Lectio Divina, Notícias › 03/03/2018

Lectio Divina – Ano B: Sábado da 2ª Semana da Quaresma

Em Miqueias 7, 14-15. 18-20, o profeta lembra que o povo foi sempre cuidado muito bem pelo Senhor. Que Deus faz tanto bem como o que o Senhor fez com seu povo. Sabe perdoar, porque prefere  amor. Tem misericórdia e é fiel como foi aos nossos pais.

Esse tempo da quaresma na leitura dos profetas, ao ser apresentado a vida religiosa do povo judeu antes de Cristo, e como Deus o ia seguindo de perto como Pai e Amigo, vemos o mesmo apelo da Igreja a Jesus para que confiemos muito em sua misericórdia.

Se somos solicitados para revisão de nossas vidas não é para reconhecermos que somos pecadores e não muito fieis a Deus que nos procura para ajudar-nos. É mais para que não tenhamos medo de nos apresentar com humildade diante de Deus, reconhecendo nossos erros, mas pedindo perdão, queremos de novo ser recebido na casa do Pai, como decidiu o filho pródigo ao voltar para casa depois de uma vida fácil sem família, sem Deus.(Lc 15,18s)

A misericórdia de Deus é a porta de seu coração aberta para receber-nos, mas não para entrar e viver a mesma vida egoísta pensando só em nós. No coração de Deus Ele me entrega os instrumentos para que eu trabalhe no que é certo e melhor para mim: oração, como tempo de estar com Ele, ouvindo a Palavra de Deus, amor sincero aos irmãos, participação na vida da comunidade. Alegria de sentir que tenho um Pai muito amigo e amoroso.

Perdemos tempo sem conhecer bem a Jesus. Maria, irmã de Marta, embora soubesse de tanta coisa boa acontecendo com Jesus, sua palavra, seus milagres, sua bondade acolhedora para todas as pessoas, quis tê-lo em sua casa, com calma para ouvir de seus próprios lábios quem Ele era e poder confiar mais ainda em seu amor e em seu projeto de vida. (Lc 10,38s)

Jesus um dia comentou que a rainha Sabá, veio de longe para ouvir a sabedoria do rei Salomão. E Jesus disse: aqui está quem é mais que o rei Salomão.(Lc 11,31)

Há pessoas que buscam um pouco de paz e equilíbrio emocional ficando alguns dias num Spa completamente longe das preocupações comuns.  E obtém um resultado satisfatório.

Se conhecêssemos um pouco mais quem é Jesus, muita coisa mudaria em nossa vida para melhor. Podemos viver um Spa espiritual que com a presença de Cristo transformará toda a nossa vida.

            Em Lucas 15, 1-3.11-32,  Jesus conta a parábola. Um pai tinha dois filhos. O mais novo pediu sua herança e foi viver longe nos prazeres. Quando acabou o dinheiro ficou na miséria e com fome. Resolve voltar e pedir perdão. O pai o viu chegar de longe. Correu ao seu encontro, abraçou-o e o cobriu de beijos. E fez uma festa pela volta. O outro irmão chegou e reclamou com o pai por tratar assim o filho ingrato. O pai lhe disse que era preciso, pois estava perdido e foi achado.

Esta parábola é  muito preciosa em lições para nós. Reflete a vida de muitas famílias. Todos a conhecemos, porque muitas vezes ouvimos sua leitura e explicação. Mas tentemos aprender mais.

A vida em família no pensamento de Deus é tempo de conhecimento maior entre as pessoas, de alegria por viver entre gente que se ama, de respeito pelo crescimento e desenvolvimento de nossa personalidade.

Mas onde várias pessoas estão juntas, as diferenças de qualidades entre elas, tanto podem uni-las mais como ser causa de desentendimento.

Conforme os filhos vão crescendo aparecem situações que pedem compreensão, esforço pela ajuda de todos por uma união que realize a paz.

Cada um herda qualidades e “falhas” e às vezes mesmo numa vida muito unida, com colaboração sincera pelo bem de todos, sempre surge algo que vai trazer problemas. Hoje  é muito comum pelo tipo de vida que temos.

Foi o caso do filho mais novo que certamente influenciado por outros amigos decidiu pedir sua parte na herança antes mesmo da morte de seus pais. E apesar dos conselhos para não fazer isso, conseguiu os bens.

Enlouquecido com isso, e sendo acompanhado de tantos amigos foi gastando tudo em orgias. Sem trabalhar, um dia acabou-se o dinheiro.

Quando a razão e o bom senso não funcionam só a realidade da vida é que vai convencer. Pobre, sem amigos, com fome, foi cuidar do que era mais desprezível para um judeu: cuidar de porcos. E pior, nem a lavagem dos porcos podia comer. Sem dinheiro, sem prazeres, sem amigos, com fome, longe de sua tão abençoada família, aí pode refletir o que havia deixado para trás: a verdadeira riqueza de sua vida: sua família, seu pai amoroso. E voltou. Voltou, arrependido, mas não para exigir nada mais que ser um último empregado de sua família

Podemos não acreditar que levar um soco, receber chibatada, ser infectado com vírus mortal seja muito doloroso, até que aconteça conosco.

As fantasias de nossos sonhos doidos fecham as cortinas da verdade e do bom senso. É maravilhoso ser feliz num conto de fadas.Até que aconte-ça conosco a desgraça que verificamos na história de nossa própria vida.

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.