Liturgia diária › 01/12/2020

Ano B (Ímpar) – 3ª feira da 1ª Semana do Advento – Evangelho – Lc 10,21-24

Ofício do dia de semana do Tempo do Advento.
Missa própria (no Missal depois do 4º Domingo), com Oração da Coleta da 1ª Semana: Prefácio do Tempo do Advento I.
Leitura do Livro do Profeta Isaías 11,1-10

Naqueles dias:
1Nascerá uma haste do tronco de Jessé
e, a partir da raiz, surgirá o rebento de uma flor;
2sobre ele repousará o espírito do Senhor:
espírito de sabedoria e discernimento,
espírito de conselho e fortaleza,
espírito de ciência e temor de Deus;
3no temor do Senhor encontra ele seu prazer.
Ele não julgará pelas aparências que vê
nem decidirá somente por ouvir dizer;
4mas trará justiça para os humildes
e uma ordem justa para os homens pacíficos;
fustigará a terra com a força da sua palavra
e destruirá o mau com o sopro dos lábios.
5Cingirá a cintura com a correia da justiça
e as costas com a faixa da fidelidade.
6O lobo e o cordeiro viverão juntos
e o leopardo deitar-se-á ao lado do cabrito;
o bezerro e o leão comerão juntos
e até mesmo uma criança poderá tangê-los.
7A vaca e o urso pastarão lado a lado,
enquanto suas crias descansam juntas;
o leão comerá palha como o boi;
8a criança de peito vai brincar
em cima do buraco da cobra venenosa;
e o menino desmamado
não temerá pôr a mão na toca da serpente.
9Não haverá danos nem mortes
por todo o meu santo monte:
a terra estará tão repleta do saber do Senhor
quanto as águas que cobrem o mar.
10Naquele dia, a raiz de Jessé
se erguerá como um sinal entre os povos;
hão de buscá-la as nações, e gloriosa será a sua morada.
Palavra do Senhor.

Salmo – Sl 71 (72), 1-2. 7-8. 12-13. 17 (R.cf 7)

R. Nos seus dias a justiça florirá
e paz em abundância, para sempre.

1Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus,*
vossa justiça ao descendente da realeza!
2Com justiça ele governe o vosso povo,*
com eqüidade ele julgue os vossos pobres. R.

7Nos seus dias a justiça florirá*
e grande paz, até que a lua perca o brilho!
8De mar a mar estenderá o seu domínio,*
e desde o rio até os confins de toda a terra!R.

12Libertará o indigente que suplica,*
e o pobre ao qual ninguém quer ajudar.
13Terá pena do indigente e do infeliz,*
e a vida dos humildes salvará.R.

17Seja bendito o seu nome para sempre!*
E que dure como o sol sua memória!
Todos os povos serão nele abençoados,*
todas as gentes cantarão o seu louvor!R.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 10,21-24

21Naquele momento, Jesus exultou no Espírito Santo e disse:
‘Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra,
porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes,
e as revelaste aos pequeninos.
Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado.
22Tudo me foi entregue pelo meu Pai.
Ninguém conhece quem é o Filho, a não ser o Pai;
e ninguém conhece quem é o Pai, a não ser o Filho
e aquele a quem o Filho o quiser revelar.’
23Jesus voltou-se para os discípulos
e disse-lhes em particular:
‘Felizes os olhos que vêem o que vós vedes!
24Pois eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver
o que estais vendo, e não puderam ver;
quiseram ouvir o que estais ouvindo,
e não puderam ouvir.’
Palavra da Salvação.

Comentário: Monsenhor Paulo Daher

Em Isaías, 11,1-10, o profeta afirma: “um ramo há de brotar do tronco de Jessé, Sobre ele repousará o espírito do Senhor: de sabedoria e de inteligência, de conselho, de fortaleza, de conhecimento e de temor do Senhor. Não vai julgar pela aparência. Sua palavra será clara e direta em relação a tudo e a todos. Os animais selvagens se juntarão aos mansos. Porque a sabedoria do Senhor haverá de reger toda a terra.”
É o anúncio da vinda do Salvador: um broto, um filho da família de Jessé. Seu perfil é movido pelo Espírito do amor: sabedoria: capacidade de entender coisas e pessoas e saber escolher; inteligência: enxerga e acolhe a verdade de coisas e pessoas e as avalia; conselho: conhece a direção que indica o melhor caminho; fortaleza: sabe o que quer e decide sem esmorecer; conhecimento: vê claro todas as coisas e percebe por dentro e por fora as pessoas e fatos; temor de Deus: sempre iluminado pelo Senhor a quem se coloca à disposição.
O mundo em volta do Salvador que virá vai de novo voltar a sentir a paz, pelo equilíbrio pessoal, na sinceridade de seu relacionamento com a vida: pessoas e fatos, toda a natureza, de modo especial os animais todos se entenderão e saberão conviver sem disputas nem agressões.
O ser humano é o termômetro de toda a criação. Se ele encaminha tudo pelo equilíbrio de seus sentimentos, desejos e projetos, tudo em torno é envolto no mesmo clima de paz e tranquilidade.
Em Lucas, 10,21-24, Jesus inspirado pelo Espírito Santo disse: Eu Te agradeço, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos.. Porque assim te agradou. Tudo me foi dado pelo Pai. Ninguém sabe quem é o Filho a não ser o Pai e ninguém sabe quem é o Pai a não ser o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelar.
Nós por cultura, modo de viver e pensar, valorizamos mais aquilo que nos chama à atenção. Há pessoas que falam numa linguagem muito elevada e chamam à atenção por sua sabedoria. E às vezes perguntamos a quem elogia tanto, sobre o que ele entendeu do que foi apresentado. Nem sempre as pessoas conseguem dizer o que foi que entenderam. Mas gostaram e elogiam, principalmente pela forma oratória (como muitos políticos!) com se expressaram.
E há outras pessoas que sabem o que apresentam e o fazem de maneira simples, direta, inteligível. Esses não chamam muito à atenção dos que vivem procurando falas pomposas.
Jesus neste texto elogia os que com tão pouco do que conhecem aproveitam muito por sua fé e aceitação de suas palavras. As muitas palavras podem dizer bastante. Mas também poucas palavras pode estar cheias de sentido pela maneira com que a pessoa se expressa.
Um poeta ou um grande escritor podem apresentar um discurso eloquente à sua pessoa amada. Mas nenhum deles falará em profundidade como uma criança, que com sua inocência e simplicidade diz a seu pai ou à sua mãe: Pai, mãe, como eu te amo!
Era isso que Jesus sentia quando as crianças, os pobres, humildes e pessoas sinceras vinham a ele e o abraçavam com carinho, às vezes sem nada dizerem. Basta o calor amigo e grato.