Artigos, Notícias › 03/05/2020

Cristo, Bom Pastor

Neste Quarto Domingo de Páscoa, no qual a Liturgia nos apresenta Jesus como BOM PASTOR, celebra-se o Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Em cada continente, as comunidades eclesiais invocam em sintonia ao Senhor numerosas e santas vocações para o sacerdócio, para a vida consagrada e missionária e para o matrimônio cristão e meditam sobre o tema proposto pelo Papa Francisco: “As Palavras da Vocação”.

Depois de várias aparições de Cristo Ressuscitado às mulheres, aos apóstolos, aos discípulos, hoje Jesus se apresenta como o BOM PASTOR! É um título de Cristo muito familiar aos primeiros cristãos.

A liturgia deste domingo convida-nos a meditar na misericordiosa ternura de nosso Salvador, para que reconheçamos os direitos que Ele adquiriu sobre cada um de nós com a sua Morte e Ressurreição.

Na primeira leitura (At 2,14-41) ouvimos o discurso de Pedro, no dia de Pentecostes. Ele se dirige à multidão dos judeus que não tinham ainda se convertido; explica-lhes o sentido da morte de Cristo, prepara-os para a fé e a conversão. O pescador da Galiléia está fazendo sua primeira experiência como pescador de homens: “Naquele dia se uniram a eles cerca de três mil pessoas…” (Cf. At 2, 41).

No Evangelho ( Jo 10, 1-10) ouvimos a palavra do próprio Cristo que nos fala em primeira pessoa: Eu sou o Bom Pastor: Eu sou a Porta. É uma catequese sobre a missão de Jesus: conduzir o homem às pastagens verdejantes e às fontes cristalinas, de onde brota a vida em plenitude. “Suas ovelhas encontram pastagem, pois todo aquele que O segue na simplicidade de coração é nutrido por pastagens sempre verdes. Quais são afinal as pastagens dessas ovelhas, senão as profundas alegrias de um paraíso sempre verdejante? Sim, o alimento dos eleitos é o rosto de Deus, sempre presente. Ao contemplá-lo sem cessar, a alma sacia-se eternamente com o alimento da vida. Procuremos, portanto, alcançar essas pastagens, onde nos alegraremos na companhia dos cidadãos do Céu. Que a própria alegria dos bem-aventurados nos estimule. Corações ao alto, meus irmãos! Que a nossa fé se afervore nas verdades em que acreditamos; inflame-se o nosso desejo pelas coisas do Céu. Amar assim já é pôr-se a caminho. Nenhuma prosperidade sedutora nos iluda. Insensato seria o viajante que, contemplando a beleza da paisagem, se esquece de continuar sua viagem até o fim” ( São Gregório Magno ).

O Bom Pastor aparece numa atitude de ternura com as ovelhas… Ele as conhece, as chama pelo nome, caminha com elas e estas O seguem. Elas escutam a Sua voz, porque sabem que as conduz com segurança.

Em contraste com o Pastor, aparece a figura dos ladrões e dos bandidos. São todos os que se apresentam como Pastor, ou até falam em nome de Cristo, mas procuram somente vantagens pessoais. Além do título de Bom Pastor, Cristo aplica-Se a Si mesmo a imagem da porta pela qual se entra no aprisco das ovelhas que é a Igreja. Ensina o Concílio Vaticano II: “ A Igreja é o redil, cuja única porta e necessário pastor é Cristo (LG,6). No redil entram os pastores e as ovelhas. Tanto uns como outras hão de entrar pela porta que é Cristo. “ Eu, pregava Santo Agostinho, querendo chegar até vós, isto é, ao vosso coração, prego-vos Cristo: se pregasse outra coisa, quereria entrar por outro lado. Cristo é para mim a porta para entrar em vós: por Cristo entro não nas vossas casas, mas nos vossos corações. Por Cristo entro gozosamente e escutais-me ao falar d Ele. Por quê? Porque sois ovelhas de Cristo e fostes compradas com o Seu Sangue”.

Diz Jesus:   “E depois de conduzir para fora todas as que são suas, ele caminha à frente e as ovelhas O seguem, porque conhecem sua voz” (Jo 10,4). Ora, a Igreja é Cristo continuado! Diz São Josemaria Escrivá: “Cristo deu à Sua Igreja a segurança da doutrina, a corrente de graça dos Sacramentos; e providenciou para que haja pessoas que nos orientem, que nos conduzam, que nos recordem constantemente o caminho. Dispomos de um tesouro infinito de ciência: a Palavra de Deus guardada pela Igreja; a Graça de Cristo, que se administra nos Sacramentos; o testemunho e o exemplo dos que vivem com retidão ao nosso lado e sabem fazer das suas vidas um caminho de fidelidade a Deus” (Cristo que passa, nº 34). Jesus é a porta das ovelhas! Para as ovelhas significa que Jesus é o único lugar de acesso para que as ovelhas possam encontrar as pastagens que dão vida.

Para os cristãos, o Pastor por excelência é Cristo: Ele recebeu do Pai a missão de conduzir o rebanho de Deus… Portanto, Cristo deve conduzir as nossas escolhas.

