Liturgia diária › 03/12/2019

Ano A – 3ª feira da 1ª Semana do Advento – Evangelho – Lc 10,21-24

Br. 3ª-feira. S. Francisco Xavier Presb, memória. Ofício da memória. Missa pr.: Pf do Advento I ou dos Pastores

Liturgia das Horas
Laudes (manhã) – Vésperas (tarde) – Completas (Noite)

Leituras

1ª Leitura – Is 11,1-10

Naqueles dias:
1Nascerá uma haste do tronco de Jessé
e, a partir da raiz, surgirá o rebento de uma flor;
2sobre ele repousará o espírito do Senhor:
espírito de sabedoria e discernimento,
espírito de conselho e fortaleza,
espírito de ciência e temor de Deus;
3no temor do Senhor encontra ele seu prazer.
Ele não julgará pelas aparências que vê
nem decidirá somente por ouvir dizer;
4mas trará justiça para os humildes
e uma ordem justa para os homens pacíficos;
fustigará a terra com a força da sua palavra
e destruirá o mau com o sopro dos lábios.
5Cingirá a cintura com a correia da justiça
e as costas com a faixa da fidelidade.
6O lobo e o cordeiro viverão juntos
e o leopardo deitar-se-á ao lado do cabrito;
o bezerro e o leão comerão juntos
e até mesmo uma criança poderá tangê-los.
7A vaca e o urso pastarão lado a lado,
enquanto suas crias descansam juntas;
o leão comerá palha como o boi;
8a criança de peito vai brincar
em cima do buraco da cobra venenosa;
e o menino desmamado
não temerá pôr a mão na toca da serpente.
9Não haverá danos nem mortes
por todo o meu santo monte:
a terra estará tão repleta do saber do Senhor
quanto as águas que cobrem o mar.
10Naquele dia, a raiz de Jessé
se erguerá como um sinal entre os povos;
hão de buscá-la as nações, e gloriosa será a sua morada.
Palavra do Senhor.

Salmo – Sl 71 (72), 1-2. 7-8. 12-13. 17 (R.cf 7)

R. Nos seus dias a justiça florirá
e paz em abundância, para sempre.

1Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus,*
vossa justiça ao descendente da realeza!
2Com justiça ele governe o vosso povo,*
com eqüidade ele julgue os vossos pobres. R.

7Nos seus dias a justiça florirá*
e grande paz, até que a lua perca o brilho!
8De mar a mar estenderá o seu domínio,*
e desde o rio até os confins de toda a terra!R.

12Libertará o indigente que suplica,*
e o pobre ao qual ninguém quer ajudar.
13Terá pena do indigente e do infeliz,*
e a vida dos humildes salvará.R.

17Seja bendito o seu nome para sempre!*
E que dure como o sol sua memória!
Todos os povos serão nele abençoados,*
todas as gentes cantarão o seu louvor!R.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 10,21-24

21Naquele momento, Jesus exultou no Espírito Santo e disse:
‘Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra,
porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes,
e as revelaste aos pequeninos.
Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado.
22Tudo me foi entregue pelo meu Pai.
Ninguém conhece quem é o Filho, a não ser o Pai;
e ninguém conhece quem é o Pai, a não ser o Filho
e aquele a quem o Filho o quiser revelar.’
23Jesus voltou-se para os discípulos
e disse-lhes em particular:
‘Felizes os olhos que vêem o que vós vedes!
24Pois eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver
o que estais vendo, e não puderam ver;
quiseram ouvir o que estais ouvindo,
e não puderam ouvir.’
Palavra da Salvação.

Comentário Monsenhor Paulo Daher (1931/2019)

3ªfeira da 1ª Semana do Advento

Isaias, 11, 1-10 – O profeta anuncia que virá um descendente de Davi sobre quem pousará os dons do Espírito Santo. Anunciará a justiça e a paz entre as pessoas e até com os animais. Será um sinal de que a paz reinará então.

Este trecho de Isaías é muito rico. Fala sobre os dons do Espírito Santo: sabedoria, conselho, fortaleza, ciência, temor de Deus. Podemos dizer que envolvem nossas qualidades naturais transformando-as. O que dá sentido a cada um, quase o motor deles é a disposição de amar.

