divina_misericordiaA Festa da Misericórdia, celebrada no segundo domingo de Páscoa, é um dos elementos mais importantes da devoção à Divina Misericórdia presentes nas revelações de Nosso Senhor à Santa Faustina. No Diário o tema recorre em 37 números, em 16 dos quais nos deparamos com uma manifestação extraordinária de Jesus a seu respeito. Com efeito, aos 22/02/1931, uma das primeiras revelações de Jesus à Santa Faustina diz respeito à Festa da Misericórdia, que deveria ser celebrada no 2º domingo da Páscoa:

“Eu desejo que haja a Festa da Misericórdia. Quero que essa Imagem, que pintarás com o pincel, seja benzida solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa, e esse domingo deve ser a Festa da Misericórdia” (Diário, 49; cf. 88; 280; 299b; 458; 742; 1048; 1517).

StFaustina_kowalska-15.04.2012A misericórdia divina revelou-se manifestamente na vida desta bem-aventurada, que nasceu no dia 25 de agosto de 1905, em Glogowiec, na Polônia Central. Faustina foi a terceira de dez filhos de um casal pobre. Por isso, após dois anos de estudos, teve de aplicar-se ao trabalho para ajudar a família.

Com dezoito anos, a jovem Faustina disse à sua mãe que desejava ser religiosa, mas os pais disseram-lhe que nem pensasse nisso. A partir disso, deixou-se arrastar para diversões mundanas até que, numa tarde de 1924, teve uma visão de Jesus Cristo flagelado que lhe dizia: “Até quando te aguentarei? Até quando me serás infiel?”

Faustina partiu então para Varsóvia e ingressou no Convento das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia no dia 1 de agosto de 1925. No convento tomou o nome de Maria Faustina, ao qual ela acrescentou “do Santíssimo Sacramento”, tendo em vista seu grande amor a Jesus presente no Sacrário. Trabalhou em diversas casas da congregação. Amante do sacrifício, sempre obediente às suas superioras, trabalhou na cozinha, no quintal, na portaria. Sempre alegre, serena, humilde, submissa à vontade de Deus.

Santa Faustina teve muitas experiências místicas onde Jesus, através de suas aparições, foi recordando à humilde religiosa o grande mistério da Misericórdia Divina. Um dos seus confessores, Padre Sopocko, exigiu de Santa Faustina que ela escrevesse as suas vivências em um diário espiritual. Desta forma, não por vontade própria, mas por exigência de seu confessor, ela deixou a descrição das suas vivências místicas, que ocupa algumas centenas de páginas.

Santa Faustina sofreu muito por causa da tuberculose que a atacou. Os dez últimos anos de sua vida foram particularmente atrozes. No dia 5 de outubro de 1938 sussurrou à irmã enfermeira: “Hoje o Senhor me receberá”. E assim aconteceu.

Beatificada a 18 de abril de 1993 pelo Papa João Paulo II, Santa Faustina, a “Apóstola da Divina Misericórdia”, foi canonizada pelo mesmo Sumo Pontífice no dia 30 de abril de 2000.

i326255Os primeiros contatos de Karol Wojtyła com a mensagem da Misericórdia, comunicada por Jesus à Santa Faustina Kowalska, provavelmente aconteceram em sua juventude, no tempo dos seus estudos no seminário clandestino de Cracóvia (1942-1946). A respeito desse tempo, ele testemunhou na sua última viagem a Polônia, quando consagrou o Santuário da Divina Misericórdia: “Muitas das minhas recordações pessoais se relacionam com este lugar. Eu vinha aqui, sobretudo, durante a ocupação nazista, quando trabalhava no estabelecimento Solvay, situado perto daqui. Ainda hoje me recordo do caminho (…) que eu todos os dias percorria para ir trabalhar nos diversos horários, com os sapatos de madeira nos pés. Eram assim os sapatos naquela época. Como era possível imaginar que aquele homem com sapatos de madeira, um dia teria consagrado a basílica da Misericórdia Divina, em Łagiewniki de Cracóvia?”.

Foi João Paulo II que, em 1967, como cardeal, concluiu o processo informativo para a causa de beatificação da Irmã Faustina. Anos depois, eleito Papa, celebrou a beatificação (1993) e a canonização (2000) dessa religiosa. A ela, na celebração da beatificação, dirigiu a saudação: “Ó Faustina, quão maravilhoso foi o teu caminho! (…) É verdadeiramente maravilhoso o modo pelo qual a sua devoção a Jesus Misericordioso se difunde no mundo contemporâneo e conquista tantos corações humanos!”. E na canonização, olhando para o futuro da Igreja e da humanidade, afirmou: “a luz da misericórdia divina, que o Senhor quis como que entregar de novo ao mundo através do carisma da Irmã Faustina, iluminará o caminho dos homens do terceiro milênio”.

Bento XVI testemunhou, em várias ocasiões, a respeito dessa relação do Pontificado do seu predecessor com o Mistério da Divina Misericórdia: “Como Irmã Faustina, João Paulo II fez-se apóstolo da Misericórdia Divina. (…) A sua mensagem, como a de Santa Faustina, reconduz (…) ao rosto de Cristo, revelação suprema da misericórdia de Deus. Contemplar constantemente esse Rosto: essa é a herança que ele nos deixou, e que nós com alegria acolhemos e fazemos nossa” (Festa da Misericórdia, 2008).

Em outra ocasião, Bento XVI afirmou: “O mistério de amor misericordioso de Deus esteve no centro do pontificado deste meu venerado Predecessor. Recordamos, em particular, a Encíclica Dives in Misericordia, de 1980, e a dedicação do novo Santuário da Divina Misericórdia em Cracóvia, em 2002. As palavras que ele pronunciou nesta última ocasião foram como que uma síntese do seu magistério, evidenciando que o culto da Divina Misericórdia não é uma devoção secundária, mas dimensão integrante da fé e da oração do cristão” (Regina Caele, 23.04.2006).

Misericórdia ‒ minha tarefa primordial

João Paulo II foi eleito papa em 1978 e apenas dois anos depois (1980) ele publicou a encíclica Dives in Misericordia (Deus, Rico em Misericórdia) dedicada exclusivamente à Divina Misericórdia. Nela, ele incentiva os cristãos à confiança na ilimitada Misericórdia Divina: “Em nenhum momento e em nenhum período da história – especialmente numa época tão crítica como a nossa – a Igreja pode esquecer a oração, que é o grito de apelo à Misericórdia de Deus perante as múltiplas formas de mal que pesam sobre a humanidade e a ameaçam… Quanto mais a consciência humana, sucumbindo à secularização, perder o sentido do significado próprio da palavra ‘misericórdia’ e quanto mais, afastando-se de Deus, se afastar do mistério da misericórdia, tanto mais a Igreja terá o direito e o dever de fazer apelo ao Deus da Misericórdia com grande clamor“(DM 15).

No ano seguinte (1981) ao celebrar a solenidade de Cristo Rei, no Santuário do Amor Misericordioso, em Roma, reafirmando a mensagem dessa encíclica, João Paulo II revela: “Desde o princípio do meu ministério na Sé de São Pedro, em Roma, considerava esta mensagem como minha tarefa primordial. A Providência confiou-a a mim na situação contemporânea do homem, da Igreja e do mundo. Poderia também se dizer que precisamente esta situação atribuiu-me como dever essa mensagem, como minha tarefa ante Deus…”.

João Paulo II e a Festa da Misericórdia

A instituição da Festa da Misericórdia para toda a Igreja foi muito aguardado pelos devotos da Divina Misericórdia. A expectativa crescia na medida em que os fiéis em todo o mundo iam tomando consciência de quanto o mundo têm necessidade da misericórdia Divina. Por fim, no Jubileu do ano 2000, João Paulo II pôde solenemente proclamar que o primeiro domingo após a Páscoa de agora em diante na Igreja inteira tomará o nome de Domingo da Divina Misericórdia” (30.04.2000).

Incluindo oficialmente a Festa da Misericórdia no calendário litúrgico, na mesma data em que canonizou Santa Faustina, João Paulo II nos recorda que nenhum cristão está isento do diálogo de acolhida e partilha da misericórdia: Cristo ensinou-nos que o homem não só recebe e experimenta a misericórdia de Deus, mas é também chamado a ter misericórdia para com os demais. (…) A Sua mensagem de misericórdia continua a nos alcançar através do gesto de Suas mãos estendidas rumo ao homem que sofre. Foi assim que O viu e testemunhou aos homens de todos os continentes a Irmã Faustina (…) que fez da sua existência um cântico à misericórdia.(…) A canonização da Irmã Faustina tem uma eloquência particular: mediante este ato quero hojetransmitir esta mensagem ao novo milênio. Transmito-a a todos os homens para que aprendam a conhecer sempre melhor o verdadeiro rosto de Deus e o genuíno rosto dos irmãos“.

Sobre essa data histórica e de importância incalculável, testemunhou o Papa Bento XVI: “O servo de Deus João Paulo II estabeleceu que em toda a Igreja o Domingo depois da Páscoa, além de ser Domingo in Albis, fosse denominado também Domingo da Misericórdia Divina. (…) Na realidade a misericórdia é o núcleo da mensagem evangélica, é o próprio nome de Deus, o rosto com o qual Ele se revelou na Antiga Aliança e plenamente em Jesus Cristo, encarnação do Amor criador e redentor. Este amor de misericórdia ilumina também o rosto da Igreja, e manifesta-se quer mediante os Sacramentos, em particular o da Reconciliação, quer com as obras de caridade, comunitárias e individuais. Tudo o que a Igreja diz e realiza, manifesta a misericórdia que Deus sente pelo homem (…). Quando a Igreja deve reafirmar uma verdade menosprezada, ou um bem traído, fá-lo sempre estimulada pelo amor misericordioso (…). Da misericórdia Divina, que pacifica o coração, brota depois a paz autêntica no mundo, a paz entre os povos, culturas e religiões diversas” (Bento XVI, Festa da Misericórdia, 2008).

Sede testemunhas da misericórdia!

Em 17 de agosto de 2002, na mesma ocasião da consagração do Santuário da Misericórdia de Łagiewniki, Cracóvia – Polônia, João Paulo II consagrou o mundo à Divina Misericórdia. Nessa ocasião disse palavras de imensa gravidade que não podemos ignorar: “Quanta necessidade da misericórdia de Deus tem hoje o mundo! Em todos os continentes, do profundo do sofrimento humano, parece que se eleva a invocação da misericórdia. Onde predominam o ódio e a sede de vingança, onde a guerra causa o sofrimento e a morte de inocentes, é necessária a graça da misericórdia para aplacar as mentes e os corações, e para fazer reinar a paz. Onde falta o respeito pela vida e pela dignidade do homem, é necessário o amor misericordioso de Deus, a cuja luz se manifesta o indescritível valor de cada ser humano. É necessária a misericórdia de Deus para fazer com que toda a injustiça no mundo encontre o seu fim no esplendor da verdade… Por isso hoje, neste Santuário, desejo confiar solenemente o mundo à Misericórdia Divina. Faço-o com o desejo ardente de que a mensagem do amor misericordioso de Deus, aqui proclamado por intermédio de Santa Faustina, chegue a todos os ambientes da terra e cumule os seus corações de esperança. Esta mensagem se difunda deste lugar em toda a nossa Pátria e no mundo. (…) É necessário transmitir ao mundo este fogo da misericórdia. Na misericórdia de Deus o mundo encontrará a paz, e o homem a felicidade!“. (…) Confio-vos esta tarefa a vós. Sede testemunhas da misericórdia!”.

Santo Súbito

Não foi sem razão que o Papa João Paulo II morreu precisamente no dia litúrgico do Domingo da Misericórdia. A respeito dessa singular coincidência testemunhou o Papa Bento XVI, em 30.4. 2008: “de fato, o seu longo e multiforme pontificado tem aqui o seu ápice; toda a sua missão ao serviço da verdade sobre Deus e sobre o homem e da paz no mundo resume-se neste anúncio, como ele mesmo disse em Cracóvia-Łagiewniki em 2002: “Fora da misericórdia de Deus não há qualquer outra fonte de esperança para os seres humanos”.

Para a oração do Regina Caeli da Festa da Misericórdia daquele ano (2005) João Paulo II tinha preparado o seu último texto que foi lido no final da celebração da Santa Missa diante da imensa multidão reunida na Praça de São Pedro para a sua despedida. Sobre esse texto, testemunha, na Festa da Misericórdia do ano seguinte, o seu sucessor: “Meditando sobre a misericórdia do Senhor, que se revelou de modo total e definitivo no mistério da Cruz, volta-me à mente o texto que João Paulo II tinha preparado para o encontro com os fiéis no dia 3 de abril, domingo in Albis do ano passado. Nos desígnios divinos estava escrito que ele nos deixasse precisamente na vigília daquele dia, sábado, 2 de abril, todos recordam bem, e por isso não pôde pronunciar aquelas palavras, que agora me apraz repropor-vos (…). O Papa [João Paulo II] tinha escrito assim: ‘À humanidade, que por vezes parece estar perdida e dominada pelo poder do mal, do egoísmo e do medo, o Senhor ressuscitado oferece como dom o seu amor que perdoa, reconcilia e volta a abrir o espírito à esperança. É um amor que converte os corações e dá a paz’. O Papa [João Paulo II], neste último texto, que é como um testamento, acrescentou: ‘Quanta necessidade tem o mundo de compreender e de acolher a Misericórdia Divina!‘”.

