PLANO PASTORAL DE CONJUNTO DIOCESE DE PETRÓPOLIS

Dom Filippo Santoro
Introdução

Chegando como quarto Bispo Diocesano de Petrópolis, por Graça de Deus e nomeação do Santo Padre João Paulo II, percebi logo o desejo de muitos, sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos de uma Pastoral de Conjunto para melhor ser, como Igreja Católica, sinal da presença de Cristo ressuscitado e anúncio do Seu evangelho a toda a nossa sociedade.

No dia de minha posse na Catedral de Petrópolis manifestei o desejo de levar adiante a imensa obra de evangelização iniciada pelos meus venerandos antecessores e, seguindo o impulso dado a toda a Igreja Católica por meio da Carta Apostólica Novo Millennio Ineunte, avançar para as águas mais profundas da santidade, da comunhão e da missão. “Duc in Altum”. Deste convite nasce o propósito de lançar em toda a Diocese a elaboração de um Plano Pastoral e uma série de iniciativas missionárias que atinjam com o anúncio da presença de Cristo a nossa comunidade diocesana e todo o nosso povo.

 

O motivo inspirador é constituído pelo convite do Santo Padre e pelo Projeto Nacional de Evangelização da CNBB “Queremos Ver Jesus. Caminho, Verdade e Vida”. O lema que nos acompanha é dado pelo mistério da encarnação “Verbum Caro Factum”, O Verbo Feito Carne no Seu Natal, na Eucaristia, no seu corpo que é a Igreja.

O objetivo do Plano Pastoral que orienta todo o nosso caminho é: “Acolher e Comunicar a Presença de Cristo que Muda a Vida”. Seguiremos o caminho indicado pelo Papa que nos propõe a Santidade como “o horizonte para o qual deve tender todo caminho pastoral” (NMI 30) e a Missão ao mundo como a razão de existir da Igreja.

Dentro deste Plano é de suma importância a Missão Popular. Não se deve esquecer que a Igreja, por sua natureza, é missionária. Anunciar, com novo ardor, novos métodos, nova expressão e assistidos pelo Espírito Santo que conduz a Igreja, devemos enfrentar este desafio contando com a colaboração de todos.

 

O Plano Pastoral de Conjunto como pastoral planejada “é a resposta específica, consciente e intencional às exigências da evangelização. Deverá realizar-se num processo de participação em todos os níveis das comunidades e pessoas interessadas” (Puebla 1307).

Isto acontece porque a vida do Senhor chega a nós por meio do Seu corpo que é a Igreja. Na nossa comunidade, unida em comunhão com o Bispo e o Papa, a salvação do Senhor Jesus nos alcança hoje. Ele começou a vida pública constituindo o grupo dos discípulos e toda a sua ação salvífica se comunicava por meio de uma experiência comunitária. E, para nós, não pode ser diferente. O Plano Pastoral não é uma estratégia para melhorar o nosso marketing, mas corresponde às exigências da fé católica pela qual o divino se experimenta na comunhão humana e na unidade. Por isso todo individualismo, todo isolacionismo é prejudicial para a vivência da fé e para a ação evangelizadora.

Nosso Plano de Pastoral há de ser participativo e comunitário, um plano de pastoral capaz de reunir metas que atinjam todos os organismos da Diocese. Desde o seu início, é uma ação conjunta.

A palavra de Deus nos ensina que é por Jesus Cristo “que todo corpo, coordenado e unido por conexões que estão ao seu dispor, trabalhando cada um conforme a atividade que lhe é própria, efetua este crescimento, visando a sua plena edificação na caridade” (Ef 4,16).

O motor de toda esta ação é a assistência do Espírito Santo, que nos é garantido pelo próprio Mestre (cf. Jo 14,15-18; Mt 28,20), que sempre estará conosco quando estivermos unidos: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles!” (Lc 18,20).

 

Envolvendo todas as forças vivas da Igreja na Diocese de Petrópolis, apoiar-nos-emos amplamente no voluntariado pastoral, que é uma das nossas maiores riquezas. Esforçar-nos-emos por desenvolver a ministerialidade da Igreja, buscando tanto aproveitar o que já existe quanto perceber os novos desafios e a eles responder com firmeza e fidelidade ao Senhor.

Como objetivo específico, precisamos criar condições para que a Pessoa e a mensagem de Cristo sejam conhecidas de modo mais profundo e relevante por cada um dos fiéis em nossa Diocese. Para isso devem ser valorizados os organismos previstos pelo Direito Canônico, tais como, o Conselho Presbiteral e a formação de um novo Conselho Pastoral seja a nível diocesano, como em cada paróquia.

Um instrumento precioso será a promoção de consultas nas paróquias, nos movimentos, nas comunidades, e depois nos Decanatos e, a partir de dados concretos que nos mostrem a realidade de todos os setores da Diocese, realizar de uma Assembléia Diocesana.

