Lectio Divina, Notícias › 21/02/2018

Lectio Divina – 4ªfeira da 1ª Semana da Quaresma

No livro de Jonas 3, 1-10, o profeta Jonas de novo foi enviado a Nínive. Dirigiu ao povo o recado de Deus sobre os pecados dos habitantes, ameaçando de castigo. Desde o rei até o último habitante e inclusive os animais todos fizeram penitência de seus pecados. E Deus compadecido os perdoou.

O livro de Jonas revela a personalidade deste servo de Deus. Devendo ir à cidade perdida de Nínive, teve medo da reação dos habitantes e foge de navio para outro lugar. Uma tempestade quase afunda o barco. Ele se sente culpado, por isso, jogam-no ao mar. Um peixe o engole e o vomita na praia. Aí é que ai para Nínive.

Faz a pregação mais para avisar que a cidade vai ser destruída, do que solicita sua conversão. O povo todo se arrepende e Deus perdoa a todos. Jonas fica aborrecido com isso!? Seguem vários fatos que mostram seu caráter irascível.

Fico pensando em alguns pais de antigamente que castigavam seus filhos mais pela raiva de terem feito algo errado do que para dar chance de correção.

Pode acontecer ainda hoje numa comunidade em que alguns dirigentes de grupos sentem mais prazer em “castigar” os que erram do que em acompanhar mais de perto para que não cometam de novo o mesmo erro.

Um empresário descobriu uma desonestidade em dinheiro num empregado, até seu compadre. Ficou triste. Mas conversou com ele e deu nova chance, para aos poucos compensar o que havia fraudado e continuar no mesmo trabalho. Se falhasse de novo seria mandado embora com processo. A correção valeu. Nunca mais caiu no mesmo erro.

Não podemos duvidar da misericórdia do Senhor. Embora a Bíblia no tempo antes de Cristo fala muito em castigo de Deus para quem erra. Na verdade o que sempre acontece depois é a misericórdia de Deus que aceita o arrependimento.

Se não fora assim, Jesus não teria “inventado” o sacramento da penitência. Ele o fez sempre esperando a volta de nós, filhos pródigos…

O próprio Cristo deu mostra de que para Deus a misericórdia é a que sempre conduz sua ação para com os que erram. Pedro negou conhecer Jesus, os outros apóstolos fugiram quando Ele foi preso… A quem Ele aparece após sua ressurreição? A estes mesmos apóstolos e ainda mantém a promessa de escolher Pedro para chefe de sua Igreja…

Em Lucas 11, 29-32, Jesus lamenta que a gente do tempo dele pede um  sinal, e aí lembra o de Jonas em Nínive, e o exemplo da rainha de Sabá que veio ouvir a sabedoria de Salomão. E conclui: “Aqui está quem é mais que Jonas e Salomão.”

Que sinal seria o que principalmente os fariseus exigiam de Cristo? Os

milagres de Cristo não eram suficientes?

Parece que na mente deles o Messias esperado deveria ser o Libertador do povo do domínio dos romanos. O sinal seria os judeus voltarem a ser o povo escolhido, independente e livre para realizar o que o Senhor havia determinada serem no meio dos outros povos.

Então se Jesus era mesmo o Salvador esperado devia realizar a libertação do povo do jugo estrangeiro.

Para Jesus a libertação era outra: a do pecado, a da renovação de suas vidas religiosas conforme Moisés tinha recebido de Deus.

E os chefes religiosos só liam nas profecias o triunfo do Salvador sobre poderes que dominavam o povo. Não liam nem aceitavam as profecias que falavam também  de seus sofrimentos.

A sabedoria maior do que a do rei Salomão o povo sentia. Quantas vezes diziam: ninguém falou como fala Jesus. Todos os que vinham ter com Jesus saíam satisfeitos, seja com a cura de suas doenças, seja com sentir o amor dele para com todas as pessoas. Nenhum rei nenhuma rainha veio ter com Jesus para admira-lo. Mas quantos desprezados da sociedade eram acolhidos com muito amor por Jesus. Até as crianças que nem tinham vez na sociedade judaica, eram recebidas com amor e carinho.

Não nos admiremos da frieza dos fariseus. Olhemos para nós mesmos. Os sinais do progresso de nosso tempo às vezes falam mais alto que nossa busca de Jesus. Acolhemos muitos deuses em nossa vida. Nem sempre Jesus tem lugar de honra em nossas alegrias e festas ou mesmo na vida de nossas famílias.Até em nossas doenças o recurso a Deus leva tempo para pedirmos.

Deus procura por nós e como no paraíso (Gênesis) nos escondemos. Porque? Sentimo-nos nus, sem a veste de seu amor que Ele nos deu…

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.