Lectio Divina, Notícias › 27/02/2018

Lectio Divina – Ano B: 3ªfeira da 2ª Semana da Quaresma

Em Isaías 1, 10. 16-20, o profeta chama a atenção do povo. Que se lavem do mal, aprendam a fazer o bem. Mesmo que os pecados sejam como púrpura, vão se tornar brancos como a neve. Se obedecerem terão alimento da terra. Se não, serão devorados.

Neste tempo de preparação para a Páscoa, nossa Igreja nos convida a uma mudança de vida, a melhorar nossos pensamentos, sentimentos, palavras e gestos para com todas as pessoas.

E o trabalho não é fácil. Não estaremos começando uma obra. É que já durante o ano vamos acumulando muita coisa inútil em nossa mente e coração. Em relação a nós mesmos e aos outros, a começar de nossa família.

Como o ouro e a prata misturadas com terra e barro (ganga) precisam pelo fogo se purificar, para mostrar seu valor, assim nossas vidas precisam pelo fogo da penitência, da oração, da leitura da Palavra de Deus purificar todos os nossos pensamentos, desejos e relacionamentos.

O profeta como bom judeu traz o exemplo da púrpura (vermelha) que ficará alva como a neve. A limpeza tem de ser total mesmo. Ainda há congregações religiosas que passam a quaresma num jejum rigoroso, quase a pão e água. Passam fome, mas aguentam. Tudo por amor a Deus para que nos fortaleça diante de tantas solicitações atraentes mas inúteis.

Não nos admiremos… Desculpem, mas eu chego a quase passar mal vendo crianças já volumosas que “devoram” um pratão de comida ou muitos doces.O que à primeira vista possa parecer alimentar-se, acaba prejudicando a própria saúde. A moderação na comida e na bebida equilibram a saúde. Assim a religião não pede sacrifícios, mas domínio sobre nossos desejos para vivermos melhor. A estatística comprova o mal nesta área.

A religião sempre orientou as pessoas sobre a maneira de viver que não eram manifestações só religiosas mas são também normas de bem viver.

A fé é manifestação humana que também equilibra todas as nossas qualidades. Pois tudo em nós seres humanos está intimamente unido em a natureza espiritual e física. O que alimenta o corpo prepara o acolhimento de nossas manifestações espirituais.

Na medida que nosso espírito tem domínio sobre a sensibilidade em suas necessidades, consegue orientar o físico e o mental que equilibra todo o nosso ser. Torna-se mais fácil e natural nossa comunicação com Deus. E somos capazes de perceber o valor das pessoas com quem convivemos.

Em Mateus 23, 1-12, Jesus pede que obedeçam aos mestres da lei, mas não imitem suas ações. Impõem fardos pesados aos outros e eles nada carregam. Mostram-se diante dos outros só externamente com símbolos que são religiosos.Gostam de serem chamados de mestre.Vocês não, pois só tem um único Mestre. Vocês todos são irmãos. O maior entre vocês seja o que serve. Quem se exaltar será humilhado. Quem se humilhar será exaltado.

Começamos desde a infância a sermos incentivados a aprender aos poucos o que podemos fazer. Vamos despertando com os movimentos de nosso corpo. Sua elasticidade, sua força, seu domínio.  Aos poucos conquistamos nossa liberdade e nossa independência física.

Juntamente com todo o desenvolvimento corporal desabrochamos nossas qualidades espirituais que vão se manifestando mais pelas palavras.

Quando então desenvolvemos tudo o que somos e temos no meio de outras pessoas, logo aparece nossa vontade de competição, por nós mesmos ou por incentivo de nossa família ou sociedade.

Crescendo em conhecimento e liderança, nos exaltamos no meio dos outros e aí crescem as diferenças sociais e até religiosas.

Podemos até conduzir nossa vida com honestidade e sinceridade mas como aconteceu com estes fariseus sobre quem Jesus comenta, queremos aparecer mais do que ser. Nossa religião se reduz aos gestos externos. Ficamos vazios por dentro. Ou melhor nosso orgulho, arrogância, e prepotência precisam estar no palco da vida, da religião, quase tomando o lugar de Deus.  Mas quem seremos se não tivermos plateia para nos aprovar, pois nos distanciamos tanto da “plebe”, que ficamos sem aplausos por falta de gente.

Mais uma vez Jesus pede que nos reconheçamos como irmãos uns dos outros, pois só temos um Pai e somos todos da mesma família!

A Campanha da Fraternidade neste ano 2018 pede atenção a buscar este reconhecimento na convivência com todas as pessoas: somos todos irmãos. Cada um pense mais no outro. Procure ver como ser para as pessoas causa de alegria, de paz, de satisfação.

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