Liturgia diária › 01/12/2019

Ano A – 1º Domingo do Advento – Evangelho – Mt 24,37-44

Cor: Roxo 1ª semana do Saltério. Ofício dominical do Advento. Missa pr.: (sem Gl), Cr, Pf do Advento I

Liturgia das Horas
Laudes (manhã) – Vésperas (tarde) – Completas (Noite)

Leituras

1ª Leitura – Is 2, 1-5

1Visão de Isaías, filho de Amós,
sobre Judá e Jerusalém.
2Acontecerá, nos últimos tempos,
que o monte da casa do Senhor
estará firmemente estabelecido
no ponto mais alto das montanhas
e dominará as colinas.
A ele acorrerão todas as nações,
3para lá irão numerosos povos e dirão:
‘Vamos subir ao monte do Senhor,
à casa do Deus de Jacó,
para que ele nos mostre seus caminhos
e nos ensine a cumprir seus preceitos’;
porque de Sião provém a lei
e de Jerusalém, a palavra do Senhor.
4Ele há de julgar as nações
e argüir numerosos povos;
estes transformarão suas espadas em arados
e suas lanças em foices:
não pegarão em armas uns contra os outros
e não mais travarão combate.
5Vinde, todos da casa de Jacó,
e deixemo-nos guiar pela luz do Senhor.
Palavra do Senhor.

Salmo – Sl 121, 1-2.4-5.6-7.8-9 (R. Cf. 1)

R. Que alegria, quando me disseram:’Vamos à casa do Senhor!

1Que alegria, quando ouvi que me disseram: *
‘Vamos à casa do Senhor!’
2E agora nossos pés já se detêm, *
Jerusalém, em tuas portas. R.

4para lá sobem as tribos de Israel, *
as tribos do Senhor.
Para louvar, segundo a lei de Israel, *
o nome do Senhor.*
5A sede da justiça lá está *
e o trono de Davi. R.

6Rogai que viva em paz Jerusalém, *
e em segurança os que te amam!
7Que a paz habite dentro de teus muros, *
tranqüilidade em teus palácios! R.

8Por amor a meus irmãos e meus amigos, *
peço: ‘A paz esteja em ti!’
9Pelo amor que tenho à casa do Senhor, *
eu te desejo todo bem! R.

2ª Leitura – Rm 13,11-14a

Irmãos:
11Vós sabeis em que tempo estamos,
pois já é hora de despertar.
Com efeito, agora a salvação está mais perto de nós
do que quando abraçamos a fé.
12A noite já vai adiantada,
o dia vem chegando:
despojemo-nos das ações das trevas
e vistamos as armas da luz.
13Procedamos honestamente, como em pleno dia:
nada de glutonerias e bebedeiras,
nem de orgias sexuais e imoralidades,
nem de brigas e rivalidades.
14Pelo contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo.
Palavra do Senhor.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 24,37-44

Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos:
37‘A vinda do Filho do Homem será como no tempo de Noé.
38Pois nos dias, antes do dilúvio, todos comiam e bebiam,
casavam-se e davam-se em casamento,
até o dia em que Noé entrou na arca.
39E eles nada perceberam
até que veio o dilúvio e arrastou a todos.
Assim acontecerá também na vinda do Filho do Homem.
40Dois homens estarão trabalhando no campo:
um será levado e o outro será deixado.
41Duas mulheres estarão moendo no moinho:
uma será levada e a outra será deixada.
42Portanto, ficai atentos!
porque não sabeis em que dia virá o Senhor.
43Compreendei bem isso: se o dono da casa
soubesse a que horas viria o ladrão,
certamente vigiaria e não deixaria
que a sua casa fosse arrombada.
44Por isso, também vós ficai preparados!
Porque na hora em que menos pensais,
o Filho do Homem virá.
Palavra da Salvação.

Comentário das leituras: Monsenhor Paulo Daher (1931/2019)

1º. Domingo do Advento 

Profeta Isaías, 2, 1-5  – Nos últimos tempos o monte da casa do Senhor, do alto da montanha dominará. Numerosos povos virão e dirão: “vamos subir ao monte do Senhor e ouvir o que ele tem a nos dizer.” Vai ajudar as pesssoas: transformarão as espadas  em arados, suas lanças em foices. Não mais travarão combates contra ninguém. Que venham todos  e se deixem guiar pela luz do Senhor. 

A presença de Deus ou da religião em nossa vida sempre nos estumula para o bem. É como um sinal do alto que nos chama e dirige nossa vida para atingir a finalidade a que viemos, que é sempre a felicidade. 

Já dizia o pensador romano Cícero: entre as criaturas, o ser humano tem o seu porte, a sua cabeça dirigida para o alto, para que sempre se lembre de onde veio, quem o dirige e para onde deve ir. 

Aliás toda a natureza viva como que obedece aos apelos do céu: sempre se dirige para cima, para o alto. 

As capacidades que temos, a criatividade que nos ajuda a fazer de nosso mundo nossa morada, sempre nos pedem colaboração, participação em benefício nosso e de todos os que conosco convivem. 

