Lectio Divina, Notícias › 26/02/2018

Lectio Divina – Ano B: 2ªfeira da 2ª Semana da Quaresma

No livro de Daniel 9, 4-10, o profeta suplica a misericórdia do Senhor para que perdoe nossos pecados, nossas infidelidades, pois não ouvimos a voz do Senhor indicando-nos o caminho de suas leis.

Na vida religiosa de qualquer pessoa, mesmo da que não participa da fé em Deus, o Senhor sempre acompanha os passos de todos.

Como os pais em relação a seus filhos, mesmo os mais desligados, a lembrança dos filhos, jamais abandona seus pensamentos e sentimentos, mesmo naqueles  pais que decepcionados pela ingratidão do filho, deixa-os à sua sorte, já que abandonaram sua família.

Pensemos em todas as pessoas do mundo inteiro e de qualquer país. Pessoas até que nunca ouviram falar em Deus. O Senhor como Pai jamais esquece de seus filhos, pois todos somos seus filhos.

Então como é o olhar de Deus para quem recebeu tanto da vida e às vezes até zomba de Deus e nem se lembra nem quer saber nada sobre Deus.

Você pode se espantar deste tipo de reflexão que estou fazendo.

Lembra: Jesus disse que Deus manda o sol e a chuva sobre bons e maus?(Mt 5,45). A terra não se nega a dar frutos para alimentar quem não quer saber de Deus. O corpo humano de qualquer pessoa para sua saúde tem direito a buscar o que precisa desta terra ou de remédios.

Então cada um de nós, com nossos pecados e infidelidades, desagradamos ao Senhor, nosso Pai, que nos ama muito e sempre.

Nós afirmamos que Deus é perfeito e nenhum mal o atinge. Só compreendemos um pouco, na figura de Jesus Deus e Homem, no jardim das Oliveiras, quando orava ao Pai pensando em nossos pecados, sua dor foi tão grande que chegou a suar sangue. É reação mortal de uma dor insuportável.     E desabafou ao ir se consolar com os apóstolos: vocês não puderam vigiar comigo nem um pouco?(Mt 26,40)

E o profeta chama-nos à atenção para a grande misericórdia de Deus, sempre disposto a nos acolher e perdoar. Mas espera uma decisão de nossa vontade. Não basta só pedir perdão e confiar na misericórdia do Senhor. Precisamos levar a sério a mudança de vida. Se não pela bondade de Deus, ao menos pensando em manter nossa palavra e sinceridade ao afirmar que o amamos e o queremos amar sempre.

            Em Lucas 6, 36-38, Jesus pede que sejamos misericordiosos como o Pai celeste. Não julguemos ninguém. Recebemos muito, por isso também com a mesma medida com que medirmos os outros, nós também seremos medidos.

É o apelo que ouvimos muitas vezes durante a quaresma, tempo de renovação de nossa vida. Quaresma: tempo de misericórdia de Deus para conosco  e de nós para com todos.

Assim como por uma espécie de egoísmo pessoal inato em cada um de nós, que faz-nos pensar mais em nós mesmos, cuidar de nossos interesses, sempre ouvimos da Palavra de Deus, que amemos os outros como nós nos amamos. É o que nos diz o próprio mandamento do amor: amar o próximo como amamos a nós mesmos.

Assim a medida do tratamento que devemos dar aos outros é o mesmo que queremos que usem para conosco.

Com sabedoria Jesus colocou na oração que compôs para que a fizéssemos cada dia, o Pai nosso: toda ela insiste na união do que somos e queremos que seja sempre por nós. Assim começa: Pai nosso, venha a nós o vosso reino… O pão nosso nos dai perdoai nossas ofensas assim como nós perdoamos... E não nos deixeis cair em tentação. Mas livrai-nos do mal.

É que Jesus é o Filho de Deus e Ele com o Pai e o Espírito Santo são um só Deus. Unidade na Trindade.

E a palavra que especifica com muita propriedade o amor às pessoas é a misericórdia.  Palavra muito rica de significado e característica do verdadeiro amor.

Misericórdia, coração sensível, compassível, atento a tudo e a todos e de modo especial a quem pede, merece e precisa de um olhar amoroso, sincero, amigo, à disposição.

Talvez o termômetro da misericórdia seja a criança. Ela é capaz ainda pequena e sem ainda falar, de sentir que a pessoa lhe quer bem, mesmo sem ainda falar. Há uma empatia fantástica da criança para com quem de fato é pessoa aberta, amiga, acolhedora, feliz.

E não custa nada.  Tem de vir lá de dentro, do íntimo do coração, como sentimento natural, espontâneo.

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