Com a canonização do Papa João Paulo II chegou a hora de transmitir esse fogo da misericórdia em todas as dioceses e comunidades eclesiais do Brasil, e não só do Brasil, mas de toda a América Latina! Desde a Conferência de Aparecida somos conclamados, toda a Igreja Latino-Americana, para uma Missão Continental! Que ninguém ignore que Deus é Rico em Misericórdia, que ninguém tenha medo de se aproximar Dele, de mostrar-Lhe todas as feridas e receber a Sua paz.

Que essa mensagem transmitida a nós por João Paulo II, e que segue ecoando na vida e nas palavras do Papa Emérito Bento XVI e do Papa Francisco, não fique sem uma generosa resposta do nosso coração. Sejamos testemunhas da Misericórdia, como nos pediu João Paulo II.

Fonte: http://misericordia.org.br

Primeira-ImagemA obra do Senhor é perfeita, ensina a Escritura (Dt 32,4). É o que atestamos ao longo de toda a história da salvação – criação, revelação, encarnação, salvação etc. Isto também se manifesta naquilo que o próprio Jesus se dignou confiar à Santa Faustina Kowalska (+1938). Os 5 elementos distintivos da espiritualidade da Divina Misericórdia – que emergem a partir de sua história de fé – tocam de algum modo as mais diversas dimensões da vida humana e conseqüentemente também da nossa fé católica: liturgia (Festa) e piedade (Terço), tempo (Novena, Hora) e espaço (Imagem).

A veneração de um quadro representando Nosso Senhor com os traços da visão com que Faustina foi agraciada aos 22/02/1931 em Plock, na Polônia, é vontade expressa do Senhor, inaugurando a série de 83 revelações especiais a respeito da divina misericórdia, segundo a classificação do estudioso Pe. IgnacyRózycki em 1980 (Il Culto della Divina Misericordia, LibreriaEditrice Vaticana, 2002, p. 127):

“Pinta uma Imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inscrição: Jesus, eu confio em Vós. Desejo que esta Imagem seja venerada, primeiramente, na vossa capela e, depois, no mundo inteiro” (D 47).

Sem sombra de dúvidas, este pedido de Jesus marcou de maneira indelével a vida espiritual da religiosa polonesa. São inúmeras e significativas as referências que encontramos em seu Diário sobre a imagem de Jesus Misericordioso, como passaria a ser chamada pela própria santa (cf. D 711; 853). Já no 1º número deste Diário, S. Faustina não esconde sua imensa alegria por este dom concedido não apenas a ela, mas a toda a humanidade:

“Amor Eterno, mandais pintar a Vossa santa Imagem
E nos desvendais a fonte da misericórdia inconcebível!
Abençoais quem se aproxima de Vossos raios,
E a alma negra se tornará branca como a neve.

Ó doce Jesus, aqui fundastes o trono da Vossa misericórdia
Para alegrar e ajudar o homem pecador:
Do coração aberto, como de uma fonte límpida,
Flui o consolo para a alma e o coração contrito.

Que a honra e o louvor para esta Imagem
Nunca deixem de fluir da alma do homem!
Que de cada coração flua honra para a misericórdia de Deus
Agora, e em cada hora, e por todos os séculos!”

Naturalmente entre todas as cinco formas específicas de culto à divina misericórdia ensinadas por S. Faustina existe um laço bastante íntimo, considerando que provêm da mesma fonte inspiradora (revelações privadas de Nosso Senhor) e servem para alimentar a confiança na insondável misericórdia divina e Lhe impetrar auxílios sobretudo para os pecadores e sofredores. É de se notar, porém, que a Festa e a Imagem são particularmente enfatizadas e associadas: “Quero que essa Imagem, que pintarás com o pincel, seja benzida solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa, e esse domingo deve ser a Festa da Misericórdia” (D 49). A relação entre a Imagem e a Festa é bem sublinhada ao longo do Diário (cf. também D 88; 341). No n. 742 se lê: “…estou exigindo o culto à Minha misericórdia pela solene celebração desta Festa e pela veneração da Imagem que foi pintada”.

Não foi fácil cumprir a vontade de Jesus. Um dos confessores de Plock (cujo identidade nos é desconhecida) interpretou, de modo precipitado e errôneo, o fato: “Isso diz respeito à tua alma”; “Pinta a imagem de Deus na tua alma” (D 49). Por sua vez, algumas de suas coirmãs de comunidade a acusavam de “visionária” (D 125; cf. 152). Em sua humildade, S. Faustina pensou em deixar tudo de lado. Mas Jesus não deixou de insistir, por vezes de um modo taxativo:

Fica sabendo que, se descuidares a pintura da Imagem e toda a Obra da Misericórdia, terás que responder por um grande número de almas no dia do Juízo” (D 154); “Desejo que a Imagem seja venerada publicamente” (D 414).

Aos poucos as dificuldades vão sendo superadas. A “força” da graça divina (D 74) não deixa de impelir Faustina a fim de que seja pintada a imagem. O tempo é o melhor aliado para se discernir a autenticidade de uma inspiração ou moção (serão necessários 6 anos de espera – 1931 a 1937 – até que a Igreja aceite oficialmente a imagem!). O próprio Senhor vai confirmando a sua vontade através de dezenas de sinais concedidos à Santa Faustina (cf. D 87; 177; 316; 336; 344; 414; 420; 437; 441; 473; 500; 560s; 613; 645; 648; 657; 851; 853; 916s; 1046s; 1300; 1565; 1689), às suas Superioras (D 51), particularmente através da Madre IrenaKrzyzanowska (D 1301), bem como aos seus confessores, Frei Andrasz e Padre Sopocko, que estão mais em sintonia com a vontade divina:

“Certa vez, cansada dessas diversas dificuldades que tinha por causa de Jesus falar-me e exigir a pintura da Imagem, decidi firmemente, antes dos votos perpétuos, pedir a Frei Andrasz que me dispensasse daquelas inspirações interiores e da obrigação de pintar a Imagem. Depois de me ouvir em confissão, Frei Andrasz deu-me esta resposta: ‘Não dispenso a Irmã de nada e a Irmã não pode esquivar-se dessas inspirações interiores, mas a Irmã deve, necessariamente, relatar tudo ao confessor, sem falta, porque de outra forma a Irmã incorrerá em erro apesar dessas grandes graças de Deus. Neste momento, a Irmã está se confessando comigo, mas saiba que devia ter um confessor permanente, isto é, um diretor espiritual.’” (D 52; cf. 53; 421); “Diz ao teu confessor que aquela Imagem deve ser exposta na igreja, e não dentro da clausura desse Convento. Por meio dessa Imagemconcederei muitas graças às almas; que toda alma tenha, por isso, acesso a ela” (D 570).

Santa Faustina se esforçou por cumprir essa recomendação, mas, não conhecendo a técnica da pintura, não tinha condições de realizá-la sozinha. No entanto, não abandonou a idéia de pintar a imagem. Passo a passo o Senhor foi colocando em sua estrada pessoas que lhe podiam auxiliar nesta tarefa – e ao mesmo tempo cobrando delas o empenho! (D 354). Quando, em 1933, Santa Faustina veio para Vilna, o seu confessor principal, o Bem-aventurado Padre Prof. Miguel Sopocko, dirigiu-se ao artista e pintor EugeniuszKazimierowski com a proposta de pintar a Imagem de acordo com as indicações de Santa Faustina. A Santa e o pintor se encontram pela 1ª vez a 2/01/1934. Anos depois ela registraria a respeito deste momento:

“Este dia é para mim especialmente grande; neste dia fui pela primeira vez tratar da pintura da Imagem. Nesse dia, a Misericórdia Divina recebeu, pela primeira vez, honras especiais exteriormente, embora seja conhecida há muito tempo, mas agora da forma como o Senhor o desejava. Esse dia do dulcíssimo Nome de Jesus lembra-me muitas graças especiais” (D 863).

Este delicado trabalho artístico foi concluído em junho de 1934 e deixado no corredor do convento das Irmãs Beneditinas junto à igreja de São Miguel em Vilna, onde o Padre Sopocko era então reitor. A Irmã Faustina chora por achar que Jesus Cristo não estava tão belo como ela O tinha visto em sua visão (cf. D 313). Uma moradora de Vilna, a Srta. Balzukiewiez, quis fazer uma cópia desta pintura para os Padres Redentoristas, a qual esteve depois em Cracóvia; S. Faustina parece aprovar a iniciativa e o resultado (D 1299).

Durante as solenidades do encerramento do Ano Jubilar da Redenção do Mundo, em 1935, a imagem de Jesus Misericordioso foi transferida para Ostra Brama (Porta Oriental de Vilna) e colocada numa janela do pórtico, de forma que podia ser vista de longe, e aí permaneceu de 26 a 28 de abril de 1935. Essa solenidade coincidiu com o primeiro domingo depois da Páscoa, que, segundo a vontade de Jesus, deveria ser a Festa da Divina Misericórdia. Naquela mesma ocasião o Padre Sopocko fez uma homilia sobre o mistério da misericórdia divina. Anota Faustina: “Por admirável desígnio tudo aconteceu como o Senhor havia exigido: a primeira honra que a Imagem recebeu das multidões — foi no primeiro Domingo depois da Páscoa. Durante três dias, ela ficou exposta publicamente e recebeu a honra dos fiéis, pois estava colocada em Ostra Brama, na parte alta da janela e, por isso, podia ser vista de muito longe” (D 89; cf. 416s; 441). No dia 4 de abril de 1937, com a autorização do Arcebispo RomualdJalbrzykowski, a imagem foi benzida e colocada na igreja de São Miguel em Vilna. Naquele mesmo dia era publicado um artigo do Pe. Sopocko sobre a misericórdia divina na revista de Wilno intitulada “Semanário Católico, Nosso Amigo”; sobre isto escreveu S. Faustina, divulgando a imagem:

“Hoje, a Madre Superiora deu-me para ler um artigo sobre a Misericórdia Divina, e havia também uma reprodução da Imagem que foi pintada. Esse artigo está inserido no “Semanário de Vilna”, e nos foi enviado a Cracóvia pelo Padre MichalSopocko, esse zeloso apóstolo da Misericórdia Divina. Nesse artigo, estão contidas as palavras que Nosso Senhor me disse, algumas expressões transcritas ao pé da letra” (D 1081). Mais detalhes sobre a história da imagem, ver: Santa Maria Faustina Kowalska, Diário, Congr. dos Padres Marianos, nota 1, pp. 463s, e também o site: http://jesus-misericordioso.com/zgromadzenie_ptbra.htm

Qual o significado da imagem? Em 1934, numa das revelações em Vilna, o próprio Senhor explica-lhe alguns detalhes: “Os dois raios representam o Sangue e a Água: o raio pálido significa a Água que justifica as almas; o raio vermelho significa o Sangue que é a vida das almas. Ambos os raios jorraram das entranhas da Minha misericórdia, quando na Cruz, o Meu Coração agonizante foi aberto pela lança” (D 299a). Mais adiante, chama-nos a atenção para um detalhe muito significativo: “O Meu olhar, nesta Imagem, é o mesmo que eu tinha na cruz” (D 326). Fica bem patente, portanto, que nesta representação artística encontramos de um modo emblemático o Cristo Pascal, o Crucificado-Ressuscitado – ou seja, Jesus que traz tanto os sinais do sofrimento como os sinais da glorificação. Com sua Páscoa inaugura-se um novo tempo para a humanidade, no qual mais e mais os seus “inimigos” são vencidos – o demônio, o pecado, a morte. Ele continua a sua missão terrena, e por isso a imagem o representa caminhando (vindo ao nosso encontro) como “amigo” a nos abençoar (mão direita) e a nos apresentar o “trono da graça” (mão esquerda). A cor branca da veste de Cristo simboliza a pureza e a glória celestes, cujos seres – tanto no Antigo como no Novo Testamento – aparecem sempre envoltos em brilho e brancura (cf. Lc 24,4; At 10,30); na transfiguração foi assim que Jesus se manifestou aos Apóstolos escolhidos (Mc 9,3; cf. Ap 1,13s) – e é assim que Ele quer que todos os batizados estejam por ocasião de sua vinda (Ap 3,4s; 7,9-14; 19,1-14). Por sua vez, a inscrição: “Jesus, eu confio em Vós” faz parte da imagem, o que Jesus recorda expressamente à Santa Faustina (D 327). A liturgia do 2º domingo da Páscoa (Domingo da Divina Misericórdia) nos apresenta o relato de Jo 20,19-31, no qual o Senhor Ressuscitado apresenta aos Apóstolos “as mãos e o lado” (vv. 20.27), convidando a Tomé – e a todos – à confiança: “não sejas incrédulo, mas crê!” (v. 27). Sem sombra de dúvida, a imagem de Jesus Misericordioso é uma das mais belas representações da arte cristã do Senhor Ressuscitado, que, apesar das portas fechadas, se apresenta no meio dos seus – ontem, hoje e sempre! – e diz: “Vede minhas mãos e meus pés: sou eu!” (Lc 24,39). Do ponto de vista teológico, não apenas a cruz revela a glória da misericórdia divina, mas também o sepulcro vazio: “Jesus ressuscitado afirma a resposta misericordiosa de Deus [Pai] ao este [seu] amor de auto-doação” (Comissão Teológica Internacional, Teologia da Redenção, p. II, n. 13; cf. 1Pd 1,3). Particularmente os sinais da paixão que o Ressuscitado apresenta – nos Evangelhos e na imagem divulgada a partir de S. Faustina – são uma das mais maravilhosas marcas da insondável misericórdia divina em nosso favor, como assevera São Beda o Venerável: “…para fazer os fiéis redimidos compreender com quanta misericórdia foram socorridos” (in Sto. Tomás, Suma Teológica).