Com base na Doutrina Social da Igreja, haveremos de manifestar a Igreja como força transformadora da sociedade, que tanto precisa de novos valores, novos princípios e nova ética, a Ética do Evangelho.

Com sinceridade de coração, o estilo da nossa ação será de comunicar uma contagiante alegria (cf. Ne 8,10; Lc 10,17-20) e uma espontaneidade evangélica por termos sido convidados, pelo próprio Senhor, a trabalhar pela irradiação e consolidação do Reino de Deus: “Ide também vós para a minha vinha” (Mt 20,4.7).

“O horizonte para o qual tende todo caminho pastoral é a santidade” (João Paulo II, Novo Millennio Ineunte, 30; 1Pd 1,15).

 

Quem nos ajuda a ingressar neste Plano de Pastoral de Conjunto é o Papa João Paulo II, quando, na sua carta apostólica “Fica Conosco Senhor” sobre a Eucaristia, nos recorda que “O Ano da Eucaristia seja para todos ocasião preciosa para uma renovada consciência do tesouro incomparável que Cristo entregou à sua Igreja. Seja estímulo para sua celebração mais viva e sentida, da qual brote uma existência cristã transformada pelo amor” (MND 29)”.

E nesta ocasião, junto com uma renovada consciência da centralidade da Eucaristia na vida da nossa Igreja queremos mediante a Missão Popular mostrar o “Rosto de Cristo” aos irmãos e irmãs dos nossos municípios por meio da visita às casas e aos ambientes onde as pessoas vivem. Sempre o Santo Padre nos lembrava no início deste novo milênio: “Os homens de nosso tempo… pedem aos crentes de hoje, que somos nós, que lhes falem de Cristo, mas também que, de certa forma, lho façam ver… Não é porventura missão de a Igreja refletir a luz de Cristo em cada época da história e, por conseguinte, fazer resplandecer Seu rosto também diante das gerações atuais? (NMI, 16)”.

Os momentos na elaboração do Plano de Pastoral

Seguiremos estes momentos na elaboração deste Plano de Pastoral:

Realização de encontros sobre o Plano em cada Pastoral, Movimento, Comunidade etc…

Assembléia geral da Paróquia ou do Movimento ou da Comunidade inter-paroquial.

Assembléia de todo o Decanato.

Realização de uma primeira etapa da nossa Missão Popular.

No mês de novembro, estaremos realizando a Assembléia Diocesana, mas antes é indispensável envolver todas as forças vivas presentes nas paróquias e na Diocese.

Oportunamente, alguns instrumentos de trabalho serão apresentados. Importa, desde já, perceber que é preciso, na primeira etapa, identificar:

tanto as riquezas.

quanto às fragilidades de nossa vida pastoral.

Precisaremos discernir os desafios,

buscando, à luz da fé, caminhos de superação.

Depois de ter visto como somos sinais da Presença de Cristo na sociedade discerniremos, à luz da fé, quais serão as prioridades e os objetivos para toda a Diocese de Petrópolis e seremos convidados a rever especificamente as diversas atividades evangelizadoras. Cada grupo, seja pastoral, movimento, nova comunidade ou qualquer outro tipo de associação sinta-se, porém, desde já convocado para uma ampla revisão de suas atividades.

 

Envolver todo o trabalho da CATEQUESE em seus vários níveis

Dinamizar a PASTORAL LITURGICA:

– das Missas comuns, comemorativas, especiais, do Ciclo temporal e Santoral, de adultos, jovens, e crianças. Ênfase especial na celebração da Eucaristia no Dia do Senhor.

– da Pastoral Sacramental: Rito Penitencial e Confissão, Primeira Eucaristia, Casamentos, Batismo, Unção dos Enfermos…

FAMILIAS – Pais para seus filhos, esposos entre si, filhos para com seus pais, irmãos entre si, famílias entre si – Pastoral Familiar e Conjugal.

UNIVERSIDADE CATÓLICA, COLÉGIOS – católicos ou públicos, junto aos professores, em contato com os pais dos alunos, com os alunos e junto aos Diretores e Coordenadores.

AS COMUNIDADES – que vêm à Matriz, nas comunidades dos bairros, nos Grupos Atuantes: Casais, Cursilhistas, Carismáticos, Movimentos de Leigos em geral, Jovens, Crianças, Idosos, Doentes, Meninos de Rua.

AÇAO SOCIAL da Paróquia com Católicos, com pobres indistintamente, com os ricos e com a colaboração destes.

FORMAÇÄO DE LIDERES para atuar em vários setores da Sociedade: junto aos governantes ou legisladores, nas Associações de bairro, Cooperativas, nos Sindicatos (operários, patrões, classes de trabalho), nos Partidos Políticos, nos Meios da Comunicação Social Escrita e Falada.

Unidos ao Bispo e ao seu Presbitério buscaremos trabalhar numa Pastoral de Conjunto. Isto requer um planejamento orgânico, objetivo e progressivo.