumulados de grandes bens,
porque Deus os pôs à prova e os achou dignos de si.
6Provou-os como se prova o ouro no fogo
e aceitou-os como ofertas de holocausto;
7no dia do seu julgamento hão de brilhar,
correndo como centelhas no meio da palha;
8vóo julgar as nações e dominar os povos,
e o Senhor reinará sobre eles para sempre.
9Os que nele confiam compreenderão a verdade,
e os que perseveram no amor ficarão junto dele,
porque a graça e a misericórdia são para seus eleitos.
Palavra do Senhor.

Salmo – Sl 33 (34),2-3. 16-17. 18-19 (R. 2a)

R. Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo!

2Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, *
seu louvor estará sempre em minha boca.
3Minha alma se gloria no Senhor; *
que ouçam os humildes e se alegrem!R.

16O Senhor pousa seus olhos sobre os justos, *
e seu ouvido está atento ao seu chamado;
17mas ele volta a sua face contra os maus, *
para da terra apagar sua lembrança.R.

18Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta *
e de todas as angústias os liberta.
19Do coração atribulado ele está perto *
e conforta os de espírito abatido.R. 

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 17,7-10

Naquele tempo, disse Jesus:
7Se algum de vós tem um empregado
que trabalha a terra ou cuida dos animais,
por acaso vai dizer-lhe, quando ele volta do campo:
‘Vem depressa para a mesa?’
8Pelo contrário, não vai dizer ao empregado:
‘Prepara-me o jantar, cinge-te e serve-me,
enquanto eu como e bebo;
depois disso tu poderás comer e beber?’
9Será que vai agradecer ao empregado,
porque fez o que lhe havia mandado?
10Assim também vós:
quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram,
dizei: ‘Somos servos inúteis;
fizemos o que devíamos fazer’.’
Palavra da Salvação.

Comentário Monsenhor Paulo Daher

No livro da Sabedoria 2, 23-3,9, o autor lembra que o ser humano foi feito à semelhança de Deus. Por inveja pecou.  Mas  a vida dos justos está nas mãos de Deus, mesmo nos sofrimentos. Com isso Deus os provou e os achou dignos. Os que perseverarem no amor ficarão junto do Senhor pois a misericórdia divina é para seus eleitos.

Se tivéssemos um espelho que pudesse refletir todo o nosso ser por dentro e por fora, iríamos nos espantar. Talvez até nos perguntaríamos: quem é? Sou eu mesmo?

Há pessoas de uma beleza que encanta. E nossa admiração cresce quando comparamos com a beleza de seus pais.

Mas nosso encanto pessoal às vezes é insatisfeito. Por não reconhecer tantas qualidades que Deus nos deu de presente, estas mesmas características divinas, levaram nossos primeiros pais e a nós ainda hoje, a achar que esta imagem maravilhosa a podemos transformar em outra mais extraordinária como a de um deus.

É o pecado maior e mais destruidor. Ser divino não é uma aparência é muito mais profundo, é a própria essência do ser.

Como ninguém consegue destruir uma obra de Deus, o Senhor cuida sempre dos cacos que aparecem da imagem divina que não somos nem podemos nos transformar.

Enquanto estamos na terra Deus sempre nos dá chance de um caminho de volta à sua casa, ao seu coração. Este mulambo humano que retorna trôpego à casa do Pai, (Lc 15, 20) não vai ficar deitado na porta irreconhecível, como um mendigo,  pedindo a esmola de um pão. Vai ser acolhido pelo Pai, lavado, perfumado, vestido com roupa nova, com anel de filho e participar do banquete da família.

Pois Deus é misericordioso, sempre acolhe quem o chama como Pai, seja quem for, dá-lhe nova chance de ser da família.

Vale a pena ser considerado como filho de tão maravilhoso Pai.

Em Lucas 17, 11-19, Jesus reflete: um empregado que fez todo o seu trabalho, quando volta vai ser convidado para sentar-se à mesa? Ou preparará o jantar para o patrão e só depois irá tomar sua refeição. Assim quando vocês tiverem feito o que deveriam fazer devem dizer: somos servos inúteis, fizemos o que devíamos fazer.

Pode parecer à primeira vista uma contradição com tudo o que Jesus ensinava sobre como conviver com as pessoas e respeita-las no que são e no que fazem.

O sentido mais fácil de entendermos talvez seja orientar nossa maneira de agir com os outros e para os outros. O importante não é só a quem servimos mas também o que servimos e como.

A impressão que estas palavras dão é que o valor do que se faz é o que se faz e nem sempre quem o faz. O bem que se realiza tem mais efeito que aconteça do que ser feito por alguém importante. O carinho de uma criança para com seus pais traz em si um encanto maior por ser ela assim tão querida do que ser uma criança ágil, inteligente e viva.

Algumas pessoas entendem este desprendimento do empregado quase como aniquilamento de sua personalidade, julgando-se um zé ninguém serviçal. O sentido, volto a repetir, não deva ser que todos reconheçam quem sou e valorizem meu trabalho.

Seria como um médico que diante de uma cirurgia difícil e delicada realizasse tudo a contento. Poderá sentir-se satisfeito, aceitará a gratidão do enfermo e de sua família, se alegrará por ter conseguido com sua competência. Mas a satisfação maior é que o enfermo livrou-se do mal que o atormentava. Portanto o valor maior não é quem fez mas o que conseguiu.

A sugestão de Jesus também deve ser fruto da humildade, de não querer ser sempre exaltado como tal. Pois o serviço que prestamos a alguém seria como de um irmão maior com seu irmão menor, de poder com responsabilidade criar um clima de proteção e amor que une cada vez mais os dois.

Incomoda ter um amigo grudado em nossa vida, quase bajulando-nos em tudo que faz. Basta uma boa convivência fraterna sincera.