No Diário descobrimos algumas promessasque o Senhor explicitamente associa à veneração de sua imagem que poderíamos também designar como ícone da divina misericórdia, as quais podem ser assim agrupadas:

1ª) O Senhor quer manifestar a sua glória e a sua graça através deste símbolo religioso: “Darei a conhecer aos Superiores, por meio das graças que concederei através dessa Imagem” (D 51); “Ofereço aos homens um vaso, com o qual devem vir buscar graças na fonte da misericórdia. O vaso é a Imagem com a inscrição: ‘Jesus, eu confio em Vós.’” (D 327); “Por meio dessa Imagemconcederei muitas graças às almas; que toda alma tenha, por isso, acesso a ela”(D 570; cf. 742). Por isso S. Faustina pôde escrever: “Hoje vi a glória de Deus que desce da Imagem” (D 1789).

2ª) Por ela o Senhor quer atrair ao seu convívio quem está dEle afastado ou está com a fé esmorecida: “Já há muitas almas atraídas ao Meu amor através da Imagem” (D 1379).

3ª) O Senhor deseja nos fazer participar de sua vitória sobre o mal, especialmente na decisiva hora da morte: “Prometo que a alma que venerar esta Imagem não perecerá. Prometo também, já aqui na Terra, a vitória sobre os inimigos e, especialmente, na hora da morte” (D 48).

4ª) A imagem se torna uma espécie de “escudo” contra a justa ira de Deus em virtude dos pecados que cometemos, estimulando-nos assim a uma constante conversão: “Estes raios defendem as almas da ira do Meu Pai. Feliz aquele que viver à sua sombra, porque não será atingido pelo braço da justiça de Deus” (D 299).

Aprovada pela Igreja e abençoada pelo presbítero, a imagem se torna para a comunidade e cada fiel um sacramental, ou seja, um sinal sagrado por meio do qual a Igreja pede a Deus os Seus benefícios, sobretudo espirituais; ao mesmo tempo, o sacramental não está encerrado em si mesmo, mas quer auxiliar as pessoas “a receber o efeito principal dos sacramentos” (SC 60; Catecismo, 1667); deste modo, como não contemplar na imagem de Jesus Misericordioso um convite a viver radicalmente o nosso Batismo e Crisma (manter a nossa “veste” sempre íntegra e alva!), cada qual segundo o seu próprio estado de vida, aproximando-se com freqüência da Eucaristia e da Confissão (também simbolizados pelo sangue e água, segundo os Santos Padres), bem como da sagrada Unção? É bom lembrar também que pelos sacramentais o Senhor deseja santificar “as diversas circunstâncias da vida” (idem). Como não se admirar com o fato de que uma imagem – que inicialmente povoava apenas a mente de uma religiosa de clausura – se tornou hoje difusa por todos os cantos do planeta, se tornando companheira de homens e mulheres nos mais diversos ambientes – residências, comércios, veículos etc., até mesmo escritórios políticos e empresariais?! Considerando as imagens sob uma ótica teológica, podemos descobrir alguns tipos básicos das mesmas: imagem de culto (com referência direta ao mistério pascal), imagem histórico-descritiva e imagem de devoção (Plazaola, Juan, El arte sacro actual, Madrid, Católica, 1965, pp. 377ss). É curioso notar que a imagem de Jesus Misericordioso foi pouco a pouco adquirindo o valor de uma imagem de culto, deixando de ser um elemento puramente devocional ou ilustrativo já nos primeiros anos após a morte de Santa Faustina. Sem negar a sua importância, o próprio Jesus deixa bem claro o valor instrumental da imagem: “O valor da Imagem não está na beleza da tinta nem na habilidade do pintor, mas na Minha graça” (D 313). Assim sendo, não incorremos no risco de idolatrar um objeto material, agindo de uma maneira supersticiosa ou mágica (i.e., atribuir um poder que não existe a uma determinada coisa ou prática).

Neste contexto se insere um outro ensinamento assaz precioso do Diário, tendo em vista uma sadia estética teológico-espiritual. Somos convidados a venerar a imagem artística do Senhor, mas sobretudoa cuidar das imagens vivas do Senhor que somos nós! Com efeito, todo o universo é de algum modo um reflexo (“fraca imagem”) do Criador (D 1691), mas nada se compara ao homem e à mulher: “Amo a todos os homens, porque vejo neles, a Imagem Divina” (D 373; cf. 550). Por isso não apenas as obras de arte hão de servir para tornar visível a misericórdia divina, mas cada ser humano que acolhe e vive a sua mensagem. Certa vez S. Faustina estabeleceu como um dos seus propósitos o seguinte: “Em cada Irmã ver a imagem de Deus, de onde deve decorrer todo o amor ao próximo” (D 861,II; cf. 1522). De um modo especial se destacam aqueles e aquelas que veneram e glorificam a divina misericórdia: “Elas são a imagem viva do Meu Coração compassivo” (D 1225). Além disso, Jesus se revela através de nós quando praticamos a misericórdia: “…deves ser a Minha imagem viva pelo amor e pela caridade” (D 1446; cf. 1447). É com este espírito que S. Faustina pede: “Meu Jesus, penetrai-me toda, a fim de que possa ser Vossa imagem durante toda a minha vida” (D 1242); “…que se reflita em meu coração a Vossa Imagem divina, na medida, em que ela pode refletir-se numa criatura” (D 1336).

Não deixe de adquirir o seu quadro ou estampa de Jesus Misericordioso, e trazê-lo consigo em sua carteira, sua Bíblia e assim por diante! Que nós possamos sempre orar ao Senhor como S. Faustina: “Ó Coração Santíssimo, fonte de misericórdia, do qual brotam raios de graças incompreensíveis para todo o gênero humano, suplico-Vos luz para os pobres pecadores” (D 72).

Novena à Misericórdia – 1° dia
Hoje traze-me a humanidade inteira, especialmente todos os pecadores e mergulha-os no oceano da minha Misericórdia. Com isso me consolarás na amarga tristeza em que me afunda a perda das almas. Misericordiosíssimo Jesus, de quem é próprio ter compaixão de nós e de nos perdoar, não olheis os nossos pecados, mas a confiança que depositamos em vossa infinita bondade. Acolhei-nos na mansão do vosso compassivo Coração e nunca nos deixeis sair d´Ele. Nós vo-lo pedimos pelo amor que vos une ao Pai e ao Espírito Santo. Eterno Pai, olhai com misericórdia para toda a Humanidade, encerrada no Coração compassivo de Jesus, mas especialmente para os pobres pecadores. Pela sua dolorosa Paixão mostrai-nos a Vossa misericórdia, para que glorifiquemos a onipotência da Vossa misericórdia, por toda a eternidade. Amém.

Novena à Misericórdia – 2° dia
Hoje traze-me as almas dos sacerdotes e religiosos e mergulha-as na Minha insondável misericórdia. Elas me deram força para suportar a amarga paixão. Por elas, como por canais, corre sobre a humanidade a Minha misericórdia. Misericordiosíssimo Jesus, de quem provém tudo que é bom, aumentai em nós a graça, para que pratiquemos dignas obras de misericórdia, a fim de que aqueles que olham para nós, glorifiquem o Pai da Misericórdia que está no Céu. Eterno Pai, dirigi o olhar da vossa Misericórdia para a porção eleita da vossa vinha: para as almas dos sacerdotes e religiosos. Concedei-lhes o poder da vossa benção e, pelos sentimentos do Coração de vosso Filho, no qual estão encerradas, dai-lhes a força da vossa luz, para que possam guiar os outros no caminho da salvação e juntamente com eles cantar a glória da vossa insondável Misericórdia, por toda a eternidade. Amém.

Novena à Misericórdia – 3° dia
Hoje traze-me todas as almas piedosas e fiéis e mergulha-as no oceano da minha Misericórdia. Estas almas consolaram-me na Via-Sacra; foram aquela gota de consolações em meio ao mar de amarguras. Misericordiosíssimo Jesus, que concedeis prodigamente a todos as graças do tesouro da Vossa misericórdia, acolhei-nos na mansão do Vosso compassivo Coração e não nos deixeis sair dele pelos séculos. Nós vos suplicamos pelo amor inconcebível de que está inflamado o Vosso Coração para com o Pai Celestial. Eterno Pai, olhai com misericórdia para as almas fiéis, como a herança do vosso Filho. Pela sua dolorosa Paixão concedei-lhes a vossa benção e cercai-as da vossa incessante proteção, para que não percam o amor e o tesouro da santa fé, mas com toda a multidão dos Anjos e dos Santos glorifiquem a vossa imensa Misericórdia, por toda a eternidade. Amém.

Novena à Misericórdia – 4° dia
Hoje traze-me os pagãos e aqueles que ainda não me conhecem e nos quais pensei na minha amarga Paixão. O seu futuro zelo consolou o meu Coração. Mergulha-os no mar da minha Misericórdia. Misericordiosíssimo Jesus, que sois a luz de todo o mundo, aceitai na mansão do vosso compassivo Coração as almas dos pagãos que ainda não vos conhecem. Que os raios da vossa graça os iluminem para que também eles, juntamente conosco, glorifiquem as maravilhas da vossa Misericórdia e não os deixeis sair da mansão do vosso compassivo Coração. Eterno Pai, olhai com misericórdia para as almas dos pagãos e daqueles que ainda não Vos conhecem e que estão encerrados no Coração compassivo de Jesus. Atrai-as à luz do Evangelho. Essas almas não sabem que grande felicidade é amar-vos. Fazei com que também eles glorifiquem a riqueza da vossa Misericórdia, por toda a eternidade. Amém.

Novena à Misericórdia – 5° dia
Hoje, traze-me as almas dos Cristãos separados da unidade da Igreja, mergulha-as no mar da Minha misericórdia. Na Minha amarga Paixão dilaceravam o Meu Corpo e o Meu Coração, isto é, a Minha Igreja. Quando voltam à unidade da Igreja, cicatrizam-se as Minhas Chagas e dessa maneira eles aliviam a Minha Paixão. Misericordiosíssimo Jesus, que sois a própria Bondade, Vós não negais a luz àqueles que Vos pedem, aceitai na mansão do Vosso compassivo Coração as almas dos nossos irmãos separados, e atraí-os pela Vossa luz à unidade da Igreja e não os deixeis sair da mansão do Vosso compassivo Cora­ção, mas fazei com que também eles glorifiquem a riqueza da Vossa misericórdia. Eterno Pai, olhai com misericórdia para as almas dos nossos irmãos separados que esbanjaram os Vossos bens e abusaram das Vossas graças, permanecendo teimosamente nos seus erros. Não olheis para os seus erros, mas para o amor do Vosso Filho e para a Sua amarga Paixão, que suportou por eles, pois também eles estão encerrados no Coração compassivo de Jesus. Fazei com que também eles glorifiquem a Vossa misericórdia, por toda a eternidade. Amém.

Novena à Misericórdia – 6° dia
Hoje, traze-Me as almas mansas e humildes, assim como as almas das criancinhas e mergulha-as na Minha misericórdia. Essas almas são as mais semelhantes ao Meu Coração. Elas Me con­fortaram na amarga Paixão da Minha agonia. Eu as vi quais anjos terrestres que futuramente iriam velar junto aos meus altares. Sobre elas derramo torrentes de graças. Só a alma humilde é capaz de aceitar a Minha graça. Às almas humildes favore­ço com a Minha confiança. Misericordiosíssimo Jesus, que dissestes: “Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração”, aceitai na mansão do Vosso compassivo Coração as almas mansas e humildes e as almas das criancinhas. Essas almas encantam o Céu todo e são a especial predileção do Pai Celestial. São como um ramalhete diante do Trono de Deus, com cujo perfume o próprio Deus se deleita. Essas almas têm a mansão permanente no Coração compassivo de Jesus e cantam sem cessar um hino de amor e misericórdia pelos séculos. Eterno Pai, olhai com misericórdia para as almas mansas, humildes e para as almas das criancinhas, que estão encerradas na mansão compassiva do Coração de Jesus. Estas almas são as mais seme­lhantes a Vosso Filho. O perfume destas almas eleva-se da Terra e alcança o Vosso Trono. Pai de misericór­dia e de toda bondade, suplico-Vos pelo amor e predileção que tendes para com estas almas: abençoai o mundo todo, para que todas as almas cantem juntamente a glória à Vossa misericórdia, por toda a eternidade. Amém.

