Artigos, Lectio Divina › 08/08/2018

A vida é um mistério

Em Jeremias 31, 1-7, o profeta diz que o Senhor afirma ser seu Deus. Promete protege-lo. Diz ao povo: “eu o amei com amor eterno e te atraí com a misericórdia. Vou te construir de novo. Tu me saudarás com tambores. Poderás plantar vinhas nas montanhas da Samaria. Jacó vai gritar de alegria aclamada como primeira das nações porque o Senhor salvou seu povo.”

A experiência de nossa vida apresenta sempre pessoas, fatos, que nos mostram algo além do que vemos e sentimos. Somos seres vivos e criativos. Sujeitos às leis físicas, o desenvolvimento de nossas qualidades espirituais sempre nos renovam com descobertas em nossa caminhada e na vida das pessoas com quem convivemos.

Mesmo para quem não tem fé em Deus, a vida é mistério por suas novidades, que deixam interrogações a qualquer um sobre: porque aconteceu isso ou aquilo comigo? E quem tem fé cada dia descobre um gesto de amor de Deus para conosco seja em a variedade e beleza da natureza, seja na manifestação variada e rica de cada pessoa. Somos sempre surpreendidos com as delicadezas de Deus que nos ama tanto.

O profeta poderia se espantar quando ouvia Deus e suas propostas em relação à vida das pessoas a quem só desejava o bem, mesmo quando pensavam fugir de sua presença.

É espantoso depois de fugirmos da presença divina para buscar em coisas tão pequenas, em prazeres fugidios, e confiar em pessoas e realizações que nem sempre são sinceras, ver e ouvir Deus que nos chama e mantém sua palavra: somos eternamente seus filhos queridos. Só deseja para nós todo o bem e felicidade. Não deixe o Senhor nosso Pai que nos ama com amor eterno ficar mendigando ouvir nossa voz a chama-lo de Paizinho querido.

Em Mateus 15, 21-28,  passando Jesus por Tiro e Sidônia, uma senhora gritava pedindo cura de sua filha. Jesus não respon-dia. Os apóstolos pediam que ela fosse embora. Como insistisse, Jesus disse que não podia dar aos cães o pão dos filhos. A mulher respondeu que os cachorrinhos comiam também as migalhas que caíam das mesas. Jesus elogiou sua fé e curou a menina.

Nossa vida apresenta uma variedade de acontecimentos. Parece que nunca se repetem. Mas para quem tem olhos e ouvidos atentos nos maravilhamos com soluções e respostas inesperadas.

Jesus de alguma forma “abusava” da fé das pessoas. Mas sabia bem qual seria o resultado, pois seu Espírito sopra onde quer, para quem quer e da forma que quer.

Uma mulher aflita embora em região fora da Palestina, não só pede, mas vem gritando atrás de Jesus. Jesus não reage. Os apóstolos irritados manda que se cale.  Mas o amor não se ofende, busca, pede, grita, por um bem de sua filha querida.

E Jesus contra toda a sua maneira de ser e falar ainda ofende a mulher fenícia: não devia tirar o pão dos filhos (judeus) para dar aos cães ( não judeus!). O amor não se importa com receber ofensa tão cruel. Mas encontra saída: os cães comem as migalhas… Jesus se sente feliz com a súplica humilde de um amor sofrido. Vai. Tua filha está curada… Os eternos mendigos do amor. Este é nossa maior força e a maior fraqueza de Deus. Ele nunca deixa de ouvir a prece humilde de quem ama os outros.

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