Quem nos conduz? Qual é a voz que escutamos? A voz da política, a voz da opinião pública, a voz do comodismo e da instalação, a voz dos nossos privilégios, a voz do êxito e do triunfo a qualquer custo, a voz da novela? A voz da televisão?

Cristo é o nosso Pastor! Ele conhece as ovelhas e as chama pelo nome, mantendo com cada uma delas uma relação muito pessoal. “Eu sou o Bom Pastor. Conheço as minhas ovelhas, isto é, eu as amo, e minhas ovelhas me conhecem” (Jo 10, 14 ). É como se quisesse dizer francamente: elas correspondem ao amor daquele que as ama. Quem não ama a verdade, é porque ainda não conhece perfeitamente. Por isso, nesta passagem do Evangelho, o Senhor acrescenta imediatamente: “ assim como o Pai me conhece, eu conheço o Pai. Eu dou minha vida pelas ovelhas” (Jo 10, 15 ). Como se dissesse explicitamente: a prova de que eu conheço o Pai e sou por ele conhecido, é que dou minha vida por minhas ovelhas; por outras palavras, este amor que me leva a morrer por minhas ovelhas, mostra o quanto eu amo o Pai.

 

A existência humana é bem complexa para que se possa vivê-la com segurança absoluta. Jesus, porém, oferece a quem O segue a direção exata e a proteção eficaz para evitar os elementos que podem prejudicar. Afirma o Sl 22(23): “ Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei; estais comigo…”.

O Divino Pastor é quem pode, realmente, ajudar, salvar e conservar a vida. Ele afirmou: “Eu vim para que todos tenham a vida e a tenham em abundância” (Jo 10, 10).

Para distinguir a Voz do Pastor é preciso três coisas: – Uma vida de oração intensa; um confronto permanente com a Palavra de Deus e uma participação ativa nos sacramentos, onde recebemos a vida, que o Pastor nos oferece.

Nesse domingo, celebramos 57° Dia Mundial de Oração pelas Vocações e o Papa convida-nos a refletir sobre o tema “As Palavras da Vocação”.

Para “agradecer aos sacerdotes e apoiar o seu ministério”, o Papa Francisco escolheu a experiência de Jesus e Pedro durante a noite de tempestade no lago de Tiberíades e ressaltou quatro palavras – chave: gratidão, coragem, tribulação e louvor.

Para o Pontífice, a imagem desta travessia do lago sugere “a viagem da nossa existência”. “De fato, o barco da nossa vida avança lentamente, sempre à procura de um local afortunado de atracagem, pronto a desafiar os riscos e as conjunturas do mar, mas desejoso também de receber do timoneiro a orientação que o coloque finalmente na rota certa. Às vezes, porém, é possível perder-se, deixar-se cegar pelas ilusões”.

Depois de comentar, refletir sobre cada uma das quatro palavras (gratidão, coragem, tribulação e louvor), o Papa Francisco então concluiu:

“Caríssimos, especialmente neste Dia de Oração pelas Vocações, mas também na ação pastoral ordinária das nossas comunidades, desejo que a Igreja percorra este caminho ao serviço das vocações, para que cada um possa descobrir com gratidão a chamada que Deus lhe dirige, encontrar a coragem de dizer “sim”, vencer a fadiga com a fé em Cristo e finalmente, com um cântico de louvor, oferecer a própria vida por Deus, pelos irmãos e pelo mundo inteiro”.

Rezemos pelos Sacerdotes, dispenseiros da Palavra de Deus e os Sacramentos, que manifestam com a sua caridade pastoral a todos, sobretudo aos doentes, aos pequeninos, aos pobres, a Presença restabelecedora de Jesus Cristo. Rezemos também para que seja cada vez mais numerosa a multidão dos que decidem viver radicalmente o Evangelho mediante os votos de castidade, pobreza e obediência: são homens e mulheres que desempenham um papel primário na evangelização. Alguns deles dedicam-se à contemplação e à oração, outros a uma multiforme ação educativa e caritativa, mas todos têm em comum a mesma finalidade: testemunhar a primazia de Deus sobre tudo e difundir o seu Reino em cada âmbito da sociedade. Muitos deles, escreveu São Paulo Vl, “são empreendedores, e o seu apostolado muitas vezes se distingue por uma originalidade, por uma genialidade que obrigam à admiração. São generosos: encontramo-los na vanguarda da missão, e enfrentam os maiores riscos para a sua saúde e para a sua própria vida” ( Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, 69 ). Por fim, não se deve esquecer que também o matrimônio cristão é uma vocação missionária: de fato, os esposos são chamados a viver o Evangelho nas famílias, nos ambientes de trabalho, nas comunidades paroquiais e civis. Além disso, em alguns casos oferecem a sua preciosa colaboração na missão ad gentes.

Caros irmãos e irmãs, fortalecidos pela alegria pascal e pela fé no Ressuscitado, confiemos os nossos propósitos e as nossas intenções à Virgem Maria, Mãe de todas as Vocações, para que com a sua intercessão suscite e ampare numerosas e santas vocações ao serviço da Igreja e do mundo.

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