Novena à Misericórdia – 7° dia
Hoje, traze-Me as almas que veneram e glori­ficam de maneira especial a Minha Misericórdia e mergulha-as na Minha misericórdia. Estas almas foram as que mais sofreram por causa da Minha Paixão e penetraram mais profundamente no Meu Espírito. Elas são a imagem viva do Meu Coração compassivo. Estas almas brilharão com um espe­cial fulgor na vida futura. Nenhuma delas irá ao fogo do Inferno. Defenderei cada uma delas de maneira especial na hora da morte. Misericordiosíssimo Jesus, cujo Coração é o próprio Amor, aceitai na mansão do Vosso compassi­vo Coração, as almas que honram e glorificam de maneira especial a grandeza da Vossa Misericórdia. Estas almas tornadas poderosas pela força do próprio Deus, avançam entre penas e adversidades, confiando na Vossa Misericórdia. Estas almas estão unidas com Jesus e carregam sobre seus ombros a Humanidade toda. Elas não serão julgadas severamente, mas a Vossa Misericórdia as envolverá no momento da morte. Eterno Pai, olhai com misericórdia para as almas que glorificam e honram o Vosso maior atributo, isto é, a Vossa insondável misericórdia. Elas estão encerra­das no Coração compassivo de Jesus. Estas almas são o Evangelho vivo e as suas mãos estão cheias de obras de misericórdia; suas almas repletas de alegria cantam um hino da misericórdia ao Altíssimo. Suplico-Vos, ó Deus, mostrai-lhes a Vossa misericórdia se­gundo a esperança e a confiança que em Vós coloca­ram. Que se cumpra nelas a promessa de Jesus, que disse: As almas que veneram a Minha insondável Misericórdia, Eu mesmo as defenderei durante a sua vida, e especialmente na hora da morte, como Minha glória. Amém.

Novena à Misericórdia – 8° dia
Hoje, traze-Me as almas que se encontram na prisão do Purgatório e mergulha-as no abismo da Minha misericórdia. Que as torrentes do Meu San­gue refresquem o seu ardor. Todas estas almas são muito amadas por Mim. Elas pagam as dívidas à Minha justiça. Está em teu alcance trazer-lhes alívio. Tira do tesouro da Minha Igreja todas as indulgências e oferece-as por elas. Oh! se conhe­cesses o seu tormento, incessantemente ofereci­as por elas a esmola do espírito e pagarias as suas dívidas à Minha justiça. Misericordiosíssimo Jesus, que dissestes que quereis misericórdia, eis que estou trazendo à man­são do Vosso compassivo Coração as almas do Purgatório, almas que Vos são muito queridas e que, no entanto, devem dar reparação a Vossa justiça. Que as torrentes de Sangue e Água que brotaram do Vosso Coração apaguem as chamas do fogo do Purgatório, para que também ali seja glorificado o poder da Vossa misericórdia. Eterno Pai, olhai com misericórdia para as almas que sofrem no Purgatório e que estão encerradas no Coração compassivo de Jesus. Suplico-vos que, pela dolorosa Paixão de Jesus, Vosso Filho, e por toda a amargura de que estava inundada a sua Alma Santíssima, mostreis Vossa misericórdia às almas que se encontram sob o olhar da Vossa justiça. Não olheis para elas de outra forma senão através das Chagas de Jesus, Vosso Filho muito amado, porque nós cremos que a Vossa bondade e misericórdia são incomensuráveis. Amém.

Novena à Misericórdia – 9° dia
Hoje, traze-Me as almas tíbias e mergulha-as no abismo da Minha misericórdia. Estas almas ferem mais dolorosamente o Meu Coração. Foi da alma tíbia que a Minha alma sentiu repugnância no Jardim das Oliveiras. Elas levaram-Me a dizer: Pai, afasta de Mim este cálice, se assim for a Vossa vontade. Para elas, a última tábua de salvação é recorrer à Minha misericórdia. Ó compassivo Jesus, que sois a própria compai­xão, trago à mansão do Vosso compassivo Coração as almas tíbias; que se aqueçam no fogo do Vosso amor puro estas almas geladas que, semelhantes a cadáveres, Vos enchem de tanta repugnância. O Jesus, muito compassivo, usai a onipotência da Vos­sa misericórdia e atraí-as até o fogo do Vosso amor e concedei-lhes o amor santo, porque Vós tudo podeis. Eterno Pai, olhai com Vossa Misericórdia para as almas tíbias e que estão encerradas no Coração compassivo de Jesus. Pai de Misericórdia, suplico-Vos pela amargura da Paixão de Vosso Filho e por Sua agonia de três horas na Cruz, permiti que também elas glorifiquem o abismo da Vossa Misericórdia. Amém.

“No dia seguinte, na sexta-feira à noite, quando me encontrava na minha cela, vi o Anjo executor da ira de Deus. Estava vestido de branco, o rosto radiante e uma nuvem a seus pés. Da nuvem saíam trovões e relâmpagos para as suas mãos e delas só então atingiam a Terra. Quando vi esse sinal da ira de Deus, que deveria atingir a Terra, e especialmente um determinado lugar que não posso mencionar por motivos bem compreensíveis, comecei a pedir ao Anjo que se detivesse por alguns momentos, pois o mundo faria penitência. Mas o meu pedido de nada valeu perante a ira de Deus. E foi nesse instante que vi a Santíssima Trindade. A grandeza da Sua majestade transpassou-me profundamente e eu não ousava repetir a minha súplica. Porém, nesse mesmo momento senti em mim a força da graça de Jesus que reside na minha alma; e, quando me veio a consciência dessa graça, imediatamente fui arrebatada até o Trono de Deus. Oh! como é grande o nosso Senhor e Deus, e como é inconcebível a Sua santidade! E nem sequer vou tentar descrever essa grandeza, porque em breve todos O veremos como Ele é.

Comecei, então, suplicar a Deus pelo Mundo com palavras ouvidas interiormente. Quando assim rezava, vi a impossibilidade do Anjo em poder executar aquele justo castigo, merecido por causa dos pecados. Nunca tinha rezado com tanta força interior como naquela ocasião.(…) No dia seguinte pela manhã, quando entrei na nossa capela, ouvi interiormente estas palavras: Toda vez que entrares na capela, reza logo essa oração que te ensinei ontem. Quando rezei essa oração, ouvi na alma estas palavras: Essa oração serve para aplacar a Minha ira. Tu a recitarás por nove dias, por meio do Terço do Rosário, da seguinte maneira:

Primeiro dirás o “Pai Nosso”, a “Ave Maria” e o “Credo”.

Depois, nas contas de Pai Nosso, dirás as seguintes palavras:

“Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e dos do mundo inteiro”.

Nas contas de Ave Maria rezarás as seguintes palavras:

“Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro.”

No fim, rezarás três vezes estas palavras:

“Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro“.(D. 474 e 476)

Graças e promessas alcançadas pela oração do Terço da Misericórdia

Através do Terço da Misericórdia, o fiel é convidado a manifestar primeiramente a sua confiança filial no “Pai das misericórdias” (2Cor 1,3), que jamais nos recusa a sua graça e o seu perdão (cf. Lc 11,13; 15,20). Jesus nos ensinou a rezar ao Pai pedindo que manifeste em nós a sua misericórdia: “Pai,…perdoa-nos os nossos pecados…” (Mt 11,4), e rezando o Terço o impetramos com insistência filial. A confiança em Deus é inseparável da caridade para com o próximo (cf. Mt 22,36-40), de modo que através do Terço da Misericórdia o cristão está outrossim realizando uma obra de misericórdia espiritual, animado pelas palavras do Apóstolo: “A graça que obteremos pela intercessão de muitas pessoas suscitará a ação de graças de muitos em nosso favor” (2Cor 1,11). A eficácia desta forma de piedade depende primeiramente, como sempre, da vontade do Pai (cf. Mt 26,39); como toda oração cristã, há de ser acompanhada também da humildade (cf. Lc 18,13-14), do perdão (cf. Mt 6,14s) e da perseverança (cf. Lc 11,8; 18,1-8). Assim, os fiéis podem esperar o cumprimento das promessas de Cristo a Santa Faustina e a todos que rezam com justa intenção, atenção e devoção o Terço da Misericórdia:

1) Jesus promete acompanhar aquele que reza este Terço com Sua benevolência durante toda a sua vida: “As almas que rezarem este Terço serão envolvidas pela Minha misericórdia, durante a sua vida … (D 754); Oh! que grandes graças concederei às almas que recitarem este Terço. As entranhas da Minha misericórdia comovem-se por aqueles que recitam este Terço (D 848); Minha filha, exorta as almas a rezarem esse Terço que te dei. Pela recitação deste Terço agrada-Me dar tudo o que Me peçam (D 1541) – se estiver conforme à sua vontade (D 1731);

2) Jesus promete particular assistência na hora da morte: Todo aquele que o recitar alcançará grande misericórdia na hora da sua morte (D 687; cf. 754; 1541);

3) Jesus promete olhar para toda a humanidade com compaixão: Minha filha, agrada-Me a linguagem do teu coração; pela recitação desse Terço aproximas a Humanidade de Mim (D 929);

4) Jesus promete a graça da paz e da conversão aos pecadores: Os sacerdotes o recomendarão aos pecadores como a última tábua de salvação. Ainda que o pecador seja o mais endurecido, se recitar este Terço uma só vez, alcançará a graça da Minha infinita misericórdia. (D 687); Quando os pecadores empedernidos o recitarem, encherei de paz as suas almas …(D 1541);

5) Jesus promete particular socorro ao agonizante pelo qual rezamos: Defendo toda alma que recitar esse Terço na hora da morte, como se fosse a Minha própria glória, ou quando outros o recitarem junto a um agonizante, eles conseguirão a mesma indulgência. Quando recitam esse terço junto a um agonizante, aplaca-se a ira de Deus, a misericórdia insondável envolve a alma e abrem-se as entranhas da Minha misericórdia, movidas pela dolorosa Paixão do Meu Filho (D 811; cf. 810; 834; 1035; 1036; 1541; 1565; 1797).

 

Hora da Misericórdia
Todos os dias: 15h

 Hora da Misericórdia nas Sagradas Escrituras 

Há fatos que nos marcam de um modo significativo, indelével, deixando registrados em nossa memória até mesmo o lugar e a hora exata em que ocorreram (cf. Jo 1,39). Certamente na sua vida você poderia elencar ao menos um episódio deste gênero (uma vitória alcançada ou uma tragédia vivenciada, um amor que chega ou se vai etc.), e não é diferente na história da salvação. O tempo cronológico (“krónos”) é santificado pela presença do Filho de Deus entre nós (“na plenitude do tempo” – Gl 4,4; cf. Mc 1,15; Ef 1,10), de modo que se tornou “breviátum” (1Cor 7,29) e o seu fim a cada dia mais próximo (“própe” – Ap 22,10; cf. Rm 13,11s). No ventre de Maria, a partir do seu “faça-se” (“fiat”), inaugura-se a autêntica nova era, i.e., o tempo (“kairòs”) “aceitável” ou o “dia da salvação” (2Cor 6,2), pois em Jesus o eterno “entrou” no tempo cósmico e histórico, e assim cada instante de que dispomos está carregado de um maravilhoso sentido (cf. Hans Urs Von Balthasar, Teologia dellastoria, Morcelliana, 1964, p. 33).

Na correria do mundo moderno – ou pós-moderno – é perigoso perdermos de vista o valor eterno de cada momento que vivenciamos. Quem é mais antigo talvez se recorde dos sinos que badalavam indicando algumas horas e convidando os trabalhadores a voltarem o seu coração para os Céus, ao menos por uns instantes. Tal costume ainda persiste em muitos lugares, e pode muito nos ajudar a viver aquilo que o sábio já dizia: “Há um momento para tudo e um tempo para todo propósito debaixo do céu” (Ecle 3,1). O toque do sino e a oração da manhã e à tarde se encontra pela 1ª vez na Itália (Monte Cassino e arredores) no século XIII; o toque ao meio-dia é mencionado em Praga no ano de 1386; no século XVIII o uso de badalar o sino três vezes ao dia se tornou geral (cf. Bihlmeyer-Tuechle, História da Igreja, vol. 2, Ed. Paulinas, 1964, p. 451). De fato, os cristãos, desde os primórdios, procuraram paulatinamente santificar as diversas horas do dia (uma tradição de origem judaica), e por isso, por exemplo, a Escritura nos relata que “Pedro e João subiam ao templo à hora da oração, às quinze horas” (At 3,1).

Uma das categorias mais importantes que encontramos na Sagrada Escritura – ao lado de “aliança”, “misericórdia” etc. – é justamente “memória”. Deus não se esquece do ser humano e o ser humano é convidado a não se esquecer daquilo que o Senhor realizou em seu favor, transformando estas lembranças em fonte para a espiritualidade e as celebrações, tanto individual como coletiva. “A memória tem muitas maneiras de prolongar no presente a eficácia do passado. Em hebraico, os sentidos do verbo zkr, em suas várias formas, dão disso uma idéia: lembrar-se, recordar, mencionar, mas também conservar e invocar, ações todas essas que desempenham um papel mais importante na vida espiritual e na liturgia”, constata Jean Corbon (Vocabulário de teologia bíblica, Vozes, 6ª. ed., 1999, col. 571). É por isso que os grandes momentos da história da salvação – a Páscoa do povo hebreu e a Páscoa de Cristo – incluem um claro apelo: “Este dia será para vós um memorial…” (Êx 12,14); “Fazei isto em minha memória” (“anámnesin”: Lc 22,19). Dentre todos os instantes da história, certamente um merece ser recordado – segundo nosso calendário e os estudos atuais, era o dia 8 de abril do ano 30 d.C., às 3 horas da tarde, fora dos muros de Jerusalém… A hora da misericórdia divina por excelência!

