Lectio Divina, Notícias › 04/03/2018

Lectio Divina – Ano B: 3º Domingo da Quaresma

No livro do Êxodo 20, 1-17, Deus se apresenta  como o Senhor que livrou o povo da escravidão do Egito. E dita as leis que devem ser obedecidas. Respeito pelo nome do Senhor e pelo dia a Ele consagrado. E repete os mandamentos: honrar seus pais, a vida, a verdade e não cobiçar nada dos outros.

Deus sempre realiza uma ação salvadora completa. Sabia que não bastaria tirar seu povo da escravidão no Egito. Eles os fez se purificar de tantos costumes vividos num país sem fé no Deus verdadeiro. A saída do Egito até chegar à Terra Prometida levou quarenta anos.

Muitos problemas, muito sofrimento tiveram lugar nessa volta. Moisés escolhido por Deus, teve a paciência de conduzir este povo muitas vezes inquieto e querendo soluções imediatas para os problemas.

Por isso de novo o que eram propostas para viver como um povo temente a Deus que o Senhor havia dado antes, agora estabelece de novo como leis religiosas, mandamentos que mantenham o povo com uma fé firme em Deus procurando ter uma vida na sinceridade e na verdade.

É lição de vida, todos sabemos, mesmo que conselhos sejam bons, na educação sempre devem ser propostas regras e atitudes que ajudem a cumprir o que mantem a honestidade de vida e uma fé esclarecida.

Tudo isso já está gravado em nossa mente e coração. Mas temos uma tendência de colocar na frente o que no momento mais nos agrada mesmo que não seja o mais certo.

Na maneira de conduzir-nos, Deus em sua sabedoria e bondade não se limita a dar ordens. Ele está sempre a nosso lado e dentro de nós iluminando nossa mente e fortalecendo nossos coração para seguirmos o que de fato nos ajuda a viver bem.

Na 1ª. carta aos Coríntios 1, 22-25, o apóstolo fala que diferente de outros povos ele anuncia a Cristo crucificado, poder e sabedoria de Deus. Deus é mais sábio e mais forte que as pessoas.

Não saberia explicar melhor o que os povos que cultuavam muitos deuses, queriam desses mesmos seres espirituais e poderosos.

            O que mais sobressai é que eles ao se relacionarem com os deuses pedem o que precisam. Às vezes apresentando oferendas para obter o que desejam. Parece que o pensamento principal não era o reconhecimento do poder dos deuses e de sua posição de donos do mundo e da vida as pessoas.

A fé no Deus vivo e verdadeiro começa reconhecendo Deus como o Senhor de todo este universo e de todos os seres humanos. E que merece e pede que nos relacionemos com Ele como um Pai e Amigo.

Assim o primeiro gesto nosso é reconhecer quem Deus de fato é, para acolhe-lo em nossa vida. E a quem manifestamos como resposta ao seu amor por nós, que também nós o amemos como filhos queridos.

Às vezes há cristãos para quem a religião parece mais um lugar de segurança, onde estão protegidos de todo o mal. Fica parecendo mais uma fé egoísta. Quero ter fé porque é bom para mim. Tenho um Deus que me protege. Enquanto tudo vai bem, não se preocupa. Se aparece alguma contrariedade ou sofrimento, se espanta e quase pergunta: meu Deus onde estás que não me proteges?

Na prática gosto da amizade de tal pessoa, porque ela é boa para mim, me dá tudo o que preciso, está sempre ao meu lado para o que der e vier.  Quem gostaria de ter um amigo assim?

Não devo “gostar“ de alguém só porque me dou bem. Nem devo querer Deus em minha vida porque eu vou ser muito protegido. É puro egoísmo, pois fico querendo um deus para mim.

Por isso S. Paulo que vem apresentando Cristo e diz o crucificado.

Se somos egoístas em nosso relacionamento com Deus, o que é que pode fazer por mim um crucificado rejeitado?

            Em João 2, 13-25, Jesus vai ao templo e vê muito comércio lá, expulsa a todos, pois profanavam a casa do Senhor. Os judeus reclamaram desta atitude.  Jesus fala que se destruírem o templo Ele o reconstruiria em três dias. Ficaram espantados, pois precisaram 40 anos para isso. Mas Jesus falava de sua morte e ressurreição. Muitos acreditaram em Jesus. E Ele conhecia a todos e sabia quem era sincero.

Tempos atrás nossa casa, a reunião em família, era um ambiente gostoso de se estar. Aí vinham todos os assuntos. Conversávamos mais uns com os outros. Voltar para a nossa casa já era uma satisfação depois de um dia de trabalho e se podiam curtir momentos melhores com todos juntos.

Hoje até nossa casa tornou-se um lugar público ou já não há sossego. Há sim, porque as pessoas não conversam a não ser com a televisão, com o celular. Todos em casa mas viajando pelo internet.

Assim a Igreja seria o único refúgio de silêncio e de calma para nos concentrar e estar mais com Deus. Mas por não nos encontrar mais fora, até a Igreja às vezes está sendo um lugar onde as pessoas se veem e querem conversar. O que o fazem antes e depois da missa. Isso ainda se as músicas dos cantos ajudarem, o que nem sempre acontece…

O silêncio começa lá dentro de nossa cabeça e de nosso coração.

Precisamos do silêncio. Havia um provérbio antigo que dizia: a palavra é de prata. O silêncio é de outro.

Sem o silêncio é difícil concentração e atenção. Até com nossa saúde do corpo, o silêncio, a pausa, o repouso, o sono diminuem o ritmo da atividade física para refazer nossas forças, para acalmar o ritmo de nosso sistema nervoso.

Pessoas que tiveram experiência extra corporal em estado de quase morte atestam que nestes momentos em que sentiram a comunicação com Deus nos atestam que foi sem palavras, numa forma diferente de nossa comum comunicação na vida terrena.

O apostolo Paulo afirma ter tido esta mesma experiência e sensação quando foi arrebatado aos céus (2Cor 12,2s)

É possível se pudermos escolher tempo, hora e lugar nos concentrarmos para silenciar nosso interior e dispor-nos a ouvir Deus. Esta experiência faz um bem imenso a todo o nosso ser a partir de nosso exterior até o íntimo de nós mesmos. A começar por nosso próprio ser e o melhor é poder sentir a presença de Deus que se comunica conosco como quer.

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.