As armas foram inventadas porque ao querer guardar tudo para nós, criamos nossas defesas que nos separam e nos afastam dos outros. Os instrumentos de trabalho fazem-nos produzir o que precisamos e contam sempre com a colaboração dos outros. 

As montanhas, as cidades situadas nos montes, as igrejas construídas no alto das montanhas são sempre apelos para que olhemos mais para o alto, para o céu, morada de Deus.  

Olhar para cima pode até também ser uma espécie de saudade de nossa origem: todos saímos das mãos criadores a paternas de Deus. E esse Deus do céu é porque o céu é uma imagem de algo quase eterno, bonito, donde nos vem a luz do sol, da lua, das estrelas, sempre os povos lá colocaram o ser superior, Deus.  

Bem diz o salmo 120(121): levanto meus olhos para o monte: de onde virá meu socorro? Minha esperança vem do Senhor que fez o céu e a terra. 

Carta aos Romanos 13, 11-14ª  – O apóstolo diz: já é hora de despertar. A salvação está perto. O dia vem chegando. Despojemo-nos das vestes das trevas e vistamos as armas de luz. Afastando-nos de toda ação imoral, revistamo-nos de Cristo. 

Quando nossos olhos se abrem para a vida, podemos enxergar todo o bem que Deus preparou para nós. Ter os olhos fechados ao que temos diante de nós  é cortar a comunicação com a vida. 

Dormir pode ser descansar ou pode ser fechar-nos à vida, aos apelos que nos vem de fora. 

Desperta tu que estás dormindo… é o apelo do apóstolo. 

O cego do evangelho (Mc 10, 46s) que não via o que se passava fora de si, tinha os olhos de seu espírito bem abertos, pois já ouvira falar de Cristo, por isso gritava, chamando por Jesus, para que o curasse.  

Vestir as armas da luz quer dizer, buscar a luz divina, aceitar que esta luz ilumine nossa vida. O dia é sinal de luz e de vida. O sono, a noite com sua escuridão é figura da ignorância, do fechamento em si mesmo e da morte. 

Revestir-nos de Cristo é iluminar-nos por completo, por dentro e por fora. Jesus afirmou: eu sou a luz do mundo, quem me segue não anda nas trevas, na escuridão(Jo 8, 12) mas participa da vida. 

No advento nos preparamos para o Natal. O advento é a saída das trevas do pecado, da ignorância, do desamor para ir ao encontro da Luz que é o Cristo, como veremos no nascimento de Cristo: o céu á noite se iluminou, vieram os anjos da luz e cantavam com a chegada do Salvador.  

O pecado nos conduz para as trevas, a escuridão, para esconder-nos de Deus, como nossos primeiros pais(Gn 3,8). 

O Natal que preparamos é a festa da Luz, como diz S. João: no início era o Verbo(o Filho de Deus). nele estava a vida e a vida era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas, as ilumina(1, 1s) 

Essa luz é também sinal de nossa fé, que desde nosso batismo a acendemos para lembrar-nos que somos filhos da luz!(Lc 16, 8) 

Mateus, 24, 37-44  – A vinda do Filho do Homem será como em tempos de Noé, quando muitos  estavam se entregando à uma vida fácil. Veio o dilúvio e morreram. Assim vai acontecer com a chegada do Filho do Homem: fiquem atentos porque vocês não sabem em que dia virá o Senhor. Estejam preparados.  Na hora em que menos esperem o Filho do Homem virá. 

Nada impede Deus de vir ao nosso encontro, de estar presente em qualquer situação de nossa vida. Tudo está sempre claro diante de seus olhos. Mas a maneira de Deus conduzir nossa vida não é intervir logo diante de alguma falta ou desvio e nem mesmo de socorrer-nos logo que necessitamos. Deus é paciente, sabe esperar a hora própria e melhor. 

Embora possa até então parecer que Ele não esteja vendo ou não perceba. Tudo está muito claro diante de seus olhos. Ele sempre aguarda que ouçamos a voz de nossa consciência ou possamos perceber as consequências de nossos atos. 

Este trecho do evangelho de Mateus dentro do período do advento lembra-nos que este tempo de preparação para o  Natal é de certa forma um tempo de penitência, de proposta de revisão e renovação de nossa vida; 

A pedagogia de nossa religião, como deveria ser também numa família, numa comunidade, é de tempos em tempos ajudar-nos a avaliar nossa caminhada para corrigir os desvios do caminho certo. 

O Natal é lembrança, é comemoração,  e ao mesmo tempo faz-nos reviver o fato que festejamos. Aliás em nossa vida deveria ser sempre assim: quando nos lembramos de fatos passados principalmente daqueles que nos trouxeram alegria e satisfação, não devíamos só estar com saudade do que ocorreu. A comemoração deve ser ao mesmo tempo reviver. 

E os fatos religiosos de nossa fé vão mais além. A lembrança leva-nos a acreditar que tudo está acontecendo de novo. Porque para Deus nada é passado. Principalmente tudo o que Cristo em nossa história fez por nós. 

A salvação está sempre presente pois Deus é sempre presente em nossa vida com tudo o que é e do que dispõe para nosso bem.