Artigos › 17/07/2019

A essência da Eucaristia nos primeiros séculos

“Terminadas as orações e as ações de graças, todo o povo presente prorrompe numa aclamação dizendo: Amém. Depois de o presidente ter feito a ação de graças e o povo ter respondido, os que entre nós se chamam diáconos distribuem a todos os que estão presentes pão, vinho e água ‘eucaristizados’ e levam (também) aos ausentes“ (CIC, 1345), testemunha São Justino Mártir, ao narrar como os primeiros cristãos celebravam a Eucaristia.
Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

No nosso Espaço Memória Histórica, 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos falar hoje sobre “A essência da Eucaristia nos primeiros séculos.”

“Caríssimos sacerdotes, vivam com alegria e com amor a Liturgia e o culto: é ação que o Ressuscitado realiza no poder do Espírito Santo em nós, conosco e por (…). E também gostaria de convidar todos os sacerdotes para celebrar e viver com intensidade a Eucaristia, que está no coração da missão de santificar; é Jesus quem quer estar conosco, viver em nós, dar-se a nós, mostrar-nos a infinita misericórdia e ternura de Deus; é o único Sacrifício de amor de Cristo que se torna presente, realiza-se entre nós e chega até o trono da graça, na presença de Deus, abraça a humanidade e nos une a Ele”, disse o Papa emérito Bento XVI no discurso ao clero de Roma em 18 de fevereiro de 2018. “E o sacerdote é chamado a ser ministro deste grande mistério, no Sacramento e na vida.”

O Sacramento da Eucaristia completa a iniciação cristã. “Aqueles que foram elevados à dignidade do sacerdócio real pelo Batismo e configurados mais profundamente com Cristo pela Confirmação, esses, por meio da Eucaristia, participam, com toda a comunidade, no próprio sacrifício do Senhor”. (CIC 1322) “A Eucaristia é «fonte e cume de toda a vida cristã» (146). «Os restantes sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e obras de apostolado, estão vinculados com a sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Com efeito, na santíssima Eucaristia está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, nossa Páscoa»” (CIC 1324).

Mas, como os cristãos dos primeiros séculos celebravam a Eucaristia? Padre Gerson Schmidt – incardinado na Arquidiocese de Porto Alegre – traz uma pequena reflexão sobre este tema:

“Falamos aqui em nosso estudo das origens da Eucaristia na Igreja Primitiva. O liturgista Boyer disse que se formos às fontes para descobrir a primeira Eucaristia, as celebrações da Missa na Igreja Primitiva, encontraremos uma verdadeira explosão festiva que é uma árvore viçosa de vida.

E celebração da Eucaristia primitiva é um processo pascal, um caminho aberto para a Páscoa de Cristo, é como uma estrela, uma luz forte e verdadeira que se eleva sobre a história, o todo o caminho litúrgico no decorrer dos séculos. Dom Botte, que foi uma alma da renovação litúrgica do concilio, passou sua vida estudando as fontes. Somente pela tradução de alguns textos primitivos, que narram como a Eucaristia era celebrada pelos primeiros cristãos, Botte pôs fim a muitas discussões interpretativas de muitos teólogos.

Um dos textos belíssimos sobre a Eucaristia dos primeiros séculos que temos a disposição no atual Catecismo da Igreja Católica é o de São Justino, que viveu no ano de 150, que nasceu em Samaria, que, em sua apologia, não escreve na intenção de explicar a liturgia, mas de defender os cristãos do imperador pagão Antonino Pio (138-161), acusados que foram de fazerem reuniões estranhas.

Diz assim o n.1345 do Catecismo da Igreja Católica: “Desde o século II temos o testemunho de S. Justiço Mártir sobre as grandes linhas do desenrolar da Celebração Eucarística, que permaneceram as mesmas até os nossos dias para todas as grandes famílias litúrgicas. Assim escreve, pelo ano de 155, para explicar ao imperador pagão Antonino Pio (138-161) o que os cristãos fazem: “No dia ‘do Sol’, como é chamado, reúnem-se num mesmo lugar os habitantes, quer das cidades, quer dos campos. Leem-se, na medida em que o tempo o permite, ora os comentários dos Apóstolos, ora os escritos dos Profetas. Depois, quando o leitor terminou, o que preside toma a palavra para aconselhar e exortar à imitação de tão sublimes ensinamentos. A seguir, pomo-nos todos de pé e elevamos nossas preces por nós mesmos (…) e por todos os outros, onde quer que estejam, a fim de sermos de fato justos por nossa vida e por nossas ações, e fiéis aos mandamentos, para assim obtermos a salvação eterna. Quando as orações terminaram, saudamo-nos uns aos outros com um ósculo.

Em seguida, leva-se àquele que preside aos irmãos pão e um cálice de água e de vinho misturados. Ele os toma e faz subir louvor e glória ao Pai do universo, no nome do Filho e do Espírito Santo e rende graças (em grego: eucharístia, que significa ‘ação de graças’ longamente pelo fato de termos sido julgados dignos destes dons). Terminadas as orações e as ações de graças, todo o povo presente prorrompe numa aclamação dizendo: Amém. Depois de o presidente ter feito a ação de graças e o povo ter respondido, os que entre nós se chamam diáconos distribuem a todos os que estão presentes pão, vinho e água ‘eucaristizados’ e levam (também) aos ausentes“ (CIC, 1345).

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