Pois o que mostra sua origem no Espírito Santo é o amor. Este no sentido de disposição interior de aceitar as pessoas, valorizá-las, estar à sua disposição na alegria, no apoio, no incentivo, no clima de paz e tranquilidade que nos ajuda e enxergar os outros, interessar-nos por eles.

A sabedoria aqui é a capacidade de ouvir, ver, valorizar as pessoas, recebendo-as sempre com atenção, ser companheiro de jornada, envolver-se em tudo o que lhes diz respeito. Não olha de fora, mas como que entra em sua mente e coração como o calor de um amor sincero, que se alegra com tudo o que é a vida, preocupações e esperança das pessoas.

E se entre os seres humanos houver mais entendimento, colaboração, participação, que dá-nos serenidade, até os animais perdem sua agressividade como diz Isaías.

Aplicando à nossa sociedade agitada e nervosa… Avançamos tanto na área das ciências, no conhecimento, nos meios de comunicação, na rapidez de cura de tantas doenças, e ao invés de sermos pessoas pacíficas, tranquilas, felizes, somos uma geração de gente com pressa para tudo, corremos atrás de tantas coisas e nem reparamos no que acontece ao nosso redor e muito menos dentro de nós.

Parece que vivemos num mar de tempestades, o barco de nossa de nossa vida sobe e desce nas ondas revoltas, perdemos o rumo, pois nem sabemos para onde queremos ir.

Falta-nos o dom do temor de Deus, que também significa, aceitar o Senhor em nossa vida, orientando-nos a cada momentos. Na mesa de nossa existência não há um assento para o Senhor da vida. Afastando-nos d´Ele, quando gritamos por socorro, ficamos roucos porque o barulho que nos cerca impede a Deus de ouvir-nos.

Lucas, 10, 21-24 – Jesus louva o Pai que revelou aos pequeninos os mistérios do reino.  Revela a todos os segredos do Pai. E anuncia: felizes os olhos que veem o que vocês estão vendo. Muitos profetas queriam ver o que eles estavam agora vendo.

Os pequenos são os simples de coração, que confiam mais em Deus que em suas qualidades. É atitude interior de abertura a tudo o que é bom. Pequeno para Jesus é quem está buscando o bem, mais preocupado com sua aceitação da presença de Deus do que em se mostrar auto-suficiente.

Quem acha que nada mais precisa para ser o que é ou que poderá fazer, que não depende de ninguém, não está buscando mais nada, pois se basta a si mesmo, não é o pequeno de que Jesus fala.

Dependemos dos outros por mais qualificados que sejamos. Se alguém tem tudo para realizar o que pretende, e não pensa em estar com ninguém, vai sentir-se sozinho, falando para as paredes. É como a figura do louco, que grita, se agita, corre, canta, sem ligar para o mundo que o rodeia.

O músico Beethoven quando surdo realizou suas maiores obras musicais. Embora não ouvisse, se inspirava em imaginar o que as pessoas sentiriam quando ouvissem suas peças maravilhosas. Pois não compunha para seu deleite pessoal. Sentindo e vivendo suas inspirações, seu pensamento era que quem pudesse ouvir se deleitasse com tanta arte.

Muitos gostariam de ver o que os que acompanhavam Jesus viam.

Na bíblia a presença de Deus dá-se por ver e às vezes por ouvir. São maneiras que Deus escolhe para se comunicar. Este ver e ouvir pode ser externa ou internamente, direto a nós ou por meio de outras pessoas. Conforme desejo ou interesse, o que vemos se grava pouco ou muito na memória. Às vezes desejamos tanto ver que já imaginamos como seria.

Na história da salvação, antes de Cristo o que se dizia sobre Deus, tinha influência nos sentimentos que brotavam quando Deus se manifestava.  Com Jesus, viver a vida, palavras, gestos humanos mostra o que Deus pensa de nós ou deseja para nós.  E todo o bem que alcançamos por nosso esforço ou como presente de Deus, deve ser partilhado com  os outros.

Jesus trouxe a riqueza da presença de Deus em nossa vida.  Assim é a ação divina: nenhum bem que recebemos pode ficar só conosco. Tudo o que Deus comunica a nós devemos levar a outros. É esta a missão da Igreja de Cristo à qual pertencemos. Então o discípulo de Cristo é o que vê o Senhor, ouve sua Palavra e depois vai levar este Cristo e sua palavra a todas as pessoas. A alegria e felicidade de estar com o Senhor é sempre vir acompanhado de um irmão.