Após 3 anos de intenso ministério, e após 3 horas de intensa agonia, Nosso Senhor Jesus Cristo consumou a sua obra de misericórdia em prol do gênero humano. Esta é a “Hora” de Jesus por excelência, tão desejada por Ele, conforme se lê pelo menos 10 vezes em S. João: “Ainda não chegou a minha hora” (Jo 2,4; cf. 4,23; 7,30; 8,20); “É chegada a hora de ser glorificado o filho do homem” (Jo 12,23; cf. 12,27; 13,1; 16,4; 16,32; 17,1). Aquele momento foi extraordinário, com repercussões também no mundo físico: “Chegada a hora sexta [12h] houve trevas sobre a terra inteira até a hora nona [15h]” (Mc 15,33) – ao dar um grande grito: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23,46), expirou – e então o véu do Templo se rasgou, as rochas se fenderam e muitos corpos dos santos falecidos ressuscitaram (Mt 27,51s). Certamente cada ato realizado por Jesus carrega um valor infinito, mas o seu nascimento e a sua morte constituem os atos mais belos deste drama humano-divino, e por conseguinte merecem ser celebrados pelos seus discípulos – particularmente esta “hora” em que Jesus entrega ao Pai o seu espírito humano e nos doa o Espírito divino (Catecismo, n. 730; cf. 2746).

A Hora da Misericórdia e Santa Faustina

A história da Igreja está repleta de homens e mulheres que procuravam viver intensamente os mistérios da vida de Jesus. Dentre elas, modernamente se destaca Santa Faustina Kowalska (+1938), que foi associada pelo próprio Jesus ao seu mistério pascal como raramente se encontra na hagiografia cristã (outros exemplos seriam o de S. Gema Galgani, S. Padre Pio etc.). Ele deixou claro que a meditação sobre a sua Paixão é uma fonte inesgotável de bênçãos para o indivíduo: “Concedo as graças mais abundantes às almas que meditam piedosamente sobre a Minha Paixão” (D 737). Deste modo, a hora da sua entrega por nós na cruz – 3 horas da tarde – foi-se tornando um elemento distintivo na espiritualidade da santa polonesa e assim no movimento que, sem saber, estava-se iniciando. Ao longo de 4 anos (1935-1938) o próprio Jesus lhe foi instruindo a respeito desta hora sagrada:

Em 1935 descreve uma belíssima vivência mística: “Na Sexta-feira Santa, às três horas da tarde, quando entrei na capela, ouvi estas palavras: Desejo que a Imagem seja venerada publicamente. Então vi Jesus agonizando na cruz em grandes dores, e do Seu Coração saindo os mesmos dois raios, tal como na Imagem” (D 414).

Em 1936 se lê: “Sexta-feira Santa. Às três horas vi Jesus crucificado, que olhou para mim e disse: Tenho sede. — Então, vi que do Seu lado saíam os mesmos dois raios que estão na Imagem. Então, senti na alma um desejo de salvar almas e de aniquilar-me pelos pobres pecadores. Ofereci-me em sacrifício ao Pai Eterno pelo mundo inteiro, com Jesus agonizante” (D 648).

Em 1937, também na Sexta-feira Santa: “Às três horas rezei, com os braços estendidos, pelo mundo todo. Jesus já estava terminando Sua vida como mortal. Ouvi Suas sete palavras, depois olhou para mim e disse: Querida filha do Meu Coração, tu és Meu alívio em meio aos terríveis tormentos” (D 1058).

No final daquele ano, Jesus pediu:

“Às três horas da tarde, implora à Minha misericórdia especialmente pelos pecadores e, ao menos por um breve tempo, reflete sobre a Minha Paixão, especialmente sobre o abandono em que Me encontrei no momento da agonia. Esta é a Hora de grande misericórdia para o Mundo inteiro. Permitirei que penetres na Minha tristeza mortal. Nessa hora nada negarei à alma que Me pedir pela Minha Paixão…” (D 1320).

No ano da morte de S. Faustina (1938), o Senhor completou a sua instrução sobre a hora da misericórdia:

“Lembro-te, Minha filha, que todas as vezes que ouvires o bater do relógio, às três horas da tarde, deves mergulhar toda na Minha misericórdia, adorando-A e glorificando-A. Implora a onipotência dela em favor do Mundo inteiro e especialmente dos pobres pecadores, porque nesse momento foi largamente aberta para toda a alma. Nessa hora, conseguirás tudo para ti e para os outros. Nessa hora, realizou-se a graça para todo o Mundo: a misericórdia venceu a justiça. Minha filha, procura rezar, nessa hora, a Via-sacra, na medida em que te permitirem os teus deveres, e se não puderes fazer a Via-sacra, entra, ao menos por um momento na capela e adora o Meu Coração, que está cheio de misericórdia no Santíssimo Sacramento. Se não puderes sequer ir à capela, recolhe-te em oração onde estiveres, ainda que seja por um breve momento. Exijo honra à Minha misericórdia de toda criatura, mas de ti em primeiro lugar, porque te dei a conhecer mais profundamente esse mistério” (D 1572).

Destes ensinamentos se pode depreender que Jesus deseja que às 3 horas da tarde:

  1.  Façamos uma parada para clamar a misericórdia divina pelos pecadores do mundo inteiro (naturalmente nos incluindo nesta oração!);
  2. Recordemos na fé o seu sofrimento por nós (físico, psicológico e espiritual), e ipso facto a sua cruz
  3. Não apenas devemos pedir a misericórdia, mas glorificar este excelentíssimo atributo divino;
  4. Este momento de oração pode ser realizado em qualquer lugar em que estivermos, e quem o puder procure rezar numa igreja ou oratório;
  5. Recomenda-se explicitamente a Via-Sacra, mas pode ser utilizada qualquer oração, como p. ex. o terço da divina misericórdia.

É verdade que em todo momento e lugar podemos prestar honra à divina misericórdia (D 1), mas Jesus nos propõe fazermos memória (zikkaron) da sua entrega suprema às 3 horas da tarde. Portanto, caro irmão e irmã, onde quer que esteja (programe o seu relógio para disparar também às 15h!), una-se a nós neste momento de adoração, ação de graças, reparação e súplica à divina misericórdia, com confiança na sua imensa generosidade para conosco!

Existe uma íntima relação entre Maria Santíssima, a Mãe de Jesus, o mistério da misericórdia divina e a prática da misericórdia.

Maria está desde a sua concepção envolta na misericórdia mae-da-misericordiainfinita do Pai, pelo Filho e no Espírito (preservada do pecado e do demônio), ao mesmo tempo em que o seu agir – antes e depois da sua Assunção – está assinalado pelo amor efetivo aos seres humanos (especialmente pelos pecadores e sofredores).

Oficialmente a Igreja Católica aprovou a 15/8/1986 o formulário da Missa Votiva “Santa Maria, Rainha e Mãe de Misericórdia”, importante marco para a história de sua veneração – sem nos esquecermos que a 30/11/1980 o Papa João Paulo II destacara na sua Encíclica Dives in misericordia que Maria é a “pessoa que conhece mais a fundo o mistério da misericórdia divina” (n. 9). Anos depois o Catecismo da Igreja Católica (1997) dirá que ao rezar na Ave-Maria: “rogai por nós, pecadores”, estamos recorrendo à “Mãe da misericórdia” (n. 2677).

A invocação “Salve, Rainha de misericórdia” se encontra pela primeira vez com o Bispo Adhémar, de Le Puy (+ 1098); destaca a qualidade do olhar materno de Maria: “esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei”, e conclui com o sentido desta sua misericórdia: “ó clemente, ó piedosa, ó doce, Virgem Maria”. Já o título “Mãe de Misericórdia” se crê que foi dado pela primeira vez a Maria por Santo Odão (+942), abade de Cluny. “Ego sum Matermisericordiae” (Eu sou a Mãe de Misericórdia), Maria lhe teria dito em sonho.

No mundo oriental podemos encontrar testemunhos ainda mais antigos. O padre oriental da Tiago de Sarug (+521), aplicou a Maria explicitamente o título de “Mãe de misericórdia” (Sermo de transitu), o que é por muitos considerado como sua primeira atribuição em absoluto.

Relação com a Mensagem da Divina Misericórdia

Em Vilna, capital da Lituânia, se venera a imagem da Mãe da Misericórdia de AušrosVartai (Portal da Aurora) desde 1522, localizada numa das entradas do antigo muro. Em 1773 o Papa Clemente XIV concedia indulgências a quem rezasse ali com devoção, e em 1927 o Papa Pio XI permitiu que a pintura fosse solenemente coroada com o título de Maria, Mãe de Misericórdia. Sua festa é celebrada a 16 de novembro.

Em nossos tempos, Santa Faustina Kowalska†, mística polonesa, nos repropõe a centralidade da Divina Misericórdia para a fé e a vida da Igreja, recorrendo a Maria Santíssima como Mãe da Misericórdia, padroeira da Congregação religiosa a que pertencia (cf. Diário 79, 449, 1560), cuja festa celebravam (a Congregação) em 5 de agosto. Por Providência divina, a primeira vez em que a imagem de Jesus Misericordioso foi publicamente venerada foi justamente em Vilna (cf. Diário, 417).

Em qual sentido podemos proclamar Maria como Mãe de misericórdia?

Sem cometer o grave equívoco de pensar que a misericórdia é reservada a Maria e a justiça a Jesus (como muitos medievais chegaram a pensar), o título “Mãe da Misericórdia” ou “Mãe de misericórdia” assim se justifica: Maria é a mulher que experimentou de modo único a misericórdia de Deus – que a envolveu de modo particular desde a sua Imaculada Conceição, passando pela Anunciação, como discípula fiel do seu Filho, até o grande momento da Sua Páscoa (paixão, morte, ressurreição, glorificação e Pentecostes). Ela é kecharitoméne, “cheia de graça”, ou seja, totalmente transformada pela benevolência divina (cf. Ef 1,6).

Maria é a mãe que gerou a misericórdia divina encarnada – graça extraodinária que coloca a jovem Maria, a partir da Encarnação do Filho de Deus, numa relação inimaginável de intimidade com o próprio “Pai das misericórdias” (2Cor 1,3). A partir do seu “eis-me aqui” e o seu “faça-se”, a misericórdia divina se faz carne e entra na história!

Maria é a profetisa que exalta a misericórdia de Deus – pois no seu cântico o “Magnificat” por duas vezes – unida ao Filho do Altíssimo e ao seu Espírito – ela louva ao Pai misericordioso: “a sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem”; “socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia” (Lc1,50.54).

Maria é a intercessora incansável do povo de Deus – elevada aos Céus em corpo e alma, Maria não deixa de apresentar as necessidades dos fiéis ao seu Filho, a quem rogou pelos esposos de Caná, quando vivia na terra (cf. Jo 2,1ss). Ela “continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna”, ensina o Concílio Vaticano II (Lumen gentium, n. 62), praticando assim a misericórdia, sobretudo para com os que padecem dos males da alma (pecadores), mas também do corpo (todos que sofrem).

Maria é a apóstola incansável da misericórdia divina – com a permissão e o envio do seu Filho, Maria visitou inúmeras vezes os seus filhos ainda peregrinos neste mundo, o que podemos contemplar nas aparições que já gozam de beneplácito eclesial (Guadalupe, La Salette, Lourdes, Knock, Fátima etc.), convidando a todos a se aproximarem do “trono da graça” que é o seu Filho. Com o seu coração compassivo de Mãe, não poderia permanecer indiferente às mazelas dos seus filhos neste vale de lágrimas!

A Mãe de Jesus e nossa merece, portanto, ser honrada como Mãe da Misericórdia e Mãe de misericórdia! Ó Maria, Mãe que experimentastes e gerastes a Misericórdia, Mãe que proclamais e exerceis a misericórdia, fazei de nós autênticos apóstolos deste mesmo mistério de amor em nossos tempos. Amém.

RITOS INICIAIS
Antífona de entrada (1Pd 2,2)

Como crianças recém-nascidas, desejai o puro leite espiritual para crescerdes na salvação, aleluia!

Acolhida e comentário inicial

Caros irmãos e irmãs, sejam todos bem-vindos! Que os raios da divina misericórdia lhes envolvam, a todos e a cada um! Que alegria quando me disseram: vamos à Casa do Senhor! Mais uma vez, na força do Espírito de Amor, o Pai nos convoca para celebrarmos o mistério da sua infinita misericórdia, revelada plenamente em seu Filho Jesus Cristo, morto e ressuscitado!

Com o Segundo Domingo da Páscoa a Igreja encerra o período da Oitava da Páscoa, em que, com imenso júbilo, proclamamos a vitória definitiva do Deus “rico em misericórdia” (Ef 2,4) sobre as forças do mal, do pecado, da morte. Neste domingo, na Igreja antiga, os neófitos levavam a túnica branca do seu Batismo, celebrado na noite santa da Páscoa. É a nova criação que resplandece na alma e na vida de cada homem e mulher que soube acolher, com confiança, a graça libertadora e vivificadora do Crucificado-Ressuscitado.

Em um difícil momento da recente história da humanidade (carestias, conflitos), a partir de 1931, o Senhor Jesus se dignou manifestar a uma humilde e fiel religiosa de clausura, Santa Faustina Kowalska, polonesa, pedindo-lhe a instituição de uma Festa em honra da sua misericórdia. Como ocorrera séculos antes com Santa Margarida Alacoque (e o Sagrado Coração de Jesus), após sério discernimento a Igreja oficialmente confirmou o 2º Domingo da Páscoa como Domingo da Divina Misericórdia no ano jubilar de 2000, na certeza de que o “Cristo pascal é a encarnação definitiva da misericórdia, o seu sinal vivo” (João Paulo II, Dives in misericordia, V.8).

Hoje a terra se une ao céu para gritar: Damos graças ao Senhor porque Ele é bom: eterna é a sua misericórdia! Com este espírito de fé e gratidão, iniciemos a nossa celebração.

Canto de entrada
Saudação

Presidente: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Assembleia: Amém.

Presidente: “A graça, misericórdia e paz da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor” (1Tm 1,2), estejam convosco!
Assembleia: Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!

Ato penitencial

Presidente: Ó Jesus, queremos ser lavados no “Espírito, água e sangue” (1Jo 5,8) que jorram do seu Coração e testemunham a sua infinita misericórdia! Arrependemo-nos de todos os nossos pecados, vícios, imperfeições, e imploramos como o pecador de outrora: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de nós! (Mt 20,31).

(Instante de silêncio e canto penitencial)

Presidente: Deus Pai das misericórdias, compassivo e paciente, rico em graça e fidelidade, que preservais a Vossa benevolência até a milésima geração, que perdoais a infâmia, a infidelidade e o pecado, bendizemos a Vossa Misericórdia e suplicamos que nos livreis do pecado e nos perdoeis as nossas culpas, por Nosso Senhor Jesus Cristo, que por nós sofreu, morreu e ressuscitou, na unidade do Espírito Santo.
Assembleia: Amém.
Leitor: Senhor, que no abraço do filho pródigo mostrais a Vossa Misericórdia, tende piedade de nós!
Assembleia: Senhor, tende piedade de nós.
Leitor: Cristo, que na casa de Zaqueu comunicastes a Vossa salvação, tende piedade de nós!
Assembleia: Cristo, tende piedade de nós.
Leitor: Senhor, que perdoastes a pecadora arrependida porque ela muito amou, tende piedade de nós!
Assembleia: Senhor, tende piedade de nós.
Presidente: Deus todo-poderoso, tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.
Assembleia: Amém.

Hino de Louvor

Leitor: Maria, Mãe de Jesus, louva a misericórdia do Senhor que é sempre fiel e eficaz (cf. Lc 1,50.54s)! Unamos nossas vozes às dos anjos e santos e exaltemos o nosso amado Deus, três vezes santo, onipotente, misericordioso!

(Cantado ou recitado)

Glória a Deus nas alturas,
e paz na terra aos homens por Ele amados.
Senhor Deus, rei dos céus, Deus Pai todo-poderoso:
nós vos louvamos, nós vos bendizemos,
nós vos adoramos, nós vos glorificamos,
nós vos damos graças por vossa imensa glória.
Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito,
Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho de Deus Pai.
Vós que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.
Vós que tirais o pecado do mundo, acolhei a nossa súplica.
Vós que estais à direita do Pai, tende piedade de nós.
Só vós sois o Santo, só vós, o Senhor,
só vós, o Altíssimo, Jesus Cristo,
com o Espírito Santo, na glória de Deus Pai. Amém.

Oração da Coleta ou do Dia

Presidente: Oremos: [silêncio] Ó Deus de eterna misericórdia, que reacendeis a fé do vosso povo na renovação da festa pascal, aumentai a graça que nos destes. E fazei que compreendamos melhor o batismo que nos lavou, o espírito que nos deunova vida, e o sangue que nos redimiu. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Assembleia: Amém.

LITURGIA DA PALAVRA

Comentário

Leitor: No cerne de toda a revelação divina contida na Sagrada Escritura está a manifestação e a proclamação do amor misericordioso de Deus para com o gênero humano, e, em consequência disso, a imperiosa necessidade da vivência concreta e cotidiana do amor para com o próximo, especialmente os mais sofredores. O “Deus misericordioso e piedoso” que vem ao encontro da humanidade através de Moisés (Êx 34,6s) se une definitivamente a nós através de Jesus Cristo, Filho de Deus feito homem. Suas chagas gloriosas testemunham “com quanta misericórdia foram socorridos” os seres humanos (S. Beda o Venerável, in S. Th. III, q. 54, a. 4), e impelem os Apóstolos e toda a Igreja se tornarem instrumentos da reconciliação e do perdão.

Ano Litúrgico B

Primeira Leitura

Leitura dos Atos dos Apóstolos (4,32-35)

A multidão dos fieis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava como próprias as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum. Com grandes sinais de poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. E os fieis eram estimados por todos. Entre eles ninguém passava necessidade, pois aqueles que possuíam terras ou casas, vendiam-nas, levavam o dinheiro, e o colocavam aos pés dos apóstolos. Depois, era distribuído conforme a necessidade de cada um.

Palavra do Senhor: graças a Deus!

Salmo Responsorial (Sl 117,2-4.16a-18.22-24)

R: Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom; “eterna é a sua misericórdia”

1. A casa de Israel agora o diga:
“Eterna é a sua misericórdia!”
A casa de Aarão agora o diga:
“Eterna é a sua misericórdia!”
Os que temem o Senhor agora o digam:
“Eterna é a sua misericórdia!”.

2. A mão direita do Senhor fez maravilhas,
A mão direita do Senhor me levantou,
A mão direita do Senhor fez maravilhas
Não morrerei, mas ao contrário, viverei
Para cantar as grandes obras do Senhor!
O Senhor severamente me provou
mas não me abandonou às mãos da morte.

3. A pedra que os pedreiros rejeitaram
Tornou-se agora a pedra angular.
Pelo Senhor é que foi feito tudo isso:
Que maravilhas ele fez a nossos olhos!
Este é o dia que o Senhor fez para nós,
Alegremo-nos e nele exultemos!

Segunda Leitura

Leitura da Primeira Carta de São João (5,1-6)

Caríssimos: todo o que crê que Jesus é o Cristo, nasceu de Deus, e quem ama aquele que gerou alguém, amará também aquele que dele nasceu. Podemos saber que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. Pois isto é amar a Deus: observar os seus mandamentos não são pesados, pois todo o que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé. Quem é o vencedor do mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? Este é o que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo (Não veio somente com a água, mas com a água e o sangue). E o Espírito é que dá testemunho, porque o Espírito é a Verdade.

Palavra do Senhor: graças a Deus!

Aclamação ao Evangelho e Evangelho

Leitor ou cantor: Aleluia, Aleluia, Aleluia!
Acreditaste, Tomé, porque me viste. Felizes os que creram sem ter visto!
Assembleia: Aleluia, Aleluia, Aleluia!

Evangelho

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João (20, 19-31)

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”. Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”. Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mãe e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” Jesus lhe disse: “Acreditais, porque me viste? Bem aventurados os que creram sem terem visto!” Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.

Palavra da Salvação: Glória a Vós, Senhor!

Homilia

O que preside a Celebração sinta-se motivado pelas palavras anotadas no “Diário” de S. Faustina: “Nesse dia, os sacerdotes devem falar às almas desta Minha grande e insondável misericórdia” (D. 570).

Profissão de Fé
Creio em Deus Pai Todo-Poderoso…

Preces da Comunidade

Presidente: Irmãos e irmãs, com toda confiança voltemos nossos corações para aqueles que mais precisam da Misericórdia de Deus.
Leitor: Pela Igreja, para que professe, propague e pratique com intensidade a misericórdia, rezemos:
Assembleia: Senhor, manifestai a Vossa misericórdia.
Leitor: Para que todos os cristãos se envolvam insistentemente com as obras de misericórdia, rezemos:
Assembleia: Senhor, manifestai a Vossa misericórdia.
Leitor: Para que a Divina Misericórdia seja compreendida pelos homens que vivem as angústias e tensões da época atual, rezemos:
Assembleia: Senhor, manifestai a Vossa misericórdia.
Leitor: Para que a humanidade, diante da grave crise que enfrenta, não perca a confiança em Deus, rezemos:
Assembleia: Senhor, manifestai a Vossa misericórdia.
Leitor: Por esta assembléia aqui reunida, que veio ao encontro da Misericórdia que vem do Alto, rezemos,
Assembleia: Senhor, manifestai a vossa misericórdia.
Presidente: Ó Deus eterno, em quem a misericórdia é insondável e o tesouro da compaixão é inesgotável, olhai propício para nós e multiplicai em nós a Vossa misericórdia, para que não nos desesperemos nos momentos difíceis, nem esmoreçamos, mas nos submetamos com grande confiança à Vossa vontade, que é amor e a própria misericórdia. Por Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Assembleia: Amém.

LITURGIA EUCARÍSTICA

Procissão das oferendas

Convite à oração
Presidente: Orai, irmãos e irmãs, para que o nosso sacrifício seja aceito por Deus Pai todo-poderoso.
Assembleia: Receba o Senhor por tuas mãos este sacrifício, para glória do seu nome, para nosso bem e de toda a santa Igreja.

Oração sobre as oferendas
Presidente: Acolhei, ó Deus, as oferendas do vosso povo (e dos que renasceram nesta Páscoa), para que, renovados pela profissão de fé e pelo batismo, consigamos a eterna felicidade. Por Cristo, nosso Senhor.
Assembleia: Amém.

Oração Eucarística VII (missal pág. 866)

Presidente: O Senhor esteja convosco.
Assembleia: Ele está no meio de nós.
Presidente: Corações ao alto.
Assembleia: O nosso coração está em Deus.
Presidente: Demos graças ao Senhor, nosso Deus.
Assembleia: É nosso dever e nossa salvação.

Presidente: Na verdade, é justo e bom agradecer-vos, Deus Pai, porque constantemente nos chamais a viver na felicidade completa. Vós, Deus de ternura e de bondade, nunca vos cansais de perdoar. Ofereceis vosso perdão a todos, convidando os pecadores a entregar-se confiantes à vossa misericórdia.
Assembleia: Como é grande, ó Pai, a vossa misericórdia!
Presidente: Jamais nos rejeitastes, quando quebramos a vossa aliança, mas, por Jesus, vosso Filho e nosso irmão, criastes com a família humana novo laço de amizade, tão estreito e forte, que nada poderá romper. Concedeis agora a vosso povo tempo de graça e reconciliação. Daí, pois, em Cristo, novo alento à vossa Igreja, para que se volte para vós. Fazei que, sempre mais dócil ao Espírito Santo, se coloque ao serviço de todos.
Assembleia: Como é grande, ó Pai, a vossa misericórdia!
Presidente: Cheios de admiração e reconhecimento, unimos nossa voz à voz das multidões do céu para cantar o poder de vosso amor e alegria da nossa salvação:

Santo, santo, santo…

Presidente: Ó Deus, desde a criação do mundo, fazeis o bem a cada um de nós para sermos santos como vós sois santo. Olhai vosso povo aqui reunido e derramai a força do Espírito, para que estas oferendas se tornem o Corpo e o Sangue do Filho muito amado, no qual também somos vossos filhos. Enquanto estávamos perdidos e incapazes de vos encontrar, vós nos amastes de modo admirável, pois vosso filho – o justo e santo – entregou-se em nossas mãos, aceitando ser pregado na cruz.
Assembleia: Como é grande, ó Pai, a vossa misericórdia!
Presidente: Antes, porém, de seus braços abertos traçarem entre o céu e a terra o sinal permanente da vossa aliança, Jesus quis celebrar a Páscoa com seus discípulos. Ceando com eles, tomou o pão e pronunciou a bênção de ação de graças. Depois, partindo o pão, o deu a seus amigos, dizendo:

TOMAI, TODOS, E COMEI:
ISTO É O MEU CORPO,
QUE SERÁ ENTREGUE POR VÓS.

Ao fim da ceia, Jesus, sabendo que ia reconciliar todas as coisas pelo sangue a ser derramado na cruz, tomou o cálice com vinho. Deu graças novamente e passou o cálice a seus amigos, dizendo:

TOMAI, TODOS, E BEBEI:
ESTE É O CÁLICE DO MEU SANGUE,
O SANGUE DA NOVA E ETERNA ALIANÇA,
QUE SERÁ DERRAMADO POR VÓS E POR TODOS, PRA REMISSÃO DOS PECADOS.
FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM.

Eis o mistério da fé!

Assembleia: Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!
Presidente: Lembramo-nos de Jesus Cristo, nossa páscoa e certeza da paz definitiva. Hoje celebramos sua morte e ressurreição, esperando o dia feliz de sua vinda gloriosa. Por isso, vos faz voltar à vossa graça.
Assembleia: Esperamos, ó Cristo, vossa vinda gloriosa!
Presidente: Olhai com amor, Pai misericordioso, aqueles que atraís para vós, fazendo-os participar no único sacrifício de Cristo. Pela força do Espírito Santo, todos se tornem um só corpo bem unido, no qual todas as divisões sejam superadas.
Assembleia: Esperamos, ó Cristo, vossa vinda gloriosa!
Presidente: Conservai-nos, em comunhão de fé e amor, unidos ao papa Bento e ao nosso bispo (…). Ajudai-nos a trabalhar juntos na construção do vosso reino, até o dia em que, diante de vós, formos santos com os vossos santos, ao lado da virgem Maria e dos apóstolos, com nossos irmãos e irmãs já falecidos que confiamos à vossa misericórdia. Quando fizermos parte da nova criação, enfim libertada de toda maldade e fraqueza, poderemos cantar a ação de graças de Cristo que vive para sempre.
Assembleia: Esperamos, ó Cristo, vossa vinda gloriosa!
Presidente: Por Cristo, com Cristo, em Cristo, a vós, Deus Pai todo poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória, agora e para sempre.
Assembleia: Amém!


Rito da Comunhão

Presidente: Antes de participar do banquete da Eucaristia, sinal de reconciliação e vínculo de união fraterna, rezemos, juntos, como o Senhor nos ensinou:

Pai nosso…

Presidente: Livrai-nos de todos os males, ó Pai, e dai-nos hoje a vossa paz. Ajudados pela vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e protegidos de todos os perigos, enquanto, vivendo a esperança, aguardamos a vinda do Cristo Salvador.
Assembleia: Vosso é o reino, o poder e a glória para sempre!
Presidente: Senhor Jesus Cristo, dissestes aos vossos Apóstolos: Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz. Não olheis os nossos pecados, mas a fé que anima vossa Igreja; dai-lhe, segundo o vosso desejo, a paz e a unidade. Vós, que sois Deus, com o Pai e o Espírito Santo.
Assembleia: Amém.
Presidente: A paz do Senhor esteja sempre convosco.
Assembleia: O amor de Cristo nos uniu.
Presidente ou Diácono: Irmãos e irmãs, saudai-vos em Cristo Jesus.

Cordeiro de Deus

Presidente: “Sede misericordiosos como o Vosso Pai é misericordioso”: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
Assembleia: Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo.

Antífona da comunhão (cf. Jo 20,27)
Estende a tua mão, toca o lugar dos cravos, e não sejas incrédulo, mas fiel, aleluia!

(Aqueles que estão preparados, livres de pecado grave, aproximam-se com fé e devoção da Santa Comunhão. Aqueles que, por algum motivo, não se sentem preparados, comungam espiritualmente.)

Canto de Comunhão

Silêncio sagrado e Ação de Graças – oração e/ou canto

Sugestão para Ação de Graças

Ó Santíssima Trindade, quantas vezes o meu peito respirar, quantas vezes o meu coração bater, quantas vezes o meu sangue pulsar em mim, outras tantas mil vezes desejo adorar a Vossa misericórdia. Desejo transformar-me todo(a) em Vossa Misericórdia, para tornar-me o Vosso reflexo vivo, ó meu Senhor. Que a Vossa misericórdia, que é insondável, e de todos os atributos de Deus, o mais sublime, se derrame do meu coração e da minha alma sobre o próximo. A Vós, Deus Trindade, rico em misericórdia, consagro os meus olhos, de modo que eu contemple em toda a criação a Vossa bondade e no próximo a sua beleza interior; consagro os meus ouvidos, a fim de sempre acolher a sua divina e amorosa Palavra que liberta, e estar atento às necessidades dos meus irmãos; consagro a minha língua, para que proclame ao mundo o Vosso maior atributo, a misericórdia, e tenha sempre uma palavra que edifique o próximo; consagro as minhas mãos, de modo que não se cansem de Vos louvar, agradecer e suplicar, colaborando em Vossa obra e promovendo o bem aos outros; consagro os meus pés, para que levem sem descanso ajuda aos mais sofredores; consagro a minha mente e o meu coração, a fim de que sejam modeladas pela Vossa Divina Luz e Caridade, e do mesmo modo não excluam a ninguém. Quanto a mim, me encerro no Coração Misericordiosíssimo de Jesus, escondendo aos outros o quanto tenha que sofrer. Amém.
Santa Faustina e Bem aventurado Padre Sopocko: rogai por mim.

Oração para depois da Comunhão
Presidente: Oremos: Concedei, ó Deus onipotente, que conservemos em nossa vida o sacramento pascal quer recebemos. Por Cristo, nosso Senhor.
Assembleia: Amém.

RITOS FINAIS

Veneração da Imagem de Jesus Misericordioso

Ouçamos o que o Diário de Santa Faustina nos fala sobre o significado e o valor desta Imagem sacra:

À noite, quando me encontrava em minha cela, vi Nosso Senhor vestido de branco. Uma das mãos erguia para a bênção, e a outra tocava-Lhe a túnica, sobre o peito. Da túnica entreaberta sobre o peito saíam dois grandes raios, um vermelho e o outro pálido. Em silêncio, eu contemplava o Senhor; a minha alma estava cheia de temor, mas também de grande alegria. Logo depois, Jesus me disse: Pinta uma Imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inscrição: Jesus, eu confio em Vós. Desejo que esta Imagem seja venerada, primeiramente, na vossa capela e, depois, no mundo inteiro. Prometo que a alma que venerar esta Imagem não perecerá. Prometo também, já aqui na Terra, a vitória sobre os inimigos e, especialmente, na hora da morte. Eu mesmo a defenderei como Minha própria glória (D. 47‑48).

Durante a oração ouvi estas palavras interiormente: Os dois raios representam o Sangue e a Água: o raio pálido significa a Água que justifica as almas; o raio vermelho significa o Sangue que é a vida das almas. Ambos os raios jorraram das entranhas da Minha Misericórdia, quando na Cruz, o Meu Coração agonizante foi aberto pela lança. Estes raios defendem as almas da ira do Meu Pai. Feliz aquele que viver à sua sombra, porque não será atingido pelo braço da justiça de Deus. Desejo que o primeiro domingo depois da Páscoa seja a Festa da Misericórdia (D. 299). Ofereço aos homens um vaso, com o qual devem vir buscar graças na fonte da Misericórdia. O vaso é a Imagem com a inscrição: “Jesus, eu confio em Vós (D. 327). Quero que essa Imagem, que pintarás com o pincel, seja benzida solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa, e esse domingo deve ser a Festa da Misericórdia (D. 49).

Bênçãos das imagens

Presidente: A nossa proteção está no nome do Senhor.
Assembleia: Que fez o céu e a terra.
Presidente: O Senhor esteja convosco.
Assembleia: Ele está no meio de nós.
Presidente: Oremos: Ó Deus eterno e todo-poderoso, não reprovais a escultura ou a pintura de imagens dos santos, para que à sua vista possamos meditar os seus exemplos e imitar as suas virtudes. Nós Vos pedimos que abençoeis + e santifiqueis estas imagens, feitas para recordar e honrar o Vosso Filho e Nosso Senhor, Jesus Cristo. Concedei a todos os que diante dela desejarem venerar e glorificar o Vosso Filho Unigênito que, por seus merecimentos e intercessão, alcancem no presente a Vossa graça e no futuro a glória eterna. Por Cristo, Nosso Senhor.
Assembleia: Amém.

(Enquanto se entoa algum cântico festivo, o padre e/ou diácono passa aspergindo o povo e os quadros de Jesus Misericordioso.)

Oração dos pais pelos seus filhos e sua família

Leitor: Convidamos os pais aqui presentes que rezem juntos com o nosso casal convidado, NN. e NN., a consagração:
Pais: Ó Misericordiosíssimo Jesus, a Vós consagro os meus filhos. Ninguém pode compreender melhor os meus cuidados e ansiedades e ninguém mais eficazmente do que Vós me pode ajudar. Dai-me muitas graças para educar os filhos, porque sei bem que nenhum esforço será frutuoso sem a Vossa assistência. Dirigi as minhas ações e iluminai as instruções que der a meus filhos. Guardai-os do pecado; ensinai-os a progredir em bondade; preservai-os de maus companheiros; ajudai-os nos estudos; fazei-os amáveis e misericordiosos para com os pobres, com os que sofrem e com todos os infelizes; guardai-os na graça santificante e dai-lhes saúde, a fim de que cresçam para honra e glória de Deus, progresso da Sociedade, consolação e sustento dos pais e para a sua própria felicidade temporal e eterna. E, quando me chamardes, como meu Juiz, concedei misericordiosamente que a Vossa dolorosíssima Mãe possa cuidar de meus filhos. Doravante prometo servir-Vos fielmente, adorar a Vossa inesgotável Misericórdia, espalhar esta devoção e nela colocar a minha confiança sem limites. Assim seja. Jesus, eu confio em Vós!

Terço da Misericórdia
Leitor: Vamos concluir a nossa festiva celebração da Divina Misericórdia mais uma vez implorando a sua graça em favor de toda a humanidade, especialmente os pecadores endurecidos, os agonizantes e as almas do purgatório.

Oração do Terço da Misericórdia

Bênção Solene
Presidente: O Senhor esteja convosco.
Assembleia: Ele está no meio de nós.
Presidente: Deus, que pela ressurreição do seu Filho único vos deu a graça da redenção e vos adotou como filhos e filhas, vos conceda a alegria de sua bênção.
Assembleia: Amém.
Presidente: Aquele que, por sua morte, vos deu a eterna liberdade, vos conceda, por sua graça, a herança eterna.
Assembleia: Amém.
Presidente: E, vivendo agora retamente, possais no céu unir-vos a Deus, para o qual, pela fé, já ressuscitastes no batismo.
Assembleia: Amém.
Presidente: Abençoe-vos Deus todo-poderoso, Pai e Filho e Espírito Santo.
Assembleia: Amém.
Presidente ou Diácono: Levai a todos a alegria do Senhor ressuscitado; ide em paz e o Senhor vos acompanhe, aleluia, aleluia!
Assembleia: Graças a Deus, aleluia, aleluia!

MISSA EM HONRA DE SANTA MARIA, RAINHA E MÃE DE MISERICÓRDIA (16 de novembro)
(Com base em: Congregação para o Culto Divino, Coletânea de Missas de Nossa Senhora, I e II, Ed. Paulinas, 1987, págs. 163-165 (I) e 139-141 (II) – textos aprovados a 15/08/1986)

Acolhida
Leitor: Caros irmãos e irmãs, com a celebração de hoje a Igreja nos convida a prestar a nossa homenagem Àquela que acolheu em sua vida o grande mistério do amor misericordioso do Pai, manifestado plenamente em seu Filho feito homem, na força do Espírito de Amor. Maria, Mãe de Jesus e nossa, é reconhecida pelos cristãos, desde os primeiros séculos, não apenas como Aquela que deu ao mundo a “misericórdia encarnada”, Jesus Cristo, ou a que foi agraciada por Deus com inúmeros benefícios, mas também como Mãe cheia de bondade para com os seus filhos, especialmente os mais fragilizados, os pecadores e os que sofrem. Por isso, já no século sexto é chamada de “Mãe da misericórdia” pelos cristãos do oriente, que muito antes invocavam a sua proteção. Agradeçamos a Maria por acompanhar a humanidade, a Igreja e cada um de nós com materno desvelo, renovemos a nossa entrega filial aos seus cuidados e, juntos com Ela, proclamemos ao mundo que a misericórdia do Senhor se estende de geração em geração. Com este espírito, de pé, acolhemos a Equipe de celebração e cantamos.

Ritos iniciais (Ato Penitencial lido conforme abaixo ou canto penitencial)
Presidente: Senhor, a tua Mãe soube acolher com confiança a Tua infinita misericórdia:
Assembleia: Perdoa-nos toda desconfiança!
Presidente: Cristo, a tua Mãe proclamou ao mundo o Teu amor misericordioso:
Assembleia: Perdoa-nos todo comodismo!
Presidente: Senhor, Maria nos acompanha até hoje com sua presença orante:
Assembleia:  Perdoa-nos toda tibieza!

Oração da coleta ou do dia
Presidente:
Oremos. (Silêncio para oração pessoal) Deus de inumeráveis misericórdias, concedei-nos, por intercessão da Virgem Maria, Mãe de misericórdia, que, experimentando vossa misericórdia na terra, mereçamos conseguir vossa glória no céu. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Assembleia: Amém.

Liturgia da Palavra
Leitor: No cerne da revelação transmitida pela Sagrada Escritura está o mistério da insondável misericórdia de um Deus que jamais abandona as suas criaturas, particularmente os seres humanos. A Mãe de Jesus, mulher cheia de fé e amor, confia plenamente no poder transformador deste amor divino e, por isso, como as grandes mulheres da história da salvação, não hesita em recorrer a ele nos momentos mais difíceis da vida do seu povo.

Primeira Leitura
Leitor: Leitura do livro de Ester (4,17n.p-r.aa-bb.hh-kk)
Naqueles dias, a rainha Ester, tomada de mortal angústia, recorreu ao Senhor. Prostrou-se por terra com suas ancilas, desde a manhã até à tarde, e disse: “Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacó, tu és bendito. Socorre a mim que estou abandonada e não tenho outro defensor fora de ti, Senhor, pois grande perigo me ameaça. Eu aprendi, Senhor, nos livros de meus antepassados, que tu libertas, ó Senhor, todos que te agradam, até o fim. E agora, ajuda-me em minha solidão, pois não posso contar senão em ti, Senhor meu Deus. Liberta-nos da mão de nossos inimigos; muda em júbilo nosso luto e em bem-estar nossas dores. Castiga exemplarmente os que se insurgem contra o povo de tua herança. Vem, Senhor! Manifesta-te, Senhor!”
Palavra do Senhor: Graças a Deus!


Salmo Responsorial  (Lc 1,46-48a.48b-49.50-51.52-53.54-55 – R. cf. 50)

R. O amor do Senhor se estende de geração em geração.

1. A minha alma engrandece o Senhor e exulta meu espírito em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. R.
2. Doravante as gerações hão de chamar-me de bendita. O Poderoso fez em mim maravilhas, e Santo é o seu nome! R.
3. Seu amor para sempre se estende sobre aqueles que o temem. Manifesta o poder do seu braço, dispersa os soberbos. R.
4. Derruba os poderosos de seus tronos e eleva os humildes; sacia de bens os famintos, despede os ricos sem nada. R.
5. Acolhe, Israel, seu servidor, fiel ao seu amor, como havia prometido a nossos pais, em favor de Abraão e de seus filhos para sempre. R.


Aclamação ao Evangelho

Leitor ou cantor: Aleluia, Aleluia, Aleluia!
Ó nobre rainha do mundo, Maria, sempre Virgem, intercedei por nossa paz e salvação, ó Mãe do Salvador!
Assembleia: Aleluia, Aleluia, Aleluia!

Evangelho (2,1-11)
Presidente: Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João.
Assembleia: Glória a Vós, Senhor!
Presidente: Naquele tempo, houve umas bodas em Caná da Galileia e estava presente a mãe de Jesus. Também fora convidado para a festa de casamento Jesus com seus discípulos. Tendo acabado o vinho, disse a mãe de Jesus: “Eles não têm vinho”. Respondeu-lhe Jesus: “Mulher, que há entre mim e ti? Ainda não chegou a minha hora”. Disse a mãe aos servos: “Fazei tudo o que ele vos disser”. Havia ali seis talhas de pedra para as purificações dos judeus. Em cada uma cabiam duas ou três medidas. Disse-lhes Jesus: “Enchei de água as talhas”. Eles encheram-nas até a borda. Disse-lhes Jesus: “Tirai agora e levai ao mestre-sala”. Eles levaram. E logo que o mestre-sala provou da água transformada em vinho – não sabia de onde vinha, embora soubessem os serventes que tinham tirado a água – chamou o noivo e lhe disse: “Todos servem primeiro o vinho bom e quando já estão embriagados servem o de qualidade inferior. Tu guardaste até agora o melhor vinho”. Este foi o primeiro sinal que fez Jesus em Caná da Galileia, manifestando a sua glória, e os discípulos creram nele.
Palavra da salvação: Glória a Vós, Senhor!

Homilia

Preces

Presidente: Apresentemos com confiança ao Deus rico em misericórdia as nossas súplicas, pelas mãos da nossa Mãe Amável:
Leitor: Senhor, imploramos o dom da paz e da reconciliação para todos os povos do mundo, a fim de que cessem os conflitos e reine entre nós o amor:
Assembleia: Pela intercessão da Mãe de Misericórdia, atendei-nos, Senhor!
Leitor: Senhor, suplicamos o Vosso Espírito a fim de que possamos testemunhar no meio do mundo e da sociedade a força transformadora do amor:
Leitor: Senhor, renovai em nós a chama da caridade de modo que possamos socorrer os aflitos, os transviados e todos os que sofrem no corpo e na alma:
Presidente: Concluímos a nossa oração entregando tudo ao Senhor pelas mãos de Maria:
Assembleia: A Vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus, não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita. Amém.


Oração sobre as oferendas

Presidente: Aceitai, Senhor, os dons do vosso povo, e concedei aos que veneramos a Virgem Maria, como Mãe de misericórdia, nos mostremos misericordiosos com nossos irmãos, e mereçamos, assim, encontrar-vos indulgente conosco. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Prefácio
Presidente: O Senhor esteja convosco!
Assembleia: Ele está no meio de nós.
Presidente: Corações ao alto!
Assembleia: O nosso coração está em Deus.
Presidente: Demos graças ao Senhor nosso Deus!
Assembleia: É nosso dever e nossa salvação.
Presidente: Na verdade, Pai Santo, é nosso dever dar-vos graças, é nossa salvação dar-vos glória, em todo o tempo e lugar, e nesta comemoração da Virgem Maria, engrandecer-vos com dignos louvores. Ela é a rainha clemente, que experimentou singularmente vossa misericórdia, e por isso acolhe a todos os que se refugiam junto dela, e os ouve quando clamam em sua tribulação. Ela é a mãe de misericórdia, que sempre se inclina às preces de seus filhos, para obter-lhes benevolência e impetrar-lhes o perdão dos pecados. Ela é a servidora de piedade, que sem cessar roga por nós a seu Filho, para enriquecer nossa pobreza com sua graça. Por ele, a multidão dos anjos adora a vossa majestade, na eterna alegria de vossa presença. Pedimos que junteis com eles nossas vozes, numa só exultação, dizendo (cantando):

Santo, santo, santo…

Presidente: Ó Deus, desde a criação do mundo, fazeis o bem a cada um de nós para sermos santos como vós sois santo. Olhai vosso povo aqui reunido e derramai a força do Espírito, para que estas oferendas se tornem o Corpo e o Sangue do Filho muito amado, no qual também somos vossos filhos. Enquanto estávamos perdidos e incapazes de vos encontrar, vós nos amastes de modo admirável, pois vosso filho – o justo e santo – entregou-se em nossas mãos, aceitando ser pregado na cruz.
Assembleia: Como é grande, ó Pai, a vossa misericórdia!
Presidente: Antes, porém, de seus braços abertos traçarem entre o céu e a terra o sinal permanente da vossa aliança, Jesus quis celebrar a Páscoa com seus discípulos. Ceando com eles, tomou o pão e pronunciou a bênção de ação de graças. Depois, partindo o pão, o deu a seus amigos, dizendo:

TOMAI, TODOS, E COMEI:
ISTO É O MEU CORPO,
QUE SERÁ ENTREGUE POR VÓS.

Ao fim da ceia, Jesus, sabendo que ia reconciliar todas as coisas pelo sangue a ser derramado na cruz, tomou o cálice com vinho. Deu graças novamente e passou o cálice a seus amigos, dizendo:

TOMAI, TODOS, E BEBEI:
ESTE É O CÁLICE DO MEU SANGUE,
O SANGUE DA NOVA E ETERNA ALIANÇA,
QUE SERÁ DERRAMADO POR VÓS E POR TODOS, PRA REMISSÃO DOS PECADOS.
FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM.

Eis o mistério da fé!

Assembleia: Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!
Presidente: Lembramo-nos de Jesus Cristo, nossa páscoa e certeza da paz definitiva. Hoje celebramos sua morte e ressurreição, esperando o dia feliz de sua vinda gloriosa. Por isso, vos faz voltar à vossa graça.
Assembleia: Esperamos, ó Cristo, vossa vinda gloriosa!
Presidente: Olhai com amor, Pai misericordioso, aqueles que atraís para vós, fazendo-os participar no único sacrifício de Cristo. Pela força do Espírito Santo, todos se tornem um só corpo bem unido, no qual todas as divisões sejam superadas.
Assembleia: Esperamos, ó Cristo, vossa vinda gloriosa!
Presidente: Conservai-nos, em comunhão de fé e amor, unidos ao papa Bento e ao nosso bispo (…). Ajudai-nos a trabalhar juntos na construção do vosso reino, até o dia em que, diante de vós, formos santos com os vossos santos, ao lado da virgem Maria e dos apóstolos, com nossos irmãos e irmãs já falecidos que confiamos à vossa misericórdia. Quando fizermos parte da nova criação, enfim libertada de toda maldade e fraqueza, poderemos cantar a ação de graças de Cristo que vive para sempre.
Assembleia: Esperamos, ó Cristo, vossa vinda gloriosa!
Presidente: Por Cristo, com Cristo, em Cristo, a vós, Deus Pai todo poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória, agora e para sempre.
Assembleia: Amém!


Rito da Comunhão

Presidente: Antes de participar do banquete da Eucaristia, sinal de reconciliação e vínculo de união fraterna, rezemos, juntos, como o Senhor nos ensinou:

Pai nosso…

Presidente: Livrai-nos de todos os males, ó Pai, e dai-nos hoje a vossa paz. Ajudados pela vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e protegidos de todos os perigos, enquanto, vivendo a esperança, aguardamos a vinda do Cristo Salvador.
Assembleia: Vosso é o reino, o poder e a glória para sempre!
Presidente: Senhor Jesus Cristo, dissestes aos vossos Apóstolos: Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz. Não olheis os nossos pecados, mas a fé que anima vossa Igreja; dai-lhe, segundo o vosso desejo, a paz e a unidade. Vós, que sois Deus, com o Pai e o Espírito Santo.
Assembleia: Amém.
Presidente: A paz do Senhor esteja sempre convosco.
Assembleia: O amor de Cristo nos uniu.
Presidente ou Diácono: Irmãos e irmãs, saudai-vos em Cristo Jesus.

Cordeiro de Deus

Presidente: “Sede misericordiosos como o Vosso Pai é misericordioso”: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
Assembleia: Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo.

Antífona da Comunhão
O Todo-poderoso fez por mim grandes coisas: Santo é seu nome, e sua misericórdia se estende de geração em geração, sobre aqueles que o temem.


Oração depois da Comunhão

Presidente: Oremos. Restaurados pelo alimento celeste, dai-nos, Senhor, nós vos rogamos, exaltar sempre, com a Virgem Maria, a vossa misericórdia e experimentar a sua proteção, pois a proclamamos Rainha clemente para com os pecadores e misericordiosa para com os pobres. Por Cristo, nosso Senhor.
Assembleia: Amém.


Oração diante da imagem da Mãe da Misericórdia

(Terço da Mãe da Misericórdia)

No início: Salve Rainha, Mãe de Misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A Vós bradamos, os degredados filhos de Eva. Por Vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa, esses Vossos olhos misericordiosos a nós volvei. E depois deste desterro nos mostrai Jesus, bendito fruto do Vosso ventre. Ó clemente! Ó piedosa! Ó doce Virgem Maria!

Nas contas grandes: Maria, Mãe da graça e Mãe da Misericórdia, defendei-nos dos inimigos e acolhei-nos na hora da morte.

Nas contas pequenas (rezam-se 3 dezenas): Maria, Mãe da Misericórdia, alcançai-nos a Misericórdia junto a Vosso Filho!

Oração final: Mãe misericordiosíssima, Vós abris diante de nós amplamente os Vossos braços e estendeis as Vossas mãos repletas de graças e de dons. O Vosso coração maternal deseja proporcionar-nos tudo de que necessitamos. Estimulados por essa bondade, dirigimo-nos a Vós. Alcançai-nos, nossa Mãe, tudo que nos é necessário e sobretudo fazei com a Vossa poderosa mediação que preservemos a castidade e a inocência, com fidelidade e perseverança cultivemos o amor filial para convosco e guardemos em nosso coração a imagem do Coração de Vosso Filho. Que esse Coração nos defenda, nos guie e nos conduza à luz eterna. Amém.


Benção Final e encerramento

Todos os textos tem como fonte http://misericordia.org.br/

Santos e beatos da Misericórdia:

JP IISão João Paulo II
Os primeiros contatos de Karol Wojtyła com a mensagem da Misericórdia, comunicada por Jesus à Santa Faustina Kowalska, provavelmente aconteceram em sua juventude, no tempo dos seus estudos no seminário clandestino de Cracóvia (1942-1946). Leia mais…

 

Mother Teresa in Calcutta

Bem-aventurada Madre Teresa de Calcutá
Agnes Gonxhe Bojaxhiu, nome de batismo ‒ nasceu, em 27.08.1910, na cidade de Skopje, território da Albânia. Seus pais, Nicola e Drone, participavam diariamente da santa Missa e todas as noite a família se reunia para rezar o terço; visitas e hóspedes também eram convidados a participar desses momentos de oração. Leia mais…

sopockoBem-Aventurado Padre Miguel Sopoćko
“Quando perguntamos em que podemos imitar o novo Beato, a resposta vem sozinho: em confiar em Cristo sem reserva – nas dificuldades e alegrias, no sucesso e no fracasso. Podem acolhê-lo como padroeiro os confessores, os capelães militares, os professores, os estudantes e os simples fiéis, especialmente aqueles que lutam contra as adversidades. Para todos se aplicam as palavras que frequentemente ele repetia: Jesus eu confio em Vós (…)”. Leia mais…

Documentos da Igreja sobre a Misericórdia:

Encíclica papal: Dives in misericordia, publicada no dia 30-11-1980

1. Introdução
Embora a Encíclica “Rico em misericórdia” do Papa João Paulo II tenha sido o 1º documento papal na história a tratar exaustivamente deste tema, os Sucessores de Pedro, ao longo dos séculos, não deixaram de falar do amor misericordioso de Deus. Aqui poderá encontrar alguns pronunciamentos e documentos dos papas que falam da Divina Misericórdia.

2. Os papas falam da Misericórdia Divina – Até João Paulo II (Leia mais…)

3. Papa João Paulo II (Leia mais…)

4. Papa Bento XVI (